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sábado, 2 de março de 2013

Os melhores álbuns da história do Rock: R.E.M. - Automatic For The People

Uma outra definição para a palavra “inspiração” poderia ser simplesmente "Automatic For The People"!
Este álbum dos R.E.M., foi lançado em 1992.
Com a participação magistral de todos os membros da banda, os R.E.M. construiram um disco fabuloso no seu conteúdo e execução. Uma obra-prima que conta com certo capricho na sua concepção.
Inspirador é a melhor forma de classificar o acto de ouvir coisas sublimes!


A crítica

"Automatic For The People" possui um brilho próprio dentro da rica discografia do grupo.
Uma obra carregada, amarga, emocional, com a banda aprimorando os arranjos sem precisar recorrer a uma grande variedade de instrumentos para isso, e que, com um êxito sem paralelo, ressaltam de forma eloquente a beleza de cada uma das canções.
As melodias que dele fazem parte estão num patamar muito elevado!
Acredito que poucas vezes um grupo chegou tão perto da perfeição como neste álbum.

A abertura com Drive é magnífica e apesar deste superlativo, não é nem de longe o que há de melhor no disco. A guitarra caprichosamente dedilhada e a messiânica voz de Michael Stipe são o cartão de visita que entrega ao ouvinte mais ou menos o que ele vai ouvir ao longo do álbum: uma mistura de sons acústicos, despojamento geral, convivendo em harmonia com um ou outro detalhe mais elaborado e grande habilidade para fazer muito com pouco.

Try Not To Breathe é o primeiro verdadeiro primor do álbum. Através de um minimalismo sossegado e despretencioso, a banda ilumina a alma do ouvinte. A atuação madura e plácida na medida certa de Michael Stipe, apoiado pelos sempre perfeitos backing vocals de Mike Mills, é o grande destaque desta comovente canção.

The Sidewinder Sleeps Tonite está mais alinhado com os R.E.M. tradicionais. Uma canção entusiasmante e levemente viciante, daquelas que te fazem cantarolar baixinho incontáveis vezes.

O apelo de The Sidewinder Sleeps Tonite tem seu equivalente tristonho na faixa seguinte, Everybody Hurts, uma canção emblemática; sonoramente, aproxima-se de uma canção de embalar, quase uma prece dirigida a quem acredita não possuir mais motivos para continuar a viver. Se a lenda de que Kurt Cobain estava a ouvir Automatic for the People no momento em que se preparava para atirar contra sua própria cabeça for verdadeira, essa canção deve ter sido um dos motivos para sua escolha final.

New Orleans Instrumental No.1 é uma simpática canção instrumental, sem estilo muito bem definido, que sempre me passou a sensação de um passeio de carro por uma cidade, altas horas da noite, naquele horário em que as coisas estão silenciosas, onde poucas luzes perduram...

Novo momento de perfeição arrebatadora com Sweetness Follows que abre com um violoncelo arranhado, doído, lamuriante. Microfonias eletrificam a canção da metade para frente, tornando o conjunto ainda mais emocionante. Uma canção fantástica, que te deixa com a impressão de ter sido composta após o autor ter sido atingido por um raio de inspiração divina.

Monty Got A Raw Deal mantém o nível alto, com a banda fazendo ótimo uso de um acordeon e tirando do armário o ukelele usado em Losing My Religion.

A música tem estética em Me In Honey: Base instrumental simplificada, sem grandes variações, martelando na cabeça do ouvinte enquanto Michael Stipe canta sobre ela. Tudo impregnado de uma beleza singela e encantadora.

Já Ignoreland é marcada pela verborragia de Michael Stipe. Existe um crescendo que vai do verso inicial até o refrão, que então marca novo início da brincadeira. Uma faixa engraçada, mais elétrica e agitada, mas que acima de tudo serve para reforçar que o que há de melhor no album.

Star Me Kitten é uma balada interessante, com o clima de música de outra época e vocais sussurrados. Consolida a atuação de Stipe e a criatividade da banda como principias trunfos do álbum.

