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sábado, 22 de junho de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Playlist: As 10 melhores canções dos Doors
Na semana passada, o rock perdeu o teclista e fundador, Ray Manzarek, recordamos algumas das criações mais emblemáticas do grupo do Rei Lagarto.
"The End" (The Doors, 1967)
Escrita originalmente como despedida de uma antiga namorada, a canção "The End" cedo ganhou proporções épicas e controversas - por causa dos versos em que Jim diz querer por em prática o mito de Édipo, mas também por causa da própria estrutura da canção, influenciada pelas ragas indianas e longa em duração. A utilização do tema por Francis Ford Coppola em Apocalipse Now deu-lhe a moldura definitiva.
"People Are Strange" (Strange Days, 1967)
Reflexo da alienação que Jim Morrison conseguia por vezes sentir, "People Are Strange" era uma canção sobre os outsiders que a década de 60 produziu. Era igualmente um tema onde se sentiam as influências da velha Europa. Em 88, os Echo & The Bunnymen fizeram uma reverente versão que foi incluída no filme The Lost Boys.
"Love Me Two Times" (Strange Days, 1967)
A dose dupla de amor pedida por Jim Morrison sobre um tema que se inspira nos blues refere-se a um hipotético soldado ou marinheiro antes de embarcar para a guerra. Com o Vietname a decorrer nesta época, é fácil perceber a quem se destinava este tema. A rádio na altura achou a canção um pouco marota demais...
"Hello, I Love You" (Waiting For The Sun, 1968)
Este é o tema que motivou as acusações de plágio: as semelhanças com "All Day and All Of The Night" dos Kinks são evidentes, mas Robby Krieger afirmou que a principal inspiração para este tema veio de "Sunshine of Your Love" dos Cream. Seja como for é uma belíssima canção servida por um explosivo arranjo carregado de distorção.
"Love Street" (Waiting For The Sun, 1968)
Jim referia-se à rua em que vivia com a sua namorada, Pamela, como "Love Street". Laurel Canyon era, pelos vistos, local de passagem regular de jovens casais hippies e isso motivou o baptismo alternativo a Rothdell Trail, o verdadeiro nome da rua.
"Shaman's Blues" (The Soft Parade, 1969)
Mais uma exemplar produção de Paul Rothchild que enquadra na perfeição as tendências teatrais da interpretação de Jim Morrison com uma canção com uma propulsão quase jazzy (sobretudo na bateria). É um tema que fala de um xamã que perde a mulher que ama. Nem a magia o salva...
"Roadhouse Blues" (Morrison Hotel, 1970)
Este é um daqueles temas que, literalmente, cria guitarristas. Com um riff propulsor absolutamente fantástico, este é um dos mais altos momentos da carreira da banda de Los Angeles, Califórnia. Tornou-se, claro, um tema obrigatório nos concertos dos Doors e a versão ao vivo é mesmo apontada como uma das melhores interpretações musicais de sempre. O exagero é perfeitamente aceitável neste caso.
"Peace Frog" (Morrison Hotel, 1970)
"Peace Frog" é um dos momentos mais descarados de rendição ao "groove" r&b na discografia dos Doors. É igualmente um tema negro que fala de "sangue nas ruas". Talvez por ser tão sangrenta, esta canção era tocada insistentemente para as tropas deslocadas no Vietname.
"Love Her Madly" (L.A. Woman, 1971)
Para um grupo conotado com a abertura das portas da percepção e sintonizado com um certo misticismo alucinado, os Doors também conseguiam ser extremamente directos, transparentes e ligados à realidade factual: este single do último álbum da banda com Jim Morrison versava sobre a namorada de Robby Krieger e as inúmeras vezes que ela ameaçou bater com a (perdoem esta...) porta.
"Riders On The Storm" (L.A. Woman, 1971)
Talvez o melhor momento da discografia dos Doors, este tema tem uma aura sobrenatural obtida não apenas pelos sons de tempestade, mas também pelo facto de Jim ter sobreposto a sua voz a sussurrar as letras por cima do take de voz principal. E o piano eléctrico de Manzarek é absolutamente perfeito. Esta foi a última canção gravada pelos Doors. Se todas as despedidas fossem assim...
