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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quem é Mário Nogueira?

Um professor dá aulas e Mário Nogueira não dá aulas há mais de 20 anos. Parece mentira, mas este senhor está num perpétuo horário zero há duas décadas. A sua "carreira" docente conta com 32 anos de serviço, mas, na verdade, o Glorioso Líder da Fenprof só deu aulas nos primeiros 10 anos de vida profissional. Os últimos 22 anos foram dedicados ao sindicalismo profissional. Não, Mário Nogueira não é professor, é sindicalista. O que me leva a uma pergunta óbvia: como é que alguém que não dá aulas há vinte anos pode representar com realismo as pessoas que dão aulas todos os dias?

E esta comédia sindical não se fica por aqui. Por artes burocráticas impenetráveis, Mário Nogueira tem sido avaliado como professor: recebeu o "Bom" correspondente à classificação de 7,9 obtida no agrupamento de escolas da Pedrulha, Coimbra (Correio da Manhã, Dezembro 2011). Mais uma vez, um camião de perguntas bate à porta: se não dá aulas, como é que este indivíduo pode ser avaliado como professor? Como é que se opera este milagre da lógica? Entre outras coisas, parece que conferências e artigos de jornal contam para a avaliação de Mário Nogueira. Fazer propaganda da Fenprof, ora essa, é igual ao confronto diário com turmas de vinte e tal garotos. Justo, justíssimo, justérrimo.

Se não é professor, quem é afinal Mário Nogueira? Na minha modesta opinião de contribuinte assaltado por horários zero e afins, Mário Nogueira é o verdadeiro ministro da educação. A cadeira do ministério vai mudando de dono, mas Mário Nogueira está lá sempre. Os governos sucedem-se, mas a Fenprof está lá sempre. E, com menor ou maior intensidade, as políticas educativas são determinadas pela Fenprof e não pelos governos democraticamente eleitos. A força das eleições nunca chega à tal escola pública, que é auto-gerida há décadas pela Fenprof. Curiosamente, TVs e jornais nunca fazem fogo sobre este sindicato. O poder da educação está ali, mas as redacções só sabem queimar ministros atrás de ministros. Nunca ouvi ou li uma entrevista a Mário Nogueira. Só vi e ouvi tempos de antena.

Quem é Mário Nogueira?

Um dos inimputáveis do regime.

Henrique Raposo in Expresso (18-06-2013)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Os professores vão faltar à chamada?

Em dia de início da greve dos professores, que terá continuidade no dia de arranque dos exames nacionais, 17 de Junho.

Ou seja, os alunos têm de estudar mesmo sabendo que o seu exame poderá não se realizar, sendo que irão ficar na dúvida em relação ao que a guerra entre Ministério da Educação e Sindicatos vai acabar.

Esta guerra provocada pelos sindicatos, com Mário Nogueira à cabeça demonstra bem a falta de civismo e preocupação com que as lutas são encaradas. Não interessa a forma, se terceiros poderão ser prejudicados.......o que importa mesmo é a convicção das ideias e nada mais. Outras formas de luta poderiam ser pensadas e executadas, todas menos faltar aos exames nacionais.

Os alunos não têm culpa das guerrilhas ideológicas entre Sindicatos e governo, o que lhes interessa é o seu futuro, pelo que todos os professores que pensam faltar à chamada deveriam pensar melhor que não estão a fazer nenhum favor aos sindicatos mas a retirar aos alunos a possibilidade de pretender alcançar um futuro melhor.

O futuro dos alunos depende dos exames, já o futuro da classe não depende desta forma de luta. Outros protestos que não prejudique as pessoas deveriam ter sido pensados, além do mais parece que os sindicatos estão a travar uma guerra contra os alunos e não contra o governo.

Infelizmente bom senso é um sentimento que não impera na FENPROF nem no seu querido líder eterno.

Adaptado de: Olhar Direito
 

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