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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Passos voltou a mostrar coragem, falta a inteligência!


A crise de julho voltou a iluminar a principal qualidade de Passos Coelho: parece ser uma pessoa realmente comprometida com o país. E dizer isto não é dizer pouco, sobretudo depois do socratismo. Perante as hesitações de Portas e ante o irrealismo cómico de Seguro, a firmeza realista do primeiro-ministro marcou pontos. O que não espanta: na maioria das vezes, Passos parece ser o único político português a actuar dentro das balizas da realidade. Problema? Também parece ser o único a actuar fora das balizas da inteligência. Ao contrário de muita gente, não acredito num segundo fôlego de Passos. Acredito num segundo fôlego da nossa sociedade, mas não numa segunda vida do primeiro-ministro. Não chega ser corajoso. É preciso um pouco de inteligência para filtrar a bravura.

Mesmo antes de chegar ao poder, Passos revelou sempre coragem através de uma visão realista dos nossos problemas. Este transmontano penteadinho esteve sempre à parte da camarilha que nos tem governado, esse conjunto de virgens com passado de madame que anda pelas TVs a negar a realidade. Mas, para mal dos seus e dos nossos pecados, Passos não tem revelado jeiteira nenhuma na forma como aborda os problemas. A sua falta de tacto já matou à nascença vários debates fundamentais. Foi assim com a sustentabilidade da segurança social . Foi assim com a educação . A outro nível, está a ser assim com a reforma do estado .

A falta de inteligência é visível em dois pontos. Em primeiro lugar, Passos fala demasiado e num registo improvisado. Aqueles discursos têm um ar amador, pouco pensado. As causas dos problemas e as soluções ficam misturadas numa amálgama circular. Em segundo lugar, o primeiro-ministro ainda não percebeu que um político começa sempre pela solução e não pelo problema. Um líder começa por dizer que "vamos passar a ter contas individuais na segurança social para precaver o futuro dos actuais contribuintes" e só depois é que diz "não temos dinheiro para pagar as reformas actuais acima de x". Ora, Passos tem feito precisamente o contrário: diz, e bem, que há um problema na segurança social, mas ainda não apresentou soluções que segurem o futuro dos, vá, sub-50. Desta forma, o governo irrita os actuais reformados mas também irrita aqueles que estão a trabalhar. Um político não é um recolector de problemas. Ou melhor: quando está calado, um político é um recolector de problemas, mas quando começa a falar passa a ser um one-man-show das soluções que foram pensadas durante a fase calada. Mas, lá está, Passos não passa muito tempo calado.

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