Mostrar mensagens com a etiqueta Pedagogia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedagogia. Mostrar todas as mensagens
sábado, 12 de maio de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Aprender a aprender ou aprender coisa nenhuma?
O António Duarte, da Escola Portuguesa, faz uma análise que considero deveras realista e com a qual concordo inteiramente. Completarmente, o presente texto remete para um excelente artigo de opinião, da autoria de Nuno Crato, no Observador.
Embora não concorde com tudo o que diz e discorde de quase tudo o que fez enquanto ministro da Educação, respeito em Nuno Crato o intelectual com um pensamento próprio, estruturado e nalguns pontos polémico sobre Educação. Já escrevia e debatia sobre temas educativos muito antes de ser ministro, e deixando de o ser, continua a fazê-lo. O que é de registar e saudar.
E – um ponto a seu favor – não tem medo da polémica nem dos consensos politicamente correctos. António Guterres, na cerimónia recente de atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, enfatizou a importância de um ensino menos formal e da aprendizagem ao longo da vida, valorizando o “aprender a aprender” em detrimento dos conhecimentos que se aprendem nas escolas e nas universidades e que rapidamente se mostram inúteis e ultrapassados. Crato, obviamente, discorda. E pergunta:
Gostaria algum de nós de ser tratado por um médico que, na universidade, tivesse aprendido Literatura Germânica, não tivesse prestado grande atenção à Anatomia nem à Histologia, mas que tivesse sido fantástico a “aprender a aprender”? Gostaria algum de nós de andar num avião mantido por uma equipa de mecânicos que, na sua escola de formação técnica, tivessem estudado Anatomia Patológica, nada sobre motores nem sobre aeronáutica, mas que fossem extraordinários a “aprender a aprender”?
Em boa verdade, o conhecimento conta. E dou razão a Nuno Crato: embora o discurso de Guterres tenha sido de circunstância, redondo e generalista, como aliás é seu timbre, não me parece que tenha sido feliz na formulação que encontrou. Antes de “aprender a aprender” é preciso primeiro aprender alguma coisa que sirva de base a essa “permanente procura do conhecimento” em tempos invocada por outro ilustre autodidacta, Miguel Relvas de seu nome. O raciocínio lógico e abstracto, o pensamento crítico e criativo e outras “capacidades” e “competências” hoje em dia muito gabadas não se desenvolvem a partir do nada: são precisos conhecimentos de base, vocabulário e outras ferramentas cognitivas para as conseguir utilizar e desenvolver.
Quanto à obsolescência do conhecimento escolar: ela ocorre mais facilmente com as aprendizagens “flexíveis” que agora se pretende estimular do que com o conhecimento disciplinar sólido e estruturado do ensino tradicional. Nuno Crato dá o exemplo feliz das coisas que se aprendiam quando se começou a dizer, dos computadores, que seriam o futuro: quem conhece hoje os comandos do MS-DOS, as teclas de atalho do WordPerfect ou a programação BASIC, tudo coisas que faziam furor no final dos anos 80?…
Em contrapartida, dominar uma língua estrangeira ou ter boas bases de Matemática, conhecer e compreender o essencial da História e da Geografia de Portugal, entender no fundamental a teoria da evolução de Darwin ou a relatividade de Einstein, não são conhecimentos inúteis nem ficarão certamente ultrapassados nas próximas décadas. São conteúdos sólidos e concretos que não só enriquecem os jovens que os têm como lhes permitem, esses sim, partir para novas aprendizagens.
E – um ponto a seu favor – não tem medo da polémica nem dos consensos politicamente correctos. António Guterres, na cerimónia recente de atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, enfatizou a importância de um ensino menos formal e da aprendizagem ao longo da vida, valorizando o “aprender a aprender” em detrimento dos conhecimentos que se aprendem nas escolas e nas universidades e que rapidamente se mostram inúteis e ultrapassados. Crato, obviamente, discorda. E pergunta:
Gostaria algum de nós de ser tratado por um médico que, na universidade, tivesse aprendido Literatura Germânica, não tivesse prestado grande atenção à Anatomia nem à Histologia, mas que tivesse sido fantástico a “aprender a aprender”? Gostaria algum de nós de andar num avião mantido por uma equipa de mecânicos que, na sua escola de formação técnica, tivessem estudado Anatomia Patológica, nada sobre motores nem sobre aeronáutica, mas que fossem extraordinários a “aprender a aprender”?
