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sábado, 2 de julho de 2016

Doze meses de Escola por ano ou chegam onze?

Parece claro que seria desejável que com maior antecedência e também estabilidade fosse conhecido o calendário escolar que facilite a melhor organização das escolas e também das famílias.
A propósito desta questão que envolve o período de férias um dirigente da Confap, José Gonçalves afirmou que seria importante que as escolas permanecessem abertas com actividades lúdicas pois, cito do Público, "As crianças poderiam ficar na escola, que é o espaço em que os pais mais confiam. Além disso, era uma forma de os alunos verem ali não apenas um sítio de trabalho,mas também de lazer e diversão. Os alunos passam a gostar de estar na escola e, quando isso acontece, acabam por beber os conhecimentos que lhes transmitem."
Antes de algumas notas umas pequenas dúvidas, a saber:
As escolas estariam abertas 12 meses por ano ou seriam suficientes 11 meses conforme o presidente da Confap defendia há um ano?
A escola é “o espaço em que os pais mais confiam”, o espaço em que mais delegam competências, o espaço em que mais depositam os filhos, ou o espaço em que se sentem obrigados a deixar os filhos por falta de alternativas?
A generalidade das pessoas adoraria ter um programa de actividades lúdicas no seu local de trabalho durante as férias e ficaria com uma muito melhor relação com essa instituição pois seria um local de trabalho e um excelente parque de diversões?
Mais a sério e retomando notas antigas
O facto deste tempo tão grande de permanência na escola ser algo de pouco comum na generalidade dos países não me parece relevante como argumento embora mereça atenção.
A ideia de no sistema educativo que temos e no modelo de sociedade em que vivemos proporcionar onze meses (pelo menos) de estadia na escola é insustentável.
É verdade, sentimos todos, que os estilos de vida actuais colocam graves problemas às famílias para assegurarem a guarda das crianças em horários não escolares. A resposta tem sido prolongar a estadia dos miúdos nas instituições escolares radicando no que considero um equívoco, o estabelecimento de uma visão de “Escola a tempo inteiro” em vez de “Educação a tempo inteiro”. A Confap insiste neste caminho.
No actual quadro de organização das escolas os alunos podem estar na escola entre as 8h (ou 7:30 em algumas escolas) e as 19h (19:30 em algumas escolas), é obra!
É preciso o maior dos esforços, espaços, equipamentos e recursos humanos qualificados para que se não transforme a escola numa “overdose” asfixiante para muitos miúdos e um clima pouco positivo de trabalho para todos profissionais que nela trabalham.
É verdade que existem boas práticas neste universo mas também conhecemos situações em que se verifica a dificuldade óbvia e esperada de encontrar recursos humanos com experiência e formação em trabalho não curricular com crianças a partir dos seis anos.
Acresce que muitas escolas, fruto da concentração de alunos e do número de alunos por turma, não possuem espaços ou equipamentos que permitam com facilidade o desenvolvimento de actividades fora do figurino mais habitual de actividades de natureza escolar.
Em muitas situações, apesar do empenho dos profissionais (alguns não o são por falta de qualificação adequada), apesar dos alunos estarem “guardados” o benefício imediato é quase nulo e a consequência a prazo poderá ser a desmotivação, no mínimo.
Neste quadro, manter aos alunos onze meses na escola é de um enorme risco.
Creio que a Confap andaria melhor se promovesse, dentro das suas competências, a discussão sobre a organização do trabalho, os horários e políticas de família, para que as famílias, quando fosse possível evidentemente, pudessem ter alternativas de horários laborais que lhes permitissem mais disponibilidade para os filhos.
Seria também de explorar a possibilidade de recorrer a outros serviços e equipamentos das comunidades, desportivos ou culturais, por exemplo, que respondessem às necessidades de crianças e jovens e não mantê-los na escola, a resposta mais fácil mas com inconvenientes que me parecem claros. Aqui sim, parece-me importante o papel das autarquias.
Na mesma lógica da pretensão expressa pela Confap por que não avançar com a proposta de que as escolas estejam abertas, por exemplo, à sexta à noite de modo a permitir vida cultural ou social dos pais?
Sim, é anedótico e demagógico mas trata-se de sublinhar que, por um lado, a escola não pode ser a solução para todos os problemas das famílias, crianças e jovens e, por outro lado, nem sempre os interesses dos pais coincidem com os interesses dos filhos.

Fonte: Atenta Inquietude

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