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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Melão Encarnado


A Liga Zon Sagres acabou no passado Domingo mas ainda se discute. Uns estão contentes da vida, outros com um grande melão e outros tristes por verem a sua equipa descer de divisão. Foi um campeonato com boas surpresas, muito disputado (talvez o mais disputado em muito tempo) e cheio de destaques pela positiva e negativa

FC Porto

Pela calada conseguiu chegar ao título sem que tenha sido derrotado, o que por si é um feito extraordinário. Mérito de Vítor Pereira, o mal amado dos adeptos, mas que ainda assim conseguiu ser eficaz.
O FC Porto domina claramente o futebol cá do burgo, disso não tenha ninguém dúvida, ainda que esse sapo seja difícil de engolir por alguns.

Paços de Ferreira

Os Castores são a grande surpresa desta época. É fácil dizer isto, mas tenho de o fazer. Paulo Fonseca entrou de rompante no principal escalão do futebol português e levou a sua equipa a um impensável 3º lugar, que dá direito ao playoff da Liga dos Campeões. Montou um sistema muitíssimo coeso, que privilegiou a posse de bola principalmente no meio-campo, e construiu uma excelente equipa. Na defesa brilhou Cohene. O paraguaio foi imperial em muitos jogos e mostrou que é um dos bons centrais da Liga. No meio-campo, André Leão foi o pivot, o pêndulo que defendia e que depois se virava para a frente e tocava a bola para Josué. O jovem português que passou pelos juniores do Porto, fez uma grande época, a ponto de já ter sido associado ao clube da Invicta e ao Sporting. Com apenas 22 anos, pode vir a ser um caso sério em Portugal. No ataque destaco Cícero. O avançado marcou 11 golos esta época. Parece pouco mas foram decisivos. Contudo, todo o trabalho em campo, quer no último passe, quer na abertura de espaços, merece mérito. Resta saber se Paulo Fonseca continua. Braga e Porto poderão estar na corrida pela nova coqueluche portuguesa.

Estoril

A equipa Canarinha, treinada por outro jovem e ambicioso técnico, Marco Silva, acabou a Liga no 5º lugar, que dá acesso à Liga Europa. Depois ter subido de divisão na época passada, a grande maioria pensava que a equipa iria lutar para não descer. É o que normalmente acontece. Futebol atacante e bonito, uma defesa forte, um meio-campo prodigioso e um ataque rapidíssimo. Steven Vitória foi gigante no eixo da defesa e foi decisivo para o desfecho do Estoril, já que, alcançou a proeza de marcar 11 golos. Jefferson, defesa-esquerdo, mostrou qualidades que podem interessar aos grandes, e ao que parece já é jogador do Sporting. No meio-campo, Carlos Eduardo tem samba nos pés. Excelente tecnicamente, é um jogador que ultrapassa bem a primeira barreira adversária e que parte em velocidade para o contra-ataque. A ter em atenção. No sector ofensivo, Licá, Luís Leal e Carlitos, formaram um tridente perigosíssimo. Foi com imenso gosto que assisti ao crescimento desta equipa. Veremos se não vê sair todos os melhores elementos.

Matic

Os adeptos benfiquistas não acreditavam nas qualidades do sérvio, ficaram desesperados quando o City veio buscar Javi Garcia. Matic começou a jogar e, apesar de no princípio não ter estado tão bem, notava-se ali uma diferença qualquer. Jesus deve lhe ter dado tanto puxão de orelha que o jogador aprendeu depressa e bem. Com um pulmão de fazer inveja a Stephen Kiprotich, campeão olímpico da maratona em Londres, e uma qualidade de passe excelente, o sérvio pegou de estaca e impôs-se. É muito diferente de Javi Garcia, defende mais à frente, não espera pelos adversários e é bastante menos vigoroso que o seu ex-colega espanhol. O Benfica tem em mãos um diamante!

Mangala

O jovem central francês, tal como Matic, não parecia destinado a altos vôos. Muito faltoso aquando dos seus primeiros jogos e pouco entrosado com o resto da defesa, o central custou a assentar no titular. Com a lesão de Maicon, Vítor Pereira, teve apostar no jovem e com o passar dos jogos a evolução foi notória. Forte fisicamente e rápido, Mangala tornou-se quase intransponível e um esteio virtuoso no sector defensivo portista. É um jogador ainda demasiado duro, mas é ainda também um jovem. Estamos perante um grande central, sem dúvida.

Benfica

O Benfica não conseguiu ganhar o campeonato, depois de uma época exemplar. Mais uma vez, não foram mentalmente fortes na fase mais decisiva, ainda por cima depois de terem vencido as duas etapas mais complicadas, Marítimo e Sporting (este à Capela). Eis que surge o Estoril. Os Canarinhos vulgarizaram e equipa em pleno Estádio da Luz, apesar de terem falhado alguns golos. Foi nesse jogo, que perderam o título. A equipa não soube superar o desgaste o que motivou o Porto, que os recebeu uma semana depois, e onde, mesmo no fim do jogo, marcou por intermédio de um jogador que nem 80 minutos fez no campeonato!
Enfim, a bola rola até o árbitro apitar!
Quatro dias depois jogou-se a final da Liga Europa. Sinceramente, sabia que o Chelsea tinha uma equipa superior e que podia muito bem abafar o Benfica. Não foi o que se passou. As papoilas saltitantes não deixaram os Blues jogarem e a criarem algumas oportunidades.
Mas lá está, equipa que não marca, sofre, e foi o que aconteceu. Torres, passou pelas duas torres benfiquistas e facturou, sem máscara. Cardozo ainda empatou, mas, outra vez no fim, Ivanovic encarregou-se de os levar ao inferno.
As vitórias morais de pouco ou nada valem!
Jorge Jesus deve estar devastado. Calou muitos, com as apostas de Melgarejo, que mesmo assim acho que é a posição mais fraca do onze benfiquista, Enzo Perez e Matic. Pôs o Benfica a jogar um futebol de ataque e apoiado. Deu tudo, e mesmo assim, não conseguiu vencer.
Aquele momento no Dragão, aquando do segundo golo portista, disse tudo. Muita frustração pairava nos olhos de JJ.
Para o ano há mais!
O melão ainda é grande e o dinheiro gasto em Rennie é avultado!
Resta a vitória na Taça de Portugal?

Sporting

O Sporting foi o clube que menor rendimento desportivo tirou, na Liga 2012/13, do investimento feito no início da época.
4 treinadores e 2 presidentes!
Os leões, na pior época da sua história, gastaram 1,6 milhões de euros por cada um dos 42 pontos conseguidos, 35 vezes mais do que o Paços de Ferreira, que ‘pagou’ pouco mais de 46 mil euros por ponto (54 no total, que valerem um lugar que dá acesso ao ‘play-off’ da Champions).
O clube leonino (com custos estimados em 68 milhões de euros) conseguiu assim gastar mais do que os outros dois ‘grandes’ e, mesmo assim, ficar fora da Europa.
Cada ponto alcançado pelo Sporting custou mais 500 mil do que o do FC Porto e mais 600 mil do que o do rival Benfica.
Espera-se que um novo capítulo se começe a escrever na história deste grande clube, para bem da competitivade e do espetáculo.

Adaptado de: A Culpa é do Hassan

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