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terça-feira, 30 de outubro de 2012

O início, outra vez

O Sporting, que surgiu como um candidato ao título - ninguém negou que esse era um objetivo a tentar -, está a jogar um futebol sem qualquer lógica, perde-se em ensaios constantes, qual deles o mais inútil, e revela ter uma equipa desmotivada, desagregada, ansiosa e, sobretudo, sem saber o que fazer quando as coisas se complicam. O que acontece muitas vezes. Ora, é com este cenário que Frank Vercauteren entra em cena.

O Sporting já perdeu 14 pontos em apenas sete jornadas. Seria sempre mau em qualquer circunstância, mas estamos a falar das primeiras sete rondas do campeonato, o que torna tudo bastante mais dramático. Vê Benfica e FC Porto a dez pontos de distância e o Braga a sete. Só que entre os leões e os minhotos ainda há mais seis equipas. Entretanto, a formação de Alvalade sofreu sete golos, mas marcou apenas cinco, ou seja, não chega à média de um por jogo. E quando olhamos para o desafio frente à Académica percebemos facilmente como é que o Sporting chegou a este ponto. Uma enorme oportunidade num desafio inteiro. Daí que nem surpreenda que Pedro Emanuel se confesse insatisfeito por ter empatado no terreno do adversário.

No caso do campeonato - a Liga Europa é outra história, também ela uma dor de cabeça - o novo treinador belga tem uma única missão : procurar arranjar a fórmula que coloque o Sporting a ganhar (muitos) jogos, de forma a conseguir um dos lugares que possibilitem o acesso à Liga dos Campeões, nem que seja o terceiro com passagem pela pré-eliminatória. Aliás, esta é uma questão que seria importante Godinho Lopes clarificar, isto é, ao contratar um técnico para o resto da temporada, deixando em aberto uma outra de opção, explicar do que depende a continuidade de Vercauteren.

Por outro lado, e embora não seja muito linear estar três semanas sem anunciar o novo técnico e, depois, retardar a ida para o banco ainda mais uma semana, seria também interessante que o presidente leonino explicitasse qual a relação de Vercauteren com a nova estratégia da aposta na formação. Sabendo todos que numa situação de emergência, como é a que atualmente vive o Sporting, a única prioridade é pôr a equipa a jogar bom futebol e a vencer, o treinador dificilmente terá tempo para outras preocupações. Tal como aconteceu a Paulo Bento quando pegou na seleção, em que tinha de se concentrar somente no apuramento para o Europeu e não na "renovação" da equipa nacional.

Como é tradicional no clube de Alvalade, caso Vercauteren consiga dois os três triunfos consecutivos, vamos assistir certamente ao regresso de uma euforia semelhante à que se registou nos primórdios de Domingos ou na altura em que Sá Pinto tomou conta da equipa. É crónico. Aquilo que se espera é que, pelo menos desta vez, haja o bom senso de moderar o entusiasmo, porque será a única maneira do técnico prosseguir o seu trabalho com segurança. É que, ao primeiro contra-tempo, como também é usual, vem ao de cima a cobrança. Só que, quando isto suceder, as contas não vão ser pedidas apenas ao treinador.

Mário Fernando
Fonte: Jogo Jogado

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