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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A curva do universo ou da vida


Morreu um homem feliz!
Morreu uma pessoa que acreditou até ao fim nos seus ideais.
Morreu o “embaixador da arquitectura brasileira” e o “último grande arquitecto do século XX”.


Morreu Oscar Niemeyer (1907-2012), a poucos dias de completar 105 anos.

Eu olho para trás, não sou como os outros que dizem que fariam tudo igual, eu faria muita coisa diferente. A vida é difícil, a vida nos leva a coisas que às vezes a gente não quer. A vida é um sopro, a gente vem, conta uma história e todo o mundo esquece depois. (…) Cem anos não dá prazer. Eu ia passar os cem anos sem muita alegria. A vida passou, eu procurei ser correto, trabalhar, mas não estou contente, na verdade não traz nenhum prazer. Só se o sujeito pensar que é importante, e eu acho isso tão ridículo, se ele pensar que é importante ele está fora do mundo.
(…) O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo.



O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer morreu aos 104 anos, num hospital do Rio de Janeiro. Tinha sido internado no início do mês passado, pela terceira vez este ano. Desde então, o estado clínico tinha vindo a agravar-se, com problemas respiratórios e renais.

Para a presidente Dilma Rousseff, o Brasil perdeu “um dos seus génios”. “É dia de chorar a sua morte. É dia de saudar a sua vida”, disse num comunicado oficial. “Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitectura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva", continua o texto, acrescentando que "da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades".


Niemeyer, com a sua arquitectura livre, permitiu que o betão armado criasse pela primeira vez formas verdadeiramente plásticas, gerando uma nova espacialidade para um novo Brasil. O arquitecto foi o principal artífice de Brasília, cuja a construção começou em 1957.

Nascido no Rio de Janeiro, a 15 de Dezembro de 1907, era oriundo de uma família carioca, conservadora e católica com ascendência germânica, que acompanhou a corte portuguesa, em 1807, na sua mudança para o Rio de Janeiro. Niemeyer viveu uma juventude despreocupada e protegida. Foi estudar arquitectura só tardiamente.


Várias personalidades vieram a público prestar a sua homenagem. O cantor Chico Buarque, que conheceu Niemeyer ainda criança, porque o pai teve uma casa projectada pelo arquitecto nunca construída, disse que o arquitecto teve uma vida muito bonita. “Foi um dos maiores artistas do seu tempo e um homem maior que a sua arte", afirmou o cantor, citado pela TV Globo.

Niemeyer deixou obra significativa fora do seu país, chegando mesmo a construir, com Alfredo Viana de Lima, em Portugal, o Hotel Casino do Funchal, a meio da década de 60.


O arquitecto tornou-se o maior embaixador da arquitectura brasileira. Isto todavia é pouco, se comparado com o contributo que deu à evolução da arquitectura moderna. Muitos dos seus edifícios tornaram-se arquétipos para os arquitectos contemporâneos. Niemeyer foi um génio e como tal, padeceu de violentos ataques e também de elogios condescendentes. Talvez por ter medo da morte, foi aquilo que podemos descrever como um “homem feliz”.


Fonte: AventarPúblico

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