Pub

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Agarrem-me, Camaradas!

Camaradas, isto só lá vai com luta. Lutar contra a obsolescência do sindicalismo espingardante e aburguesado em Portugal e por um novo sindicalismo silencioso, trabalhador do lado da produtividade e da riqueza, como o sueco. Nesse país, todos se sentam à mesa negocial no sentido de todos ganharem com o trabalho de todos, assegurando que a galinha dos ovos de ouro comum permanece viva: os trabalhadores suecos ganham que é uma humilhação para um português. Porquê? Não se metem a destruir o seu sustento nem a demagojizar quedas de governos a braços com uma situação de calamidade e emergência. No Reino da Suécia, aliás, os trabalhadores nunca viram uma falência ou uma iminência de falência do Estado. 

Ninguém nas ruas de Estocolmo salivando, espumando, como os grandes traídos portugueses após anos com dinheiro fácil e dívida mais rápida que a própria sombra. Cá, primeiro estão os direitos, a impaciência dos velhos direitos, e depois, muito depois, a viabilidade da galinha dos ovos de ouro, aliás degolada e trocada pelo canto das sereias, as sereias que engendraram o actual buraco, as sereias que supõem que só à bruta e radicalizando muito se fará ressuscitar uma galinha em particular e a grande galinha-Estado. Lutemos, camaradas, mas para mudar esta mentalidade. Quanto à luta contra Merkel, calma, camaradas! Obviamente a incumbente alemã rege-se pelo princípio de nos ensinar a pescar em vez de nos dar um peixe e isso pode representar a mudança milenar da nossa sorte pelintra da estatismo-dependência para a espontânea e solidária reunião dos mesmos esforços que limparam Silves grátis, após o último tornado. Com amor. Com ternura. Com união.

Andam os camaradas socialistas, como por exemplo o Otelo, os camaradas bloquistas, como por exemplo Freitas do Amaral, os camaradas comunistas, como por exemplo Manuela Ferreira Leite, a odiar e a combater com paleio Merkel e outro tanto Passos? Inútil. Agarrem-me, camaradas, que eu também abominei, combati, abomino e combato, a impunidade do assaltante Sócrates. Para quê? É inútil. É com dinheiro que se conquista a imunidade e se desliza impune pela vida. Posso bem gastar toda a minha vida e as minhas munições de manguitos que ver só verei simbólica e exemplarmente Vale e Azevedo numa cela. E João Cebola. Bem que se enlouquece a lutar, camaradas, mas a carteira permanece vazia a empurram-nos pelos olhos marinhos e pinto a arrotar omissões e proenças de carvalhos a defender filhos da puta. Por que motivo me não conformo, meu Deus?! Porquêêêêêê?!

Odiar, insultar, a chancelerina Merkel? Não, camaradas. Ela não costuma reparar em insignificâncias e muito menos parar a meio das suas convicções e conveniências. Na última conferência de imprensa conjunta com Passos Coelho não apontou o dedo a um ex-primeiro-ministro e à sua responsabilidade pelo agudizar súbito da crise de dívida Portuguesa. Não lhe caberia fazê-lo. Só um sapateiro no lugar de um primeiro-ministro somaria dívida exponencial à vulnerabilidade de um País sem produtividade para os seus gastos e necessidades correntes. Um País sem PIB para tanto luxo. À chancelerina competia-lhe, sim, explicar o modo como a crise financeira desencadeada nos Estados Unidos que depois alastrou à Europa apanhou alguns governos europeus sumamente demagógicos em contrapé, com as calças da sua sofreguidão, eleitoralismo e avidez, na mão. Por isso caíram. Caíram as calças e os governos. O rei ia nu.

É preciso encarar de uma vez por todas por que motivo uma economia frágil como a nossa viu um ex-primeiro-ministro exponenciar descontroladamente a respectiva dívida pública sem que, no entanto, ela se traduzisse de todo na economia, na produtividade, na distribuição justa de riqueza, na melhoria de vida de uma significativa parte dos portugueses. Onde estava o bom senso? Que álibi é esse que as anas sá lopes, e outros súcubos de Sócrates, repetem até enrouquecer? Não se percebe. A verdade é que sobretudo o BES parece ter ganho um milhão de euromilhões nesse jogo pós-2008. Só alguém muito concreto e muito eminência parda do Regime Português é que poderia ter ganho com essa festa da dívida à louca. Curiosamente nenhum socialista opinador parece saber ou querer saber para onde raio foi todo esse dinheiro, negando até que o Estado Português tenha vivido acima, muito acima, das suas reais possibilidades, basicamente por dolosos interesses de facção e ter sido precisamente esse o verdadeiro desastre nacional, dívida!, antes de um PIB que a suportasse; dívida!, depois vê-se; PPP!, dívida!, dívida!, dívida!, e toda a espécie de pazadas-caterpílar para abrir o túmulo nacional e logo se veria. Merkel e qualquer observador sabe que tanto o Governo Grego quanto o Governo Socialista Português falsificavam orçamentos. Ponto. Desorçamentavam os problemas, empurravam com a barriga os sectores públicos em maior descontrolo e que hoje nos explodem na cara.

A cegueira política e económica de sobreendividar um Estado e torná-lo insustentável foi extremamente difícil de erradicar. Levou seis anos de demagogia, comissionismo nos negócios de Estado e eleitoralismo, horrorosa sobreexposição mediática licenciosa, obscena, mentirosa. Nós conseguimos limpar esse lastro, todos juntos. Agora, camaradas, empurremos Passos para a sua tarefa primordial que é agarrar com as pernas quantas canas de pesca Merkel e Xi Jinping, líder do Partido Comunista Chinês, lhe possam atirar. 

Estamos nisto.

Fonte: Aventar

Nenhum comentário:

Postar um comentário