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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Oceano


Ao gajo que me habituei a ver correr com os pés para fora, ao gajo que vi mandar um dos maiores pontapés de que tenho memória (frente ao Malines, em que resolveste chutar pouco depois do meio-campo e deixaste a trave do Michel Preud’homme a tremer duante algum tempo), ao gajo que levou um velhinho Alvalade, cheio, ao desespero (frente ao Inter, na meia da UEFA Cup, com aqueles falhanços na cara do Zenga), ao gajo que levava o espírito do B.A. para dentro do campo (nem faltava o bigode e os acessos de fúria perante lances menos conseguidos), ao gajo que amava a camisola que vestia, a alguém que soube evoluir e contrariar as suas próprias limitações (tornando algumas delas em virtudes), ao gajo que se tornou num dos mais sui generis marcadores de penaltis de que guardo memória, ao gajo que jogava onde fosse necessário para o bem da equipa (nunca mais me esqueço de ver-te a guarda-redes, nas Antas, ou de terem tentado transformar-te num ala direito), ao gajo que conseguiu ser respeitado por adeptos de cores rivais, ao homem que, hoje, poderá dar lições de Sportinguismo a muito menino que sonha ser craque.
Como tu disseste, ontem, se o clube precisa de ti, tu dizes presente. Foi sempre assim, afinal. Por isso te desejo toda a sorte de mundo. Por isso desejo que, caso algo corra menos bem neste teu novo papel, nós, adeptos, não nos esqueçamos que estarás a fazer o teu melhor e que o pedido de contas deve ser feito a outras pessoas.


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