De seguida temos Man on the Moon, uma das faixas mais aclamadas de Automatic for the People. Trata-se de uma homenagem ao comediante americano Andy Kaufman, e que acabaria sendo utilizada na banda sonora do filme homónimo de Milos Forman, onde Jim Carrey interpreta Andy. Canção de estrutura mais clássica e refrão inesquecível, apesar de não rivalizar com o brilhantismo genuíno de faixas como Try Not To Breathe e Sweetness Follows, acaba sendo uma das melhores do disco em função de seu perfeito equilíbrio entre melodia pop redonda e tributo a um artista morto precocemente.

Após Man on the Moon chegamos ao primoroso final do disco, cujas duas faixas são daquelas onde tentativas de descrição soam a inócuo. Há algo nestas duas canções que vai além das palavras. Nightswimming tem uma linha de piano que exala contemplação e beleza, uma canção que extrapola qualquer rótulo Não deve haver nenhum ser humano que ao ouvir esta música não se emocione. A sua melodia parece-me capaz de levar qualquer um, por mais depressiva e desfavorável que seja a sua situação, para um mundo paralelo de conforto e paz.

E finalmente Find The River! A transcendente melodia, de serenidade apaziguadora e algo rural (sentimento esse agravado pela letra), e o irretocável arranjo acústico desadornado de qualquer ruído que revele alguma relação com aqueles barulhentos anos 90, fazem deste tema a minha música e ponto final!

O album


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Os melhores álbuns da história do Rock: Nirvana - Nevermind

Quando Kurt Corbain se juntou ao “clube dos poetas mortos”, os Nirvana eram provavelmente das maiores bandas do mundo.

Nirvana   Nevermind” (Geffen, 1991)

A história

Em Abril de 1994, lembro-me de ver umas miúdas histéricas gritar: “o Kurt morreu…os Nirvana acabaram”. Confesso que na altura não liguei puto à morte do guitarrista dos Nirvana. Nessa altura estava em plena viagem por outros géneros musicais...

Mas os anos passam e os gostos e as atitudes mudam. Hoje, com a devida distancia e sem as adolescentes, a chorar a morte do ídolo, sou capaz de apreciar e reconhecer quando oiço um grande álbum. Para chegar aos Nirvana tive que tomar “o caminho mais comprido”: fui ás raízes do Punk, ouvi muito Hard Rock e dei uns cheirinhos na música Indie.
Não foi calculado, mas hoje consigo ter uma percepção clara da influência que “Nevermind” teve nos anos 90. Já sem o “fantasma de Corbain” para assustar e todo o “folclore” mediático que rodeia todas as “estrelas” que morrem cedo demais.
Começando por esse “hino geracional” (rasca): “Smells Like Teen Spirit”! A canção que nos anos 90 catapultou os Nirvana para o estrelato mundial e para uma série de problemas que Cobain não foi capaz de lidar.

Aberta “a caixa de Pandora”, “Nevermind” era por si só uma autêntica “Jukebox” para adolescentes deprimidos, cheios de raiva e dispostos a revoltarem-se contra o mundo, através do “Mosh” que a música dos Nirvana provocava. Escute-se “Lithium”; “In Bloon”; “Come As You Are” e veja-se que por detrás de toda a agressividade das guitarras (e da voz) estavam melodias imparáveis de puro “pop” (percebe-se o fascínio que ele tinha pelas canções pop, perfeitas, dos Beatles).
Depois havia o lado mais negro e sossegado das canções de Cobain. Para mim, essa é a faceta mais interessante dos Nirvana. Com “Polly” ou “Something in the Way”, a guitarra acústica tem um textura simples, frágil, quase monocórdica, capaz de agarrar fragmentos delicados que parecem estar prestes a desabar, mas que são salvos no último minuto pelo baixo e a bateria.
Olhando para trás, foi pena que Cobain não sobrevivesse muito mais tempo. O homem tinha o seu “quê” de genialidade e era o maior baluarte que o género Grunge ofereceu ao mundo.

Até ver, o último grande movimento de “Rock” a agitar as massas!

O album

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os melhores álbuns da história do Rock: Pink Floyd - The Wall

Muitos de nós, somos fãs de Pink Floyd, por causa da voz suave de Roger Waters, dos ótimos solos de guitarra de David Gilmour, do estilo "dó-ré-mi" de Nick Mason ou dos lindos acordes de Richard Wright. Admiramos os espetaculares concertos, as letras simbólicas e progressivas, a incrível capacidade de demonstrar sentimentos pela música, e muitas outras qualidades mais!


