quarta-feira, 6 de junho de 2018

A Opinião do Prof-Folio: Viagem ao planeta Hara-Clin! (II)

Permanecemos mais alguns dias no Planeta Hara-Clin!



O planeta tinha passado por uma grave crise que foi criada por um governante que gastou imenso dinheiro em parcerias público-privadas.

Após ter deixado o planeta à beira da bancarrota, foi estudar para outro planeta, levando uma vida de luxo à custa do dinheiro que lhe foi facultado por um amigo (também gostava de ter um amigo assim).

Entretanto o planeta ficou mergulhado numa profunda crise! O Fundo das Moedas Interclin, conjuntamente com a União dos Planetas de Euro-Clin (organização que agrupa vários planetas daquela Galáxia) tiveram que emprestar vários milhares de milhões de Clins (a moeda do planeta), sob o compromisso de, entre outras medidas, efetuar cortes a trabalhadores, pensionistas em geral e congelar a progressão na carreira de toda a função pública (entre os quais os professores).

Naquele planeta, de um modo mais ou menos geral, os professores não são respeitados pela população em geral, pelos pais e encarregados de educação e pelos políticos, mas, apesar disso nunca deixaram de cumprir com zelo e profissionalismo, as suas funções, mesmo tendo sofrido cortes inimagináveis no seu vencimento.

Passados uns anos, foi anunciado ao povo de Hara-Clin que a crise estava controlada e que os direitos dos trabalhadores iriam começar a ser restituídos faseadamente!

Nessa altura, houve eleições em Hara-Clin, que foram ganhas pelo partido que vinha governando o país durante estes anos de combate à crise e de "aperto de cinto". No entanto, os partidos da oposição criaram uma aliança (Gericlin) e derrubaram esse governo que legitimamente havia ganho nas urnas, tendo feito um acordo que lhes permitiu constituir um governo baseado em alianças parlamentares.

Esse governo descongelou a contagem de tempo de serviço da generalidade das carreiras da função pública desse planeta e recusou-se a considerar esse tempo de serviço à classe dos Professores, que totaliza 9 anos 4 meses e 2 dias.

Os professores de Hara-Clin acham que esta situação é injusta comparativamente a outras carreiras onde o tempo de congelamento foi considerado. Apesar de se sentirem injustiçados, estes profissionais da educação, altamente qualificados, nunca deixaram de cumprir a sua função com zelo, nomeadamente na teia burocrática de "papéis inúteis que são obrigados a preencher" nas escolas, situação esta que vem sendo instituída desde há muitos anos por sucessivos governantes da área da Educação.

Naquele planeta, há vinte e três sindicatos de professores (incluindo um que acabou de surgir). Em sede de negociação, os sindicatos e o governo de Hara-Clin assinaram um compromisso de negociação relativamente a esta matéria: recuperação da totalidade do tempo de serviço perdido.

Os professores não exigem que lhes seja restituída qualquer verba daquilo que perderam, apenas pretendem que lhes seja considerado esse tempo, como serviço prestado e que seja relevante para a sua progressão na carreira.

Os governantes ofereceram dois anos e nove meses, nunca ultrapassando essa marca, enquanto que os sindicatos de Hara-Clin reclamaram sempre a recuperação integral do tempo que foi congelado.

Como não chegaram a acordo, os sindicatos convocaram uma greve de professores que não teve grande expressão, pois os governantes continuaram a manter a sua posição irredutível sob o argumento de que não há dinheiro. Na verdade, pelo que se constata, não há dinheiro para umas coisas, mas há para resgate de bancos, que com a crise que assolou aquele planeta estavam em risco de falência.

Após essa greve, que não trouxe qualquer efeito prático em sede de negociações, os sindicatos decidiram convocar uma manifestação onde estiveram cerca de 50 000 professores, o que continuou a ser ineficaz.

Entretanto naquele planeta, um grupo de professores decidiu, com base na Constituição de Hara-Clin, lançar uma ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos), que, ao atingir as 20 000 assinaturas no prazo de 90 dias, obriga o Parlamento a legislar sobre a matéria em questão.

Logo o porta-voz dos sindicatos veio dizer que essa iniciativa era ineficaz, porque a recuperação de tempo de serviço já estava prevista na lei e que essa medida não seria necessária, incitando a que os professores não assinassem essa iniciativa.

Após mais uma ronda de negociações, o governo, através do Ministro da Educação de Hara-Clin veio dizer que uma vez que os professores (através dos sindicatos) não aceitavam o que lhes foi oferecido, nenhum desse tempo seria considerado. Esta informação gerou um onda de revolva no universo dos professores, o que provocou ainda mais divisões dentro da classe.

Entretanto a ILC já vai nas 15 000 assinaturas, faltando apenas cerca de 5 000 para atingir o objetivo pretendido. Apelamos portanto aos professores e respetivos familiares que não deixem de assinar, exercendo deste modo a sua cidadania.

Naquele planeta, numa estação de televisão, aparece regularmente um "comentador" que parece ter ódio à classe dos professores (não percebemos porquê). Não é a primeira vez que faz comentários sobre a classe dos professores sem estar minimamente informado sobre aquilo que comenta, o que é lamentável. Chegou a comparar os professores às operárias de uma fábrica de Aracosul, que nunca foram promovidas desde que a fábrica abriu.

Não senhor "comentador" (as aspas são propositadas), a progressão dos professores não são automáticas e estão desde há alguns anos equiparadas às da função pública em geral. Estude a matéria antes de ir falar em vez de se dedicar a outras atividades!

O que move este senhor? Trauma? Frustração? Demagogia? Mover a opinião pública contra os Professores, profissionais que em tempos ele próprio apelidou de parasitas da sociedade?

Este senhor definitivamente não conhece o sistema de progressão nos escalões onde há quotas e desconhece ou faz por se esquecer que as greves aos exames foram apenas em 2005 e em 2013 e, ainda assim, de uma forma muito limitada e com recurso a serviços mínimos.

No planeta Hara-Clin, alguns professores decidiram juntar-se para, seguindo os seus ideais, tentar proporcionar à classe dos professores uma aspiração já antiga e que nunca foi concretizada devido a fortes oposições políticas: a criação de uma Ordem dos Professores.

No planeta existem diversas ordens profissionais de várias profissões que atravessam diversos setores da sociedade, mas não existe nenhuma Ordem dos Professores. Tendo em conta essa realidade, um grupo de professores, distribuídos por todo o planeta e por todos os ciclos e tipos de ensino e resolveram perseguir esse objetivo grandioso: formar a Ordem dos Professores.

Segundo a legislação em vigor em Hara-Clin, nomeadamente a Lei nº 12/2014, há passos que devem ser dados para a prossecução desse objetivo e o primeiro deles é a criação de uma Associação Profissional que tem como objetivo promover a função social, dignidade e prestígio da profissão de professor/educador, assim como a sua valorização profissional, científica e pedagógica. Tem também como objetivo promover todas as etapas previstas na lei, no sentido da formação da Ordem dos Professores.

A DIPROF (Associação para a Dignificação da profissão de Professor) nasceu no dia 27 de abril, através de escritura pública.

Este grupo de professores criou um grupo numa das redes sociais do Planeta Hara-Clin chamada "Iniciciativa PARA UMA ORDEM DOS PROFESSORES", que nasceu em novembro de 2017 e neste momento tem cerca de 23 000 membros, estando constantemente a crescer.

O grupo continua a trabalhar arduamente e de uma forma voluntária no sentido de dar os próximos passos de uma forma segura no sentido de devolver à classe dos Professores do Planeta Hara-Clin a dignidade e o respeito que todos merecem!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Partilha