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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O lado negro dos videojogos

A Organização Mundial de Saúde reconheceu esta dependência. Psicólogos explicam quando pode ser necessário intervir e ir à causa do problema.


Henrique (nome fictício) jogava todos os dias pelo menos 10 horas. World of Warcraft e League of Legends, jogos online em que o tempo passado em competição é determinante para a pontuação e evolução da personagem, eram uma parte significativa do quotidiano do então estudante de engenharia. Hoje com 26 anos, Henrique não tem problemas em dizer que estava viciado, mas não o considera um problema grave. No seu meio, era algo normal. «Muitos dos meus colegas também jogavam a maior parte do tempo e os colegas de casa tinham uma rotina semelhante», lembra.
Quando percebeu que estava a ter mais notas, Henrique decidiu cortar. Passou a concentrar-se em projetos universitários e, aos poucos, a vida real foi levando a melhor sobre o hábito de jogar. Hoje está emigrado na Alemanha a trabalhar e joga «às vezes», conta. Mas nem todos as relações prolongadas com os videojogos acabam assim. Em dezembro, a Organização Mundial de Saúde classificou o vício de videojogos como um distúrbio psiquiátrico. A bíblia da psiquiatria mundial, o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês), ainda não o reconhece, mas a próxima edição poderá ser diferente.

Uma questão de consciência

Apesar da falta de estudos e números concretos, a dependência de videojogos tem ganho crescente atenção por parte da sociedade. Quem o diz é João Nuno Faria, psicólogo da PIN – Progresso Infantil, para quem a «dependência não está a aumentar, mas cada vez há mais consciência» das famílias. A opinião é partilhada pela psicóloga Sónia Soares Coelho: «A perceção desta perturbação como perniciosa tem vindo a mudar», diz. Com essa mudança, aumentaram os pedidos de ajuda.

O ‘vício’ dos videojogos distingue-se das adições a substâncias químicas, como a cocaína e a heroína, por ser um fenómeno comportamental e não físico. Patrícia Câmara, psicóloga, defende que pode olhar-se para esta dependência como «uma identidade patológica independente» ou como «um sintoma, um mal estar de algo mais abrangente». Para Soares Coelho, as adições «estão quase sempre assentes numa necessidade de preenchimento de vazios», representando a consequência e não a causa original. «Como qualquer outro vício, as pessoas passam a centrar a sua vida – ou pseudo-vida – em torno da dependência», acrescenta Patrícia Câmara.
Para a OMS, o fenómeno pode ser caracterizado por um «fraco controle sobre o jogo, aumentando a prioridade dado ao jogo em relação a outras atividades (...) e continuação ou escalada do jogo apesar das consequências negativas». Da última vez que a Associação Americana de Psiquiatria se pronunciou sobre o tema, na quinta edição do DSM, publicada em 2013, não quis ser taxativa, mas encorajou o aprofundamento do estudo para se apurar se deveria ser incluído como perturbação psiquiátrica num futuro próximo.

Sinais de risco

Perceber onde está a fronteira entre o normal e o patológico pode ser difícil. Pedro Hubert, psicólogo do Instituto de Apoio ao Jogo, explica que «não é apenas a quantidade de horas» que permite o diagnóstico, só se associada a outros critérios.

A experiência clínica leva-o a afirmar que a maioria das pessoas que sofre com este problema são jovens universitários, por ser um período de mudanças, mais liberdade mas também mais exigente. Mas também surgem casos de dependência em pessoas mais velhas, sublinha.

Entre os jovens, são comportamentos que se verificam em situações em que vivem em casa dos pais, têm pouca autonomia, problemas de ansiedade social e de interação com os outros.

Já João Nuno Faria refere que, nos casos que tem seguido, consegue diferenciar dois grupos de indivíduos: os que se encontram na linha do espetro de autismo e os «puros», como lhes chama. Estes últimos são casos mais raros, por a sua consulta se focar sobretudo em questões de desenvolvimento infantil. O psicólogo caracteriza os viciados «puros» em videojogos como pessoas com características próximas das dos toxicodependentes: manipuladoras que omitem o tempo que passam a jogar e que conseguem «viver durante um período significativo de tempo em abstinência, enquanto pensam constantemente em formas de o voltarem a fazer e nas estratégias que podem aplicar no próprio jogo».