E, com certeza, o álbum The Wall (e também o filme) é o que mais tem essa capacidade de entrar nos nossos corações. Pode chamar-se alienação, mas, confesso que se eu não pudesse desabafar às vezes ao ouvir aquele solo de guitarra em Comfortably Numb bem alto, já teria encontrado alguma outra forma menos sadia de acabar, ou pelo menos de me aliviar das preocupações!

Alguns podem achar exagero, mas se : se você não entrar na história, não se envolver, o álbum The Wall será sempre um simples CD (ou vinil) duplo da capa branca, com "azulejos" e monstrinhos desenhados e que tem aquela música do "Hey teacher!". Porém, se você assistir o filme, deixar as músicas entrarem em seu coração, e passar a enxergar o muro que envolve a cada um de nós, verá que a obra retrata as nossas próprias vidas, o nosso sofrimento de pessoas inteligentes que se importam e sofrem com o mundo que está aí.

Afinal de contas, The Wall não é simplesmente uma história baseada na vida de Roger Waters, o seu grande criador e compositor, pois, se prestar muita atenção, irá descobrir que essa "autobiografia implícita" é apenas um pretexto para Waters e, por que não, Gilmour, apontarem tudo o que há de absurdo neste mundo louco em que vivemos!

Este texto não tem a pretensão de descrever tudo o que Roger Waters quis expressar com o álbum e com o filme, pois talvez nem ele próprio tenha ideia da dimensão que sua obra tomou e das inúmeras interpretações que podem surgir sobre a obra em si.

A história

Na verdade, tudo começou com "Animals", que era uma espécie de "pré-The Wall", onde Waters, inspiradíssimo no livro de George Orwell "A Revolução dos Bichos" critica o caráter do ser Humano comparando-o a animais, onde tudo acaba como começa: antes os fazendeiros dominavam seus animais, até estes decretarem uma revolução contra seus donos, expulsando-os. Eles abominavam qualquer tipo de atitude semelhante com um ser humano, lembrem-se "quatro patas bom, dois pés ruins". Depois de muito tempo, a ganância e o poder sobem às cabeças de seus líderes(os Porcos) que no final acabam agindo igualmente aos seus ex-donos Humanos e começam a se vestir com roupas e andar como Bípedes e no final se torna "quatro patas bom, duas melhor ainda". Então Waters radicalmente desenvolveu sua crítica criando The Wall.

Uma parte da idéia surgiu num desastroso concerto de 1977 onde Waters cuspiu na cara de um frequentador da plateia que invadira o palco. Isso tornar-se-ia um dos temas do álbum.

The Wall significa "o muro" em português. Este muro é algo abstrato, um sentimento de angústia que prende os nossos corações e nos isola do mundo, dando-nos a impressão de que não existe saída para nossos problemas!

Marcado pelas letras amargas compostas por Waters, o disco tem uma qualidade sonora marcante, com destaque para a perfomance de Gilmour na guitarra. Está repleto de ruídos, gritos, vozes, mensagens ocultas, diálogos e mínimos detalhes.

A gravação do album ficou marcada pelas diferenças que surgiram entre Waters e Wright, causadas pelo início da paranóia de Waters e pelo consumo de cocaina de Wright. Wright acabaria mesmo por deixar o grupo, tocando como músico contratado durante os concertos.

The Wall era o décimo primeiro álbum de estúdio da banda inglesa e foi lançado como álbum duplo em 30 de Novembro de 1979.

O disco foi um enorme sucesso comercial, permanecendo nos tops americanos por 15 semanas e grangeou um disco de platina em março de 1982 por ter vendido um milhão de cópias.

O desastre do concerto de 77 acabou por originar inspiração para a monumental digressão de The Wall que aconteceria nos anos de 80/81. O primeiro concerto foi marcado por um incêndio logo no início quando uma das cortinas acabou por se incendiar devido aos fogos de artifício que eram utilizados.

No ano de 1982, Alan Parker realizou o filme homónimo tendo o ator Bob Geldof no papel principal. Embora o filme tenha ganhado um bom reconhecimento, Waters não ficou muito satisfeito com o resultado final.


The Wall é uma obra de protesto contra o mundo, as suas bases, e as pessoas que o formam!

Quebrar o muro significa mudar o mundo, para que não precisemos mais ficar isolados dele. Mas isso é muito difícil!

O filme


O álbum

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