"The End" (The Doors, 1967)
Escrita originalmente como despedida de uma antiga namorada, a canção "The End" cedo ganhou proporções épicas e controversas - por causa dos versos em que Jim diz querer por em prática o mito de Édipo, mas também por causa da própria estrutura da canção, influenciada pelas ragas indianas e longa em duração. A utilização do tema por Francis Ford Coppola em Apocalipse Now deu-lhe a moldura definitiva.
"People Are Strange" (Strange Days, 1967)
Reflexo da alienação que Jim Morrison conseguia por vezes sentir, "People Are Strange" era uma canção sobre os outsiders que a década de 60 produziu. Era igualmente um tema onde se sentiam as influências da velha Europa. Em 88, os Echo & The Bunnymen fizeram uma reverente versão que foi incluída no filme The Lost Boys.
"Love Me Two Times" (Strange Days, 1967)
A dose dupla de amor pedida por Jim Morrison sobre um tema que se inspira nos blues refere-se a um hipotético soldado ou marinheiro antes de embarcar para a guerra. Com o Vietname a decorrer nesta época, é fácil perceber a quem se destinava este tema. A rádio na altura achou a canção um pouco marota demais...
"Hello, I Love You" (Waiting For The Sun, 1968)
Este é o tema que motivou as acusações de plágio: as semelhanças com "All Day and All Of The Night" dos Kinks são evidentes, mas Robby Krieger afirmou que a principal inspiração para este tema veio de "Sunshine of Your Love" dos Cream. Seja como for é uma belíssima canção servida por um explosivo arranjo carregado de distorção.
"Love Street" (Waiting For The Sun, 1968)
Jim referia-se à rua em que vivia com a sua namorada, Pamela, como "Love Street". Laurel Canyon era, pelos vistos, local de passagem regular de jovens casais hippies e isso motivou o baptismo alternativo a Rothdell Trail, o verdadeiro nome da rua.
"Shaman's Blues" (The Soft Parade, 1969)
Mais uma exemplar produção de Paul Rothchild que enquadra na perfeição as tendências teatrais da interpretação de Jim Morrison com uma canção com uma propulsão quase jazzy (sobretudo na bateria). É um tema que fala de um xamã que perde a mulher que ama. Nem a magia o salva...
"Roadhouse Blues" (Morrison Hotel, 1970)
Este é um daqueles temas que, literalmente, cria guitarristas. Com um riff propulsor absolutamente fantástico, este é um dos mais altos momentos da carreira da banda de Los Angeles, Califórnia. Tornou-se, claro, um tema obrigatório nos concertos dos Doors e a versão ao vivo é mesmo apontada como uma das melhores interpretações musicais de sempre. O exagero é perfeitamente aceitável neste caso.
"Peace Frog" (Morrison Hotel, 1970)
"Peace Frog" é um dos momentos mais descarados de rendição ao "groove" r&b na discografia dos Doors. É igualmente um tema negro que fala de "sangue nas ruas". Talvez por ser tão sangrenta, esta canção era tocada insistentemente para as tropas deslocadas no Vietname.
"Love Her Madly" (L.A. Woman, 1971)
Para um grupo conotado com a abertura das portas da percepção e sintonizado com um certo misticismo alucinado, os Doors também conseguiam ser extremamente directos, transparentes e ligados à realidade factual: este single do último álbum da banda com Jim Morrison versava sobre a namorada de Robby Krieger e as inúmeras vezes que ela ameaçou bater com a (perdoem esta...) porta.
"Riders On The Storm" (L.A. Woman, 1971)
Talvez o melhor momento da discografia dos Doors, este tema tem uma aura sobrenatural obtida não apenas pelos sons de tempestade, mas também pelo facto de Jim ter sobreposto a sua voz a sussurrar as letras por cima do take de voz principal. E o piano eléctrico de Manzarek é absolutamente perfeito. Esta foi a última canção gravada pelos Doors. Se todas as despedidas fossem assim...
Fonte: Blitz
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Ray Manzarek e George Moustaki (R.I.P.)
Esta semana tivemos dois desaparecimentos no mundo da música: Ray Manzarek e George Moustaki!
O primeiro, Ray Manzarek, teclista dos Doors é recordado através da imagem do seu tronco curvado sobre as teclas, uma das mãos desenhando linhas de baixo, a outra divagando pelo órgão. Ficará para sempre associado a uma banda, os Doors, e a um tempo, os anos 60. Ray Manzarek foi um dos instrumentistas que melhor os representou e foi, até ao fim da vida, nesta segunda-feira, totalmente um filho das ambições estéticas e dos sonhos de reinvenção e despertar espiritual desse tempo.
