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terça-feira, 28 de maio de 2013

Funcionários públicos: enterrados vivos

O Governo, ao engendrar um sistema maquiavélico de despedimentos na função pública, vai conseguir fazer algo de extraordinário: enterrar pessoas vivas.

Como o vai fazer é diabólico. Os funcionários públicos passam de uma posição aparentemente favorável (segurança no emprego), para uma situação pífia e histriónica, despedindo sem mais nem menos).

A jactância desta situação é insólita e torna o funcionário público refém de uma estratégia delineada exactamente, por quem é em parte culpado, do endividamento até ao tutano do nosso querido País.

A morbidez desta situação é que o funcionário público é enterrado vivo e é ele que faz a cova onde vai ser enterrado, pois ao longo desta crise têm-lhe sido cortados (pá a pá) direitos como vencimento, subsídio, acesso à saúde, etc.

O caricato desta situação é que se exige tudo e não se lhe dá nada ou muito pouco. Manda-se embora do pé para a mão e dá-se uma indemnização, porém se essa indemnização passar os 47 000euro euros, não a recebe, depois não tem direito a subsidio de desemprego, como qualquer trabalhador tem acesso. Por fim, nunca mais pode trabalhar num organismo público. O que é isto senão enterrar uma pessoa viva? Coartar a possibilidade de refazer ou tentar refazer a sua vida como acontece, num comum funcionário privado que é despedido e pode ir para o privado ou até para o público.

Como vai viver um funcionário que fez mais de 34 anos de descontos, mais de 55 anos, até à idade de reforma? Provavelmente pedir, roubar, perder a dignidade ou suicidar-se. Alguém está atento a este drama e flagelo social que aí vem?

O funcionário público é o alvo a abater, perseguido, existe um racismo persecutório contra o funcionário público criado por este Governo e outros. O funcionário público é um privilegiado, um malandro, etc.

Ponho à vossa consideração, alguém com mais de 55 anos que receba uma indemnização amputada do seu valor real (deveria receber 90 000euro mas só recebe 47 000euro, como pode viver até chegar à idade de reforma?

Como é possível passar-se de forma instantânea de uma situação normal para uma situação de precipício?

Um funcionário público, antes, era enterrado morto como toda a gente, agora vai ser enterrado vivo.

Joaquim Jorge in DN

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