Um fenómeno social

Para os jovens que assentem que tiveram um problema com os videojogos, há outras nuances. Henrique partilha que, apesar de sentir que desperdiçava muito tempo a jogar, durante algum tempo não viu problema nisso porque tinha muitos colegas na faculdade que faziam o mesmo. Conseguiu parar sozinho ainda durante o curso.

Já Miguel (nome fictício), também começou a jogar mais durante a faculdade. «Naquela altura acordava entre as 11h e as 14h, ia algumas aulas e o resto do tempo passava a jogar, excetuando certos eventos sociais, não muito comuns», lembra. Foi o trabalho que pôs travão ao vício.

Numa coisa concordam: acreditam que existe um estigma em torno de quem, simplesmente, gosta de passar mais tempo a jogar. Para Henrique, a própria ideia de estar viciado é um pouco subjetiva, discordando da ideia de que quem jogar muito não pode ser produtivo. No seu caso, o que fazia era despachar as tarefas mais depressa para ir jogar.
Miguel rejeita que o jogo compensasse alguma tendência para o isolamento. «Muitas pessoas veem o jogar videojogos como uma coisa antissocial e isoladora, mas não é», diz. Prova disso, acrescenta, é ter feito amigos nos videojogos e muitos amigos da ‘vida real’ usarem as mesmas plataformas. «Não vejo diferença entre os jogos e outros hobbies».
Pedro Hubert, sem comentar estes casos em concreto, reconhece que muitos doentes recusam usar o termo de viciado, contrapondo que são grandes jogadores, com estatuto e bem posicionados nos rankings, contribuindo para um sentimento de pertença à comunidade dos ‘gamers’. «Têm um sentimento de pertença muito forte não só entre os jogadores de equipa mas na irmandade», explica. «Faltar a um jogo por terem de jantar é considerado alta traição à pátria». E este sentimento de pertença não se repete com a família ou na escola.

O tratamento

Para Patrícia Câmara, importa não diabolizar os videojogos, pois podem ter efeitos benéficos em algumas situações. «Permitem a pessoas com maior dificuldade em relacionamentos sociais estabelecerem espaços intermédios enquanto não são capazes de interagir».

Quando a vida do jogador passa a estar centrada no virtual e não da realidade, pode então ser necessária uma intervenção sobre esse comportamento, diz a psicóloga.

Os especialistas convergem na importância do tratamento e em ir à procura das causas que levam à dependência, mas divergem na questão da proibição. «O objetivo, seja no jogo ou no consumo de substâncias, é sempre regular o consumo e nunca a proibição, pois já sabemos que isso não resulta», afirma Hubert. Já Faria defende que, nos tais casos puros, é preciso optar-se pela retirada total, para que se consiga trabalhar as competências psicossociais do indivíduo.
Apesar das diferenças, ambos concordam na necessidade de encontrar atividades alternativas que substituam o jogo. Câmara acrescenta ainda que essa busca deve ser acompanhada pelo profissional de saúde, sob risco de o paciente se tornar também dependente da alternativa encontrada. «Aprender a jogar a vida e os seus desafios é a única forma de largar o vício de um jogo», conclui Câmara.


Fonte: Jornal i

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Para que serve brincar?


Receio que o brincar se associe, invariavelmente, às crianças como se fosse pouco mais do que uma tradição. As crianças sempre brincaram, não é? Logo, porque é que não havia de ser assim?... Como se não bastasse, quando comparado com o trabalho, o brincar parece ser sempre colocado em segundo lugar, como se, para os pais, primeiro devesse estar o trabalho e, só depois, o brincar. E, pior, como se o trabalho fosse útil e o brincar servisse, unicamente, para "arejar" a cabeça. Para distrair, portanto. Como se não fosse possível dar a mesma importância ao brincar e ao trabalho. Como se trabalhar nunca fosse divertido. E como se fosse impossível, mais tarde, as crianças (já adultas, portanto) serem pagas para "brincar", o que só acontece quando uma pessoa desbravou um longo caminho e conseguiu fazer com que o seu trabalho tivesse "a sua cara", representando a síntese de todas as suas áreas de interesse de uma forma simples e singular.