Um romantismo perfeitamente ilustrado no início de tudo. Manzarek encontrou Jim Morrison, colega da mesma faculdade de Los Angeles, na praia de Venice. Morrison mostrou-lhes algumas letras que escrevera. "Moonlight drive": "Let's swim to the moon / Let's climb to the tide". Os Doors nasciam ali, naquela tarde.
Ray Manzarek morreu nesta segunda-feira numa clínica em Rosenheim, na Alemanha, onde se encontrava a receber tratamento para um cancro. Tinha 74 anos.
Nascido em Chicago, amante do blues e do jazz, fundaria os Doors com Jim Morrison em 1965. Dois anos depois, com a edição do homónimo álbum de estreia, a banda tornar-se-ia um dos fenómenos da década, atingindo o coração do circuito pop com as letras provocadoras e enigmáticas de Morrison e música que reproduzia na perfeição aquilo que Manzarek definia como uma entrega "dionisiaca" à vida, constantemente no fio da navalha.
Se Morrison era todo ele excesso e descontrolo, Manzarek era o músico metódico que, apoiado pelo guitarrista Robbie Krieger e pelo baterista John Densmore, traduzia em som essa tentação pelo abismo, aproximando a música do precipício, mas impedindo-a de entrar em queda livre.
Até 1971, data da morte de Jim Morrison e da edição de LA Woman, o último álbum do vocalista com os Doors, Ray Manzarek firmou com a banda o seu legado na história da música popular urbana. Álbuns como Strange Days ouMorrison Hotel e canções como Light my fire, The end, When the music's over ou Riders on the storm têm a marca do seu talento que, segundo o próprio, residia mais na liberdade da imaginação que na força do virtuosismo. "Sou basicamente uma espécie de pianista de 'cocktail jazz'. Serei o primeiro a admitir que não sou um teclista muito bom", terá afirmado um dia.
Nascido verdadeiramente para a música com os Doors, nunca se libertaria verdadeiramente da sombra da banda (nem, na verdade, parecia desejá-lo). A carreira a solo foi discreta e os Doors, quer nos livros de memórias, quer nas digressões revivalistas, um porto seguro a que regressou sempre. Isso não o impediu, no entanto, de lançar alguns álbuns a solo, com o grupo Nite City, ou de concretizar algumas colaborações com Iggy Pop, Echo & The Bunnymen, X ou Philip Glass.
Robbie Krieger, que o acompanhou nos últimos anos, declarou em comunicado: "Sinto-me feliz por ter podido tocar as canções dos Doors com ele durante a última década. Ray foi uma grande parte da minha vida e irei sentir a sua falta para sempre".
Com Robby Krieger e o cantor Ian Astbury (The Cult), viria a reformar os Doors em 2002, passando por Portugal três vezes: em dois concertos no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, no Coliseu dos Recreios e no festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia. Manzarek deixa a mulher, os dois irmãos, o filho Pablo e três netos.
O cantor francês de origem grega Georges Moustaki, um dos reconhecidos nomes da "chanson française", morreu hoje aos 79 anos em Nice.
Nascido em Alexandria, no Egito, filho de pais gregos, Giuseppe Mustacchi, aque adotou o nome artístico Georges Moustaki, tinha-se retirado dos palcos em 2009, por causa de uma doença incurável nos brônquios, que o incapacitou de cantar.
O intérprete e compositor, que atuou em Portugal em 2008, teve uma carreira de mais de 50 anos, inicialmente inspirada na figura de George Brassens, marcada por êxitos como a balada "Méteque" e "Milord", interpretada pela cantora francesa Edith Piaf.
Com um reportório com cerca de 300 canções interpretado em várias línguas, como italiano, grego, espanhol e português, também compôs para artistas como Yves Montand, Serge Reggiani, Brigitte Fontaine, Françoise Hardy.
Considerado umas das vozes do Maio de 1968, época em que compôs "Météque", Moustaki afirmou que dessa revolução "resta uma certa arte de viver, um certo código ético que, mesmo que não seja unânime, se impregnou na nossa cultura".