Em boa verdade, o conhecimento conta. E dou razão a Nuno Crato: embora o discurso de Guterres tenha sido de circunstância, redondo e generalista, como aliás é seu timbre, não me parece que tenha sido feliz na formulação que encontrou. Antes de “aprender a aprender” é preciso primeiro aprender alguma coisa que sirva de base a essa “permanente procura do conhecimento” em tempos invocada por outro ilustre autodidacta, Miguel Relvas de seu nome. O raciocínio lógico e abstracto, o pensamento crítico e criativo e outras “capacidades” e “competências” hoje em dia muito gabadas não se desenvolvem a partir do nada: são precisos conhecimentos de base, vocabulário e outras ferramentas cognitivas para as conseguir utilizar e desenvolver.
Quanto à obsolescência do conhecimento escolar: ela ocorre mais facilmente com as aprendizagens “flexíveis” que agora se pretende estimular do que com o conhecimento disciplinar sólido e estruturado do ensino tradicional. Nuno Crato dá o exemplo feliz das coisas que se aprendiam quando se começou a dizer, dos computadores, que seriam o futuro: quem conhece hoje os comandos do MS-DOS, as teclas de atalho do WordPerfect ou a programação BASIC, tudo coisas que faziam furor no final dos anos 80?…
Em contrapartida, dominar uma língua estrangeira ou ter boas bases de Matemática, conhecer e compreender o essencial da História e da Geografia de Portugal, entender no fundamental a teoria da evolução de Darwin ou a relatividade de Einstein, não são conhecimentos inúteis nem ficarão certamente ultrapassados nas próximas décadas. São conteúdos sólidos e concretos que não só enriquecem os jovens que os têm como lhes permitem, esses sim, partir para novas aprendizagens.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Crianças até aos 14 anos não devem fazer TPC's
Os trabalhos de casa são tarefas didáticas que completam a aprendizagem obtida na escola. Mas serão mesmo necessários?
Justin Coulson é um dos mais aclamados oradores, autores e pesquisadores australianos. Dedica-se especialmente à família e aos mais novos e no seu mais recente artigo assinado no Courier Mail revela os motivos pelos quais as crianças até aos 14 anos não devem fazer os trabalhos de casa (TPCs):
Depois dos 14 anos, além dos trabalhos de casa serem menos frequentes, os jovens adotam métodos de estudo próprios conforme as suas necessidades ou objetivos escolares.
- São um fardo para os professores – além de terem que preparar os exercícios para as crianças fazerem em casa, os professores têm ainda que gerir o tempo das aulas para explica-los e, depois, para corrigi-los.
- Geram stress nos mais novos – depois de um dia repleto de aulas, a obrigação de fazer os trabalhos de casa pode causar stress às crianças, principalmente àquelas que não compreenderam a matéria na aula e que não têm apoio em casa para os exercícios. Em 2012, salienta a publicação, foi revelado um estudo que relaciona diretamente os TPCs e o aumento dos níveis de ansiedade, depressão e raiva entre as crianças.
- Reduz o tempo que os pais têm para os filhos – embora esteja com eles a realizar os exercícios, os pais acabam por perder momentos de lazer com as crianças. Os trabalhos de casa acabam por ocupar o pouco tempo livre que as crianças têm antes de ir para a cama.
- Não inspiram nem estimulam a curiosidade – diz o Courier Mail que os trabalhos de casa não melhoram a compreensão das crianças e não estimulam a vontade de aprender ou de procurar novas matérias.
- Podem prejudicar a aprendizagem – quando a matéria não é compreendida nas aulas e não existe apoio pedagógico em casa para a realização dos exercícios, os trabalhos de casa podem ser prejudiciais e dar azo a raciocínios errados. Além disso, algumas crianças podem adotar mecanismos menos corretos (como copiar ou inventar) para completar os exercícios, acabando por ‘desaprender’.
- Devem apostar na leitura – se os trabalhos de casa podem ter consequências adversas na aprendizagem, a leitura não. Diz o especialista que as crianças devem ler, ser estimuladas a fazê-lo e a criar o hábito diário de leitura. Além de dar prazer – pois revela sabedoria –, a leitura estimula o cérebro.
Depois dos 14 anos, além dos trabalhos de casa serem menos frequentes, os jovens adotam métodos de estudo próprios conforme as suas necessidades ou objetivos escolares.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

