Pub

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

As nossas escolhas: Os 10 melhores discos internacionais de 2012

Pop-rock, música brasileira, eletrónica... Passámos o ano tendo os discos como companhia habitual e, antes de nos atirarmos às novidades de 2013, louvamos aqueles de que não nos esqueceremos facilmente. Aqui ficam, então, os nossos dez álbuns internacionais preferidos de 2012.


O formato álbum morreu? Numa altura em que a música é cada vez mais portátil e menos dependente do suporte físico, é tentador responder que sim. Por outro lado, ainda continuamos a encontrar artistas - talvez menos do que há uns anos, concedemos - que nos dão vontade de ouvir um disco do princípio ao fim, com um alinhamento coerente, aliciante e nos antípodas de uma playlist em shuffle (que também tem os seus encantos, mas joga noutro campeonato). É deles que nos lembramos no momento de escolher as melhores rodelas musicais que nos chegaram aos ouvidos em 2012, que deixamos abaixo sem nenhuma ordem de preferência.

Como todas as listas pecam por serem incompletas, o espaço de comentários está disponível para outras sugestões.


Caetano Veloso - «Abraçaço»

"Abraçaço" é visto como o último capítulo da trilogia de Caetano Veloso com a Banda Cê, coletivo de jovens artistas que deram uma nova cara à música do cantor e compositor brasileiro. A saga não poderia ter terminado de melhor forma, num álbum que supera os dois anteriores ("Cê" e "Zii e Zie"). "Abraçaço" são 11 faixas com momentos de euforia, reflexão, alegria e tristeza sempre assentes no universo poético inimitável de Caetano.


Mark Knopfler - «Privateering»

Considerado por muitos que o seguem desde os tempos dos Dire Straits um dos grandes génios da guitarra, Mark Knopfler continua a deitar cartas.
Depois de seis álbuns a solo sempre com uma qualidade ímpar, o sucessor de Get Lucky, lançado em 2009 é Privateering.
Mark já tinha avisado que conforme o avançar da idade ia ter tendência a escrever mais, talvez por pânico. Dessa vontade desenfreada de escrever e compor surgiu este novo álbum.
Knopfler pega na guitarra como se de um pincel se tratasse e faz-nos desenhar verdadeiros quadros mentais.
Uns têm molduras verdes e são sobre natureza - “Redbud Tree”, outros são pinturas com muito saudosismo à mistura – “Miss You Blues“ e “Go, Love”, outras são sombrias - “Yon Two Crows”. Seja sobre o que for não há dedos a apontar à grande originalidade das letras e arranjos deste cantor.


Muse - «The 2nd Law»

O sexto álbum dos Muse, apanhou-nos de surpresa. Muitas das canções não eram as que poderíamos esperar encontrar num álbum da banda, e não só pelas influências dubstep. Como sempre, meio mundo gostou, meio mundo odiou. Nós gostámos e muito. É um disco experimental, eclético e com uma grandiosidade que cresce a cada audição. Se queremos que Muse volte a soar a Muse? Sim, mas até lá estaremos à espera para ver “a segunda lei” ao vivo.


Norah Jones - «...Little Broken Hearts»

Norah Jones deixa claro que há muito para desbravar para lá do registo meloso dos primeiros discos. Ao quinto, faz parelha com Danger Mouse na construção de temas à volta do amor e da desilusão. É o disco que nos dá um dos temas mais certeiros na dose de doçura e crueldade de sempre. Em “Miriam”, Norah Jones canta para a rapariga com quem o namorado a traiu. A doce Norah nem é destas coisas, mas embala Miriam até à morte, à vingança, ao ajuste de contas. Até ao fim.


Patti Smith - «Banga»

Aos 65 anos, Patti Smith continua feliz e inspirada a descobrir livros novos, quadros, lugares, amigos, filmes, saudades, viagens e a pôr tudo em música arrumada num álbum. E que bom para nós que gostamos dela. “Banga” é um diário de eventos e acontecimentos dos últimos anos da sua vida, variado na inspiração, coerente no som (mesmo indo do rock à balada à spoken word), com uma simplicidade desarmante nos arranjos e na construção musical. Ouçam e aprendam.

Battle Born

The Killers - «Battle & Born»

Nos últimos anos, poucas bandas de rock cresceram tanto O talento para compor e fazer arranjos perfeitos de músicas que serão sucesso nas rádios e em festivais continua. "Flesh and Bone", "Runaways", "Battle Born"e "The Rising Tide" são exemplos perfeitos disso. Refrões simples, bons backings vocals e a combinação de guitarras, teclado e sintetizadores, que já dava certo há oito anos, é repetida de forma rigorosa.

Led Zeppelin – “Celebration Day” (Atlantic, 2012)

Led Zeppelin - «Celebration Day»

Por uma noite e apenas uma noite só, os veteranos mostraram ao mundo que mesmo com os cabelos grisalhos e algumas rugas ainda era possível dar um ar da sua graça. Duas horas de pura magia nostálgica que fizeram o relógio andar para trás umas boas décadas.
Para Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones foi uma boa maneira de fechar o livro. Depois da morte de John Bonham, nada melhor que convidar o filho deste, Jason para ocupar o lugar do pai. E o rapaz não ficou mal na fotografia.

Blunderbuss

Jack White - «Blunderbuss»

Após moldar e influenciar o rock da década passada, com os dez ótimos discos lançados pelo trio de bandas que liderou (ou co-liderou), Jack White finalmente optou por lançar seu primeiro trabalho solo, Blunderbuss.
O ponto de partida para analisar uma obra deste tipo costuma ser a sua comparação com o restante da discografia do artista em questão. Assim, logo na primeira audição, Blunderbuss deixa claro que não pode ser descrito como um simples ponto médio entre os três antigos grupos de White, mas também não foge daquilo que já foi ouvido neles. Sonoramente, está mais próximo do The Raconteurs, tanto pela instrumentação (guitarra, baixo, bateria, piano), quanto pelo rock setentista influenciado pelo country.

Dead Can Dance   “Anastasis” (PIAS Recordings, 2012)

Dead Can Dance - «Anastasis»

Enquanto estiveram juntos sob a capa dos Dead Can Dance, Bredan Perry e Lisa Gerrard assinaram alguns dos melhores momentos da pop erudita mesclada com as raízes étnicas da World Music. Misturando sintetizadores talhados para recriar ambientes soturnos com ritmos africanos, cantos gregorianos, a mitologia folk celta e onde cabiam também alguns mantras da música oriental, o duo Australiano, foi o expoente daquilo que se pode chamar de “World Fusion New Age”. Ou algumas cabeças mais entendidas houve quem os catalogasse de um estilo chamado: “dream pop”.
É correto afirmar que” Anastasis” é uma progressão lógica dos álbuns da banda editados entre 81 e 96. Eles não trazem nada de novo, antes pelo contrário eles retomam normalmente o seu percurso musical. Simplesmente imperturbáveis.

Leonard Cohen - Old Ideas [leia a crítica da BLITZ 68] -

Leonard Cohen - «Old Ideas»

Continua intacta, a suavidade das canções faladas do canadiano sedutor. Podem ser velhas ideias, mas a nós soam-nos a imagens frescas.
A voz conspícua e sussurrada, raras vezes pesarosa, continua a ter a capacidade de fazer tremer pernas - e paredes - e o respeito com que trabalha as palavras permanece admirável.

Nenhum comentário:

Postar um comentário