Porque é que eu penso que os pais são tão pouco atentos à função do brincar? Em primeiro lugar, porque talvez tenham brincado de menos e não tenham tido uma infância tão risonha e tão feliz como dão a entender. Por outras palavras: os pais foram muito menos crianças do que desejariam ter sido. Ou tiveram infâncias mais infelizes do que gostavam de ter tido! Depois, porque por melhores pessoas que sejam, foram-se deixando "atropelar" de tal forma por uma vida pessoal, amorosa e laboral, na qual, em muitos momentos, não se reconhecem, e onde brincar parece ser tudo aquilo que menos conseguem fazer. E, ainda, porque se inibem de fazer as escolhas que todos os pais têm de fazer, em função do que entendem sensato para o crescimento dos seus filhos. Um pouco por tudo isso, os pais vão lidando com o brincar como se não fosse tão sério como, de facto, ele é. Como se, afinal, os pais não conseguissem criar um mundo para os filhos diferente daqueles que construíram, hoje, para si próprios. Que concilie o melhor da sua infância e o que ela deve ter de mais saudável para que as crianças cresçam melhor.

Para que serve brincar? Brincar serve para aprender! Serve para conhecer! Serve para experimentar! Serve para pôr problemas e para os resolver. Serve para ligar corpo, cabeça e alma num só gesto. Serve para pôr afeto, movimento e paixão onde só existia razão. Serve para lapidar a agressividade, e aprender a rivalizar, a competir e a suplantar, sendo-se agressivo com lealdade, dentro das regras e "com maneiras". Serve para ir ao encontro do outro - do estranho - e interpelá-lo, ganhando terreno ao desconhecido. Serve para colocar imaginação e fantasia e compreender. Serve para descobrir! Serve para espantar e para aventurar. Serve para conviver com o erro, com o insucesso e com a precipitação, e para robustecer a tolerância à frustração com que se liga paixão e garra com paciência, com humildade, com determinação e com perseverança. Serve para pro-criar e re-criar. Serve para se fazerem sínteses, em tempo real, e interpretar a realidade, agindo sobre ela de forma afoita e empreendedora e, por vezes, cooperativa. Serve para nos ligarmos uns aos outros e para criarmos laços onde, dantes, existiria indiferença ou desconfiança. Brincar serve para aprender a pensar! Serve, com o auxílio da pluralidade de todos os desafios que o brincar nos traz, para construir uma identidade, aberta e singular, que nos faça reconhecer e nos torne reconhecidos. E serve para "costurar" a autonomia. Brincar ensina a liberdade. Constrói-se na igualdade e conquista a fraternidade. Brincar ensina a simplicidade e a honestidade. Brincar serve para ligar a tristeza e o riso e descobrir que sempre que uma criança brinca "o mundo pula e avança". Em resumo, o mundo mudaria sem revoluções se, para tanto, acarinhássemos o brincar.

Por tudo isto, brincar é mais importante para o aprender do que talvez o aprender para o brincar. Daí que eu gostava que ficasse claro que esta clivagem "trabalhos de casa" versus "brincar" é batoteira. Como se os amigos do brincar fossem contra os trabalhos de casa e vice-versa. E isso não é verdade. Só que as crianças já trabalham demais. Comparativamente, trabalham muito mais do que os pais!! Em termos relativos e em termos absolutos. E, num contexto como este, ter trabalhos de casa, em versões XXL, que repetem, repetem, repetem - como se se mecanizar fosse pensar - é absurdo. Não será mais engraçado ir à procura de uma linha reta no caminho da escola para casa? Ou explicar, ao sair-se da escola, porque é que os Pokémon são tão verdade como D. Afonso Henriques, compreendendo para que é que um e outros servem? Não é mais importante descobrir para que é que serve, fora da escola, tudo aquilo que se aprende nela? Os amigos do brincar não são contra os trabalhos de casa! Que fique isso claro. Só que devia ser proibido, a todos nós, levar trabalho para casa. Porque isso ou significa que a nossa família não é importante, o suficiente, quando comparada com ele; ou que o trabalho serve para nos escondermos de tudo aquilo que não somos capazes de dizer. Aliás, o brincar é tão importante para o aprender que enquanto o aprender não se tornar amigo do entusiasmo não é aprender. O brincar é tão importante para o aprender que o primeiro entre todos os trabalhos de casa (ou o primeiro de todos os "deveres", como se diz) devia ser... brincar!

