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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Beber pode aumentar a produtividade!!!!???

Arrepia-me saber que a justiça está entregue a pessoas destas, sem bom senso nenhum, que vivem noutro planeta, com certeza, e que fazem jurisprudência deste calibre!!!

Do O Que é o Jantar?, reproduzo aqui o comentário a uma notícia digna do anedotário nacional!....


“Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”

Podia ser uma noticia de 1º de Abril, uma daquelas brincadeiras que os jornais costumam fazer para enganar a malta, mas não é. A frase acima faz mesmo parte do acórdão que três juizes do tribunal da relação do Porto escreveram. Neste acordão uma empresa de Oliveira de Azeméis é obrigada a reintegrar um trabalhador que após um acidente com um camião de recolha do lixo, foi apanhado com 2.3 gramas de álcool no sangue. Note-se que já é a segunda instância e em ambos os casos se pede a reintegração do trabalhador.

Tudo começou no dia dos namorados do ano passado, numa qualquer curva da estrada, o camião do lixo tumbou para berma, o condutor acusou 1,79 e o acompanhante, que é quem deve ser reintegrado ao trabalho, acusou 2,3 gramas por litro. Acho que não restam dúvidas para ninguém que estavam ambos alcoolizados enquanto trabalhavam.

Os juízes invocam que nas normas da empresa não há nada que diga que não se pode trabalhar alcoolizado e por isso o trabalhador não pode ser despedido. A empresa diz que o trabalhador “Incorreu de forma culposa em gravíssima violação das normas de higiene e segurança no trabalho

Não sou advogado e portanto não vou discutir aqui o espírito da lei, mas há coisas que me fazem confusão. Imaginemos por mero acaso que o senhor alcoolizado como estava, atingia um transeunte ou um carro (ou um dos juízes) com alguma peça de lixo, será que a interpretação da lei seria a mesma?

Percebo que se leve a lei à letra, o que já não entendo é para que foram necessários por partes dos juízes os comentários que até podem ser lidos como incentivo ao consumo de álcool durante o trabalho, era mesmo necessário escrever na sentença:

Vamos convir que o trabalho não é agradável”, observam ainda os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto. “Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”.

É claro que “Não há nenhuma exigência especial que faça com que o trabalho não possa ser realizado com o trabalhador a pensar no que quiser, com ar mais satisfeito ou carrancudo, mais lúcido ou, pelo contrário, um pouco tonto”, mas também duvido que exista alguma lei que aconselhe o trabalhador a enfrascar-se de modo a levar o trabalho com mais alegria... seja o trabalhador um juiz ou de uma empresa da recolha do lixo.

Anda o país a gastar rios de dinheiro em campanhas de sensibilização para diminuir o consumo de álcool e depois lemos coisas destas. Sinceramente não havia necessidade.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Prognósticos: Porto - Benfica


Aconteça o que que acontecer nas últimas duas jornadas do campeonato, o futebol português ficará com uma dívida de gratidão ao Estoril-Praia. O empate na Luz não só nos devolve a emoção que julgávamos perdida para uma fastidiosa procissão de um país de benfiquistas por defeito, como, de uma assentada, abre duas importantes janelas de oportunidade:
  1. O Benfica tem a oportunidade de se reafirmar enquanto um campeão legitilimado pela qualidade do seu futebol. De facto, o futebol do Benfica, é o que melhor se adapta às exigências de uma liga estruturalmente desequilibrada e o que mais prontamente responde à chamada do futebol espectáculo. Seria lamentável que o mérito do futebol implementado por Jorge Jesus ficasse ensombrado pela disseminada sensação de logro que resultou do jogo com o Sporting (neste particular é lamentável que o ponto conseguido pelo Estoril afunde ainda mais o Sporting, clube que na Luz viu amplamente sabotada a sua perseguição à Liga Europa).
  2. O Porto passa a ter a oportunidade de ganhar um campeonato que, na realidade, nunca se permitiu a perder. Sem derrotas, a equipa de Vítor Pereira (que nem sequer foi inferior ao Benfica na Luz) pagou um preço alto tanto pela carestia de extremos com que alimentar o 4-3-3, como pelo síndrome dos penalties falhados. Sábado, em forma de dádiva não esperada, o Porto estará aprumado para o jogo do título (fica a faltar a Capital do Móvel, onde há uns anos o Porto decidiu o campeonato na última jornada com um golo de Adriano). Se é verdade que o brilho do futebol portista foi bastante intermitente ao longo da época (numa equipa construída para jogar Champions, não por acaso os 2 melhores jogos foram contra PSG e Málaga no Dragão), o prémio à tenacidade poderia ser vir a propósito. Para o Porto o Campeonato Nacional tornou-se num título banal, mas eis criadas as condições que o poderão tornar memorável.
Que ganhe o melhor!

Fonte: Arrastão

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