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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ensino básico vocacional: O que é e quais os desafios que coloca?

O ministério da Educação e Ciência lançou, neste ano letivo, o ensino básico vocacional em 13 escolas do país. As turmas acolhem alunos com um historial de retenções e com um perfil vocacional que aconselha um programa educativo e formativo mais prático, mais técnico e articulado com o mundo das empresas, tendo em vista o contacto com três ofícios.

A seleção dos alunos foi feita pelos psicólogos escolares em estreito contacto com os encarregados de educação e os potenciais candidatos. A seleção foi feita com o recurso a entrevistas individuais a alunos e a encarregados de educação e ao estudo do percurso formativo de cada um deles.

Houve um cuidado muito grande no processo de seleção. Nenhum aluno foi selecionado sem a autorização do encarregado de educação e a anuência dele próprio. Crítico para o sucesso dos alunos é o acompanhamento constante por parte dos psicólogos escolares, nomeadamente trabalhando com os alunos competências pessoais e sociais que conduzam a uma melhoria da autoestima e do autoconceito e à aquisição de bons hábitos e rotinas diárias. É por isso que a Portaria 292-A/2012, que cria esta via de ensino, dá tanta importância ao papel dos psicólogos escolares, integrando-os na equipa formativa e na coordenação dos cursos.

A maior parte das turmas acolhem alunos com idades entre os 15 e os 17 anos de idade mas há algumas turmas com alunos mais novos: entre os 13 e os 15 anos de idade.

Os alunos são sujeitos a uma matriz curricular com três componentes formativas: geral (matemática, português, inglês e educação física), complementar (história e geografia, ciências da natureza e físico-química) e vocacional (três ofícios com períodos de permanência em contextos empresariais e de contacto com 3 ofícios através de uma modalidade de prática simulada).

O sucesso desta via de ensino depende de duas coisas: a articulação com os contextos empresariais onde se realizam os três períodos de prática simulada e de contacto com os 3 ofícios; a articulação entre a componente complementar e a componente vocacional. A primeira deve estar ao serviço da segunda e ser organizada em função das necessidades formativas impostas pelo perfil dos 3 ofícios. Por exemplo, alunos que frequentam um curso com ofícios de jardinagem e produção agrícola devem ter uma formação complementar com a maior parte dos tempos curriculares previstos alocada às ciências da natureza, com menos peso para a história, a geografia e a física. Outro exemplo: alunos que frequentam um curso com ofícios ligados ao comércio e ao turismo devem ter uma formação complementar com a maior parte dos tempos curriculares dedicados à geografia e à história. Pode justificar-se até uma segunda língua estrangeira.

Cada aluno avança nos módulos de formação ao ritmo que lhe for possível. Há alunos que podem fazer o 3º ciclo do ensino básico num ano e outros precisam de dois anos. Há ainda algumas turmas com alunos que estão a fazer o 2º ciclo do ensino básico. A assiduidade é uma variável chave no aproveitamento escolar. Sem assiduidade não há aproveitamento. Os alunos têm de assistir a pelo menos 90 % dos tempos letivos de cada módulo integrando as componentes geral, complementar e vocacional e participar integralmente na prática simulada estabelecida. No início de cada ciclo de estudos, deverá proceder-se a uma avaliação diagnóstica, tendo em vista a caracterização da turma do curso vocacional com o objetivo de aferir os conhecimentos adquiridos pelos alunos que a integram, as suas necessidades e interesses, visando permitir a tomada de decisões da futura ação e intervenção educativas. A avaliação será modular, devendo seguir a escala de 0 a 20.

Grande parte dos alunos tiveram experiências mal sucedidas nos Cursos de Educação e Formação. Outros andaram pelos Percursos Curriculares Alternativos.

O fator crucial nesta via de ensino é a articulação entre a formação geral e complementar e a formação vocacional. O contacto com 3 ofícios e a formação em contextos empresariais durante três períodos de tempo ao longo do ano é aquilo que distingue esta via de ensino das diversas matrizes curriculares alternativas que falharam.

O sucesso desta nova via de ensino depende da forma como é organizada a prática simulada nos 3 ofícios e o modo como é preparada a saída para as empresas. Essa saída para as empresas é fortemente motivacional para os alunos. Os pais dos alunos veem nela uma oportunidade que os educandos devem agarrar.

Legislação: Portaria n.º 292-A/2012, de 26 de setembro

Fonte: ProfBlog

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