Mas brincar parece ser supérfluo para a escola. O espaço físico do recreio não é amigo do brincar, porque a escola continua a imaginar que brincar é uma atividade de primavera/verão. O tempo de recreio (5 minutos ou 10 minutos são coisa que se admita?) não é amigo do brincar. E castigar uma criança, não a deixando ir ao recreio, quando um professor acha que ela se porta mal, é confundir o recreio com a sobremesa que se está proibido de saborear quando se é "pisco" a comer a sopa (quando o recreio é "proteína" indispensável, tão importante como outro compromisso qualquer). E depois, (desculpem mas, um dia destes, a identidade de género quase parece uma discriminação sexual com que a Natureza nos onerou), não se esqueçam que os rapazes e as raparigas não têm bem um mesmo brincar. E que a escola e os pais parecem querer que todos brinquem da mesma maneira, o que começa a ser uma espécie de discriminação para o brincar dos rapazes.

Brincar é, pois, uma Torre de Babel. A linguagem de todas as linguagens. Anterior à música e à palavra! Crianças que não brincam tornam-se adultos que se acanham, que se encolhem, que se acobardam. Tornam-se pessoas resignadas. Pessoas que acham a ironia uma atrapalhação. Que não arriscam e que não lutam por um sonho. Tornam-se pessoas que confundem sobreviver com conviver. Adultos que falam mais para dentro do que para fora. Que confundem o sisudo com o sério. Que são insatisfeitos e arrependidos em vez de serem pessoas desassossegadas, com fé, mas em paz. Crianças que não brincam tornam-se, finalmente, adultos vaidosos, que sendo melhores do que calculam, valem muito aquém daquilo que supõem.

Ora, brincar é tão precioso e é tão indispensável que funciona como "A vitamina" do crescimento! É, pelo menos, tão importante como a escola! Mas brincar serve, também, para criarmos nas crianças uma alternativa saudável a um mundo de tecnocratas "sem mundo" e sem "escola de vida" que parecem querer fazer das crianças "produtos normalizados". Brincar é, pois, o exercício do direito à indignação e à insubmissão. E é, de entre tudo o que há de mais imaterial, o mais sublime património da Humanidade.

Então, este empenhamento exagerado em criar adultos brilhantes é improdutivo. Não são, regra geral, as crianças que tiram sempre melhores notas na escola que se transformam em adultos brilhantes! Treinar crianças para serem adultos brilhantes é submetê-las a uma "ideologia" onde a vaidade, no imediato, parece dominar sobre todas as coisas. E seria bom que os pais não perdessem de vista quem foram os adultos que se distinguiram entre os colegas da sua escola: aqueles que tiravam apenas boas notas nos testes ou aqueles que, por ensaio e erro, foram definindo um percurso singular, "com assinatura", por mais que oscilassem, por vezes, no seu rendimento escolar?

Os pais não podem nunca deixar a verdadeira "entidade reguladora" da vida dos filhos. Que tem de ser amiga do brincar! Ou seja, é bom que os pais entendam que a escola tem caminhado para uma espécie de "linha de montagem" de jovens tecnocratas de fraldas para que, depois, passem a ser jovens tecnocratas de mochila. E, de preferência, que se tornem "ídolos" antes dos 30 anos. Um crescimento assim é mentiroso. Porque, sejam quais forem os métodos com que cresça, não consta que quem, em aparência, cresça primeiro acabe crescendo melhor.

A mim, parece-me que os pais vão cedendo demasiado diante desta ideia de educação que representa uma tendência um bocadinho "selvagem" de capitalismo estendida à escola! Uma ideia que, ao mesmo tempo, parece querer coletivizar o crescimento das crianças. Que é populista e individualista. Vaidosa, amiga das desigualdades sociais e que - quando confunde a hostilidade com que se falam "verdades" com a delicadeza com que se é honesto, transparente e verdadeiro; ou quando acarinha "primeiro o eu" enquanto despreza a consideração e a estima - é amiga da mais acabada má-educação. Diante dela, os pais têm o dever da insubordinação. Definindo escolhas, claro. Mas percebendo que se a escola representa a verdadeira revolução tranquila do século XXI, está nas mãos deles não permitir que as crianças trabalhem com parcimónia e com maneiras. É da sua responsabilidade reconhecerem que as crianças precisam de brincar, pelo menos, duas horas, todos os dias. E que os tempos de família - a conversa sem agenda, o jantar sem televisão e sem telemóveis, o direito ao mimo e ao colo, e a forma como se trocam histórias e, com elas, pais e filhos se conhecem melhor, todos os dias - são insubstituíveis. Amar - é bom que isso nunca se perca de vista - é de tudo o que há de mais precioso e mais difícil. Aquilo que exige mais tempo e gestos mais claros e delicados. Enquanto mais escola e mais trabalho representar menos família e menos brincar, os pais estão a distanciar-se do amor, estão a distanciar-se dos filhos e, com isso, a distanciá-los do futuro. Porque, afinal, uma criança que brinca tem "a vista na ponta dos dedos". Tem "língua de perguntador". É aventureira e é sensata. Não se cansa de perguntar: "porquê?". E não precisa de ser "A melhor do mundo" porque lhe basta ser "a melhor do mundo para alguém". Assim ela brinque primeiro e trabalhe depois!