O primeiro, Ray Manzarek, teclista dos Doors é recordado através da imagem do seu tronco curvado sobre as teclas, uma das mãos desenhando linhas de baixo, a outra divagando pelo órgão. Ficará para sempre associado a uma banda, os Doors, e a um tempo, os anos 60. Ray Manzarek foi um dos instrumentistas que melhor os representou e foi, até ao fim da vida, nesta segunda-feira, totalmente um filho das ambições estéticas e dos sonhos de reinvenção e despertar espiritual desse tempo.
Um romantismo perfeitamente ilustrado no início de tudo. Manzarek encontrou Jim Morrison, colega da mesma faculdade de Los Angeles, na praia de Venice. Morrison mostrou-lhes algumas letras que escrevera. "Moonlight drive": "Let's swim to the moon / Let's climb to the tide". Os Doors nasciam ali, naquela tarde.
Ray Manzarek morreu nesta segunda-feira numa clínica em Rosenheim, na Alemanha, onde se encontrava a receber tratamento para um cancro. Tinha 74 anos.
Nascido em Chicago, amante do blues e do jazz, fundaria os Doors com Jim Morrison em 1965. Dois anos depois, com a edição do homónimo álbum de estreia, a banda tornar-se-ia um dos fenómenos da década, atingindo o coração do circuito pop com as letras provocadoras e enigmáticas de Morrison e música que reproduzia na perfeição aquilo que Manzarek definia como uma entrega "dionisiaca" à vida, constantemente no fio da navalha.
Se Morrison era todo ele excesso e descontrolo, Manzarek era o músico metódico que, apoiado pelo guitarrista Robbie Krieger e pelo baterista John Densmore, traduzia em som essa tentação pelo abismo, aproximando a música do precipício, mas impedindo-a de entrar em queda livre.
Até 1971, data da morte de Jim Morrison e da edição de LA Woman, o último álbum do vocalista com os Doors, Ray Manzarek firmou com a banda o seu legado na história da música popular urbana. Álbuns como Strange Days ouMorrison Hotel e canções como Light my fire, The end, When the music's over ou Riders on the storm têm a marca do seu talento que, segundo o próprio, residia mais na liberdade da imaginação que na força do virtuosismo. "Sou basicamente uma espécie de pianista de 'cocktail jazz'. Serei o primeiro a admitir que não sou um teclista muito bom", terá afirmado um dia.
Nascido verdadeiramente para a música com os Doors, nunca se libertaria verdadeiramente da sombra da banda (nem, na verdade, parecia desejá-lo). A carreira a solo foi discreta e os Doors, quer nos livros de memórias, quer nas digressões revivalistas, um porto seguro a que regressou sempre. Isso não o impediu, no entanto, de lançar alguns álbuns a solo, com o grupo Nite City, ou de concretizar algumas colaborações com Iggy Pop, Echo & The Bunnymen, X ou Philip Glass.
Robbie Krieger, que o acompanhou nos últimos anos, declarou em comunicado: "Sinto-me feliz por ter podido tocar as canções dos Doors com ele durante a última década. Ray foi uma grande parte da minha vida e irei sentir a sua falta para sempre".
Com Robby Krieger e o cantor Ian Astbury (The Cult), viria a reformar os Doors em 2002, passando por Portugal três vezes: em dois concertos no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, no Coliseu dos Recreios e no festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia. Manzarek deixa a mulher, os dois irmãos, o filho Pablo e três netos.
O cantor francês de origem grega Georges Moustaki, um dos reconhecidos nomes da "chanson française", morreu hoje aos 79 anos em Nice.
Nascido em Alexandria, no Egito, filho de pais gregos, Giuseppe Mustacchi, aque adotou o nome artístico Georges Moustaki, tinha-se retirado dos palcos em 2009, por causa de uma doença incurável nos brônquios, que o incapacitou de cantar.
O intérprete e compositor, que atuou em Portugal em 2008, teve uma carreira de mais de 50 anos, inicialmente inspirada na figura de George Brassens, marcada por êxitos como a balada "Méteque" e "Milord", interpretada pela cantora francesa Edith Piaf.
Com um reportório com cerca de 300 canções interpretado em várias línguas, como italiano, grego, espanhol e português, também compôs para artistas como Yves Montand, Serge Reggiani, Brigitte Fontaine, Françoise Hardy.
Considerado umas das vozes do Maio de 1968, época em que compôs "Météque", Moustaki afirmou que dessa revolução "resta uma certa arte de viver, um certo código ético que, mesmo que não seja unânime, se impregnou na nossa cultura".
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