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sábado, 9 de março de 2013

Cinema Paraíso: Crítica - Gangster Squad (2013)


Realizado por Ruben Fleischer
Com Josh Brolin, Ryan Gosling, Sean Penn, Emma Stone

Os filmes de gangsters têm uma tradição muito forte em Hollywood. Pautados por sedutores elementos de noir e por um classicismo muito próprio, geralmente são filmes que se levam muito a sério e que se destacam pela narrativa sóbria, não entrando em grandes espalhafatos e cultivando um certo glamour nas suas escolhas visuais e auditivas. “Gangster Squad”, porém, corta um pouco com esse classicismo e opta por uma via mais descontraída e divertida, afastando-se do thriller noir e assentando bases na aventura de ação que não deve ser levada muito a sério. Apesar de ser inspirado em factos reais, “Gangster Squad” não aborda os confrontos de Mickey Cohen com as autoridades de uma forma propriamente contida e realista. Quase como se fosse uma história de super-heróis retirada de uma banda-desenhada, diverte-se à fartazana na altura de puxar o gatilho e desenvolve o enredo com um sentimento de diversão sempre apurado, apresentando um vilão que facilmente rivaliza com qualquer antagonista malvado das aventuras aos quadradinhos e um conjunto de heróis que não prima pela discrição dos seus atos. Resultado desta abordagem indiscutivelmente mais leve e surreal? “Gangster Squad” não é mau e entretém quanto baste, mas torna-se inevitavelmente inconsequente e não deixa a marca que devia deixar no espectador mais expectante.


A ação centra-se na Los Angeles de finais dos anos 40. Após uma carreira de pugilista em que ganhou notoriedade pela sua força bruta e ambição sem limites, Mickey Cohen (Sean Penn) instala-se em L.A. e rapidamente se torna o barão do crime, o chefe da máfia que se mantém intocável através de subornos e que controla tudo e todos. Comprada e vencida, a polícia pouco ou nada lhe faz frente, limitando-se a observar enquanto Cohen estende os seus tentáculos corruptos por toda a cidade. O Sargento John O’Mara (Josh Brolin) é um dos poucos que se recusa a prestar-lhe vassalagem, fazendo detenções em locais que outros consideram restritos e distribuindo galhetas pelos grupos de mafiosos a quem as forças de autoridade fazem vista grossa. Ciente de que O’Mara é um dos poucos com quem ainda pode contar, o Chefe Parker (Nick Nolte) ordena-lhe a destruição de Cohen e do seu bando, numa última tentativa de recuperar o coração de Los Angeles das mãos do mafioso. E O’Mara depressa mete mãos à obra, reunindo um grupo de agentes duros e problemáticos que não hesita no momento de declarar guerra ao poderoso barão do crime. Inicia-se então um confronto decisivo pela própria alma de Los Angeles. Mas será que O’Mara e os seus colegas têm o que é preciso para saírem vencedores desse confronto?


“Gangster Squad” e “The Untouchables” têm muitas semelhanças, sobretudo a nível das suas narrativas. Mas ao passo que o clássico de 1987 encarava o confronto de um grupo de agentes destemidos com os capangas de Al Capone de uma forma digna e sisuda, o light gangster movie de Ruben Fleischer aborda a luta com Mickey Cohen como se se tratasse das aventuras do Homem-Aranha, o que não abona a favor da película. Esta análise pode parecer estranha e até inteiramente descabida, já que Josh Brolin não anda propriamente a disparar teias pelas ruas de Los Angeles. Mas se analisarmos a frio a estrutura deste “Gangster Squad”, chegamos à conclusão de que o seu espírito está muito próximo das aventuras recentes de qualquer super-herói. Pois vejamos: o Mickey Cohen de Sean Penn é interessante e fica na retina (sendo até o melhor que o filme tem para oferecer), mas é tão vilanesco que quase se torna surreal, fazendo frente a qualquer mestre do mal dos livros aos quadradinhos; a banda-sonora de Steve Jablonsky também não ajuda, pois é demasiado heroica e espalhafatosa, não possuindo o charme e o glamour que as melodias destes filmes costumam apresentar; e a nível de argumento, o voice-off constante de Josh Brolin faz lembrar os pensamentos privados do Peter Parker de Tobey Maguire, não faltando sequer o monólogo final em que só lhe falta revelar que é o Homem-Aranha. É muito por causa destes fatores que “Gangster Squad” acaba por fracassar. Não é um mau filme, pois acompanha-se com agrado e o divertimento está garantido até ao final. Mas o argumento toma algumas direções dúbias e o próprio Fleischer não consegue fugir a alguns clichés perfeitamente evitáveis. Percebe-se que Fleischer quis fazer algo de diferente com este material, e até certo ponto essa frescura é salutar. Mas talvez a aura de puro divertimento simplesmente não encaixe numa obra destas características.

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