Eduardo Sá in Leya Educação

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Educar não é moldar uma mente!

Como professores, pais, a nossa função vai muito além de transmitir certos conteúdos. Abrange o desafio de aceitar o outro (criança ou adolescente) como um ser individual e único que absorverá dentro de si mesmo, à sua maneira, o conteúdo que lhe foi transmitido.


Esta animação: “Cloudy Lesson”, “Como fazer nuvens”, mostra-nos, de modo lúdico e belo, o quanto as possibilidades e a realidade pode ser adequada, criativa e inteligente, quando se percebe que até mesmo para “fazer nuvens” poderemos fazê-lo de diversas formas.


Adaptado de Revista Pazes 


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pai, não conheço ninguém na escola nova! Tenho saudades dos meus amigos!

Quando uma criança experiencia mudanças na sua vida, desde uma mudança de casa a uma mudança de escola, e mesmo quando essas mudanças são muito desejadas, tal implica sair de uma zona de conforto e o afastamento da rede de suporte que seria o núcleo de amigos. Por esse motivo, as preocupações e os receios são naturais: “Quero voltar para a escola antiga. Tenho saudades dos meus amigos”. “Como vou fazer novos amigos? Com quem vou brincar se não conheço ninguém?”

Não desvalorize os receios do seu filho. O desafio pode ser mesmo grande, uma vez que ainda não tem as suas competências sociais e emocionais totalmente desenvolvidas. É importante que o ajude a gerir o novo desafio com sucesso e prevenir que passe por outras experiências difíceis, como isolar-se, ser excluído das brincadeiras, ser ridicularizado pelos pares, ou começar a ter vergonha e receio de realizar atividades na sala de aula nas quais sinta que está a ser observado e avaliado pelos colegas.

Muito importante:
  • Mostre-se disponível para ouvir o seu filho sem o julgar.
  • Explique ao seu filho que todos nós, perante mudanças, podemos sentir receio do novo contexto, alguma vergonha em relação a pessoas desconhecidas e questionar se seremos capazes de enfrentar as novas exigências.

Converse com o seu filho sobre alguns truques que o poderão ajudar a fazer novas amizades:
  • sorrir para os novos colegas e professores;
  • evitar ser o último a sair da sala;
  • observar os colegas que têm interesses e brincadeiras semelhantes, para que posteriormente se sinta mais confiante para se aproximar deles;
  • não ficar sozinho enquanto os outros brincam em grupo, aproximando-se dos colegas, mesmo que não tenha havido um convite formal para brincar;
  • não dar ouvidos a pensamentos negativos, como “não sou bom naquele jogo” ou “de certeza que eles não vão querer brincar comigo“;
  • respirar fundo, contar até 10 e pensar em algo positivo, quando se sentir mais ansioso.

Se o seu filho lhe tem dito: “Não conheço ninguém na escola nova. Tenho saudades dos meus amigos.”, então este livro é para vocês:


Inês Afonso Marques in ComRegras

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crianças até aos 14 anos não devem fazer TPC's

Os trabalhos de casa são tarefas didáticas que completam a aprendizagem obtida na escola. Mas serão mesmo necessários?


Justin Coulson é um dos mais aclamados oradores, autores e pesquisadores australianos. Dedica-se especialmente à família e aos mais novos e no seu mais recente artigo assinado no Courier Mail revela os motivos pelos quais as crianças até aos 14 anos não devem fazer os trabalhos de casa (TPCs):

  • São um fardo para os professores – além de terem que preparar os exercícios para as crianças fazerem em casa, os professores têm ainda que gerir o tempo das aulas para explica-los e, depois, para corrigi-los.

