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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vamos às soluções

NORBERTO CANHA
Norberto Canha
Diário As Beiras
22-07-2013

Em síntese: não temos agricultura; destruiu-se a indústria; não temos políticos e sindicalistas à altura das suas responsabilidades; temos uma Constituição ideológica que penaliza quem trabalha e defende e louva quem não quer trabalhar ou agita; temos um ensino que podia ser incomensuravelmente melhor do que é; não apresenta soluções só apela ao apoio às recriminações. Só lamúrias!

Este estado de coisas é porque uns e outros já têm raízes implantadas nos esgotos das cidades, isto é, desconhecem como era a vida nas aldeias, como nos fazíamos homens, como não passávamos fome, como éramos capazes de vencer as dificuldades. Hoje, infantilizou-se a juventude, irresponsabilizaram-se os prevaricadores. Não se elogia ou reconhece quem tudo faz para que nos ergamos; aqueles que têm mérito.

Em síntese, a situação em que nos encontramos narra-se em poucas linhas. Uns avós que são pais e têm quatro filhos e dois netos; trata-se de uma família respeitável e exemplar, cujo patriarca exerceu na nossa urbe um alto cargo, tinha, que já não tem, por cortes sucessivos, uma boa reforma. Tem em casa: um filho casado com dois netos; uma filha está, creio que na Suíça, a lavar e passar roupa; um filho noutro país europeu a exercer profissão equivalente ou pouco melhor do que a irmã; um filho empregado e, receoso que perca o emprego. Cá não há garantia de nada. Os filhos tinham preparação e alguns deles, até superior. Comprou-se casa baseado em rendimento garantido que tinham. E agora? Se foi o Estado que o descapitalizou por cortes na reforma e noutros proventos que lhe criou esta situação. Qual é a sua responsabilidade e a responsabilidade do Estado? O Estado não tem meios! Será um Estado irresponsável? De quem é a responsabilidade final? Fortemente dos políticos porque vão para a política para terem visibilidade ou proveito, mas virgens do conhecimento da nossa real situação e louvando tudo o que é importado sem terem capacidade para discernirem entre o bem e o mal das soluções e ideias importadas. Ouvem-se! Não aceitam uma recomendação de quem mais sabe e que dessa sabedoria já deu prova e tem experiência.

É assim que um secretário geral dum partido, o maior partido da oposição, o partido mais responsável da situação em que nos encontramos ao recusar-se a participar num Governo de convergência democrática ou, como sua Ex.ª o Presidente da Republica designou de Convergência Nacional, demonstrou não ser patriótica, não ter soluções e só tem ambições. Fez um discurso brilhante ao justificar razões porque tomava aquela posição. Foi de facto brilhante, mas duas mãos cheias de ilusões e nem o dedo mindinho a apontar para realizações e soluções.

Se eu fosse Presidente da República exigia a todos os partidos que apresentassem um programa de Governo, para dar governo ao nosso país, dentro dum mês, com realismo, respeitando os nossos compromissos e como fazer para tirar o país da situação presente. Basta de propaganda enganosa! Basta de vendedores de banha de cobra!

Creio que o senhor Presidente da República foi sensato ao fundamentar bem a decisão que tomou.

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