  • Geram stress nos mais novos – depois de um dia repleto de aulas, a obrigação de fazer os trabalhos de casa pode causar stress às crianças, principalmente àquelas que não compreenderam a matéria na aula e que não têm apoio em casa para os exercícios. Em 2012, salienta a publicação, foi revelado um estudo que relaciona diretamente os TPCs e o aumento dos níveis de ansiedade, depressão e raiva entre as crianças.

  • Reduz o tempo que os pais têm para os filhos – embora esteja com eles a realizar os exercícios, os pais acabam por perder momentos de lazer com as crianças. Os trabalhos de casa acabam por ocupar o pouco tempo livre que as crianças têm antes de ir para a cama.

  • Não inspiram nem estimulam a curiosidade – diz o Courier Mail que os trabalhos de casa não melhoram a compreensão das crianças e não estimulam a vontade de aprender ou de procurar novas matérias.

  • Podem prejudicar a aprendizagem – quando a matéria não é compreendida nas aulas e não existe apoio pedagógico em casa para a realização dos exercícios, os trabalhos de casa podem ser prejudiciais e dar azo a raciocínios errados. Além disso, algumas crianças podem adotar mecanismos menos corretos (como copiar ou inventar) para completar os exercícios, acabando por ‘desaprender’.

  • Devem apostar na leitura – se os trabalhos de casa podem ter consequências adversas na aprendizagem, a leitura não. Diz o especialista que as crianças devem ler, ser estimuladas a fazê-lo e a criar o hábito diário de leitura. Além de dar prazer – pois revela sabedoria –, a leitura estimula o cérebro.

Depois dos 14 anos, além dos trabalhos de casa serem menos frequentes, os jovens adotam métodos de estudo próprios conforme as suas necessidades ou objetivos escolares.


terça-feira, 12 de março de 2013

Reconheça uma mentira


De acordo com o especialista em segurança electrónica, poucas pessoas estão preparadas para identificar um mentiroso no dia-a-dia. É preciso treinamento e prática para melhorar a capacidade de "ler" os sinais da mentira. O profissional ensina que para reconhecer uma dissimulação da verdade é preciso entender o comportamento padrão da pessoa, prestar atenção no que ela diz, nos pequenos movimentos do rosto (micro expressões faciais), no corpo e nas variações do tom da voz.

"O nosso cérebro não aceita a negação. Quando a pessoa mente, está negando a verdade, e alguma parte da sua expressão facial ou do corpo vai denunciá-la. Aspectos como frequência do piscar de olhos, uso das sobrancelhas para dar ênfase a alguma parte da conversa, posição das mãos e das pernas, rigidez do ombro, e aspecto da testa e da boca são alguns exemplos de atitudes que podem denunciar a mentira", ensina o especialista.

Para o(a) ajudar a identificar um mentiroso, Wanderson Castilho fez uma lista com 8 indício de simples observação. Confira:

1. Lábios: morder ou lamber os lábios pode ser um forte indício de mentira.

2. Voz: quem mente fica com as cordas vocais mais esticadas que o normal, deixando a voz mais fina e fraca. Para compensar, a pessoa tenta falar mais alto.

3. Olhar: o mentiroso desvia o olhar enquanto conta a sua mentira e depois passa a olhar atentamente, para observar se conseguiu enganar.

4. Secura: em função de uma reacção da adrenalina, o mentiroso fica com a garganta e boca secas, sendo comum se engasgar ou engolir seco.

5. Encobrir parcialmente a boca: traduz uma vontade de amordaçar-se. Tende a ser um gesto rápido, porque exprime um conflito: uma parte do mentiroso não quer calar-se - e sim continuar com a sua mentira.

6. Tocar o nariz: em momentos de tensão a sensibilidade da mucosa nasal aumenta. Assim, ao mentir, coça o nariz, embora possa ser uma sensação tão suave que mal se perceba.

7. Ombro: erguer levemente um dos ombros.

8. Expressão facial falseada: quando somos genuínos, usamos os músculos faciais certos para expressar uma emoção. Num sorriso moderado e falso, não aparecem os pés de galinha, as bochechas não são levantadas e os olhos ficam menos apertados. Num sorriso real, mais músculos são utilizados e a pálpebra superior dobra-se um pouco sobre os olhos.

Se ainda assim não conseguiu identificar uma mentira, experimente fazer o contrário: estimule o interlocutor a falar a verdade. A dica é estabelecer proximidade na conversa. Segundo Wanderson, quanto mais próximo você estiver fisicamente, mais dificuldade a pessoa terá de mentir.

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