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segunda-feira, 12 de março de 2018

Presunção, estupidez e cegueira

O Luís Costa do Quadro Negro, publicou um texto que reflete com clarividência o estado em que está transformado o quotidiano dos professores.

Operários - Tarsila do Amaral

Frequentemente, deixamo-nos enredar na infindável parafernália de minudências em que os nossos afazeres, os nossos dias e a nossa vida, pessoal ou profissional, se transforma. De vez em quando, precisamos de um certo distanciamento, de um olhar simplificador que nos permita ver apenas o essencial, para não perdermos definitivamente a nossa Estrela Polar. É o que, modestamente, proponho fazer no parágrafo seguinte.

Os nossos políticos da Educação — por norma, gente paraquedista, alheia ao quotidiano escolar — nos últimos anos (há mais de uma década) “reformaram” tanto e tantas vezes, que transformaram o ensino num “espaço” inóspito para os professores. Dos que conheço pessoalmente e daqueles cuja opinião e cujo sentir, em todo o território nacional, vou auscultando diariamente, são muito raros os que gostam daquilo em que a Escola se transformou e continua a transformar; são muito raros aqueles que não estão saturados desta coisa desregulada e amorfa em que o quotidiano pedagógico se transformou e continua a transformar; são muito poucos — em todas as faixas etárias — os que não desejam realmente, intrinsecamente, abandonar a profissão ou antecipar a reforma.

É este o paupérrimo e revelador “estado da arte” no presente em que vivemos. É esta a inevitável consequência de tudo quanto os nossos omniscientes e omnipotentes políticos têm imposto aos professores. Mas mais revelador ainda — triste, preocupante e assustadoramente revelador — é vermos os políticos porfiarem na sua presunçosa e inexorável caminhada iluminista, achando que quem tem de mudar são os professores.

Qualquer criança, do primeiro ciclo, saberia dar a resposta certa.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Aprender a aprender ou aprender coisa nenhuma?

O António Duarte, da Escola Portuguesa, faz uma análise que considero deveras realista e com a qual concordo inteiramente. Completarmente, o presente texto remete para um excelente artigo de opinião, da autoria de Nuno Crato, no Observador.


Embora não concorde com tudo o que diz e discorde de quase tudo o que fez enquanto ministro da Educação, respeito em Nuno Crato o intelectual com um pensamento próprio, estruturado e nalguns pontos polémico sobre Educação. Já escrevia e debatia sobre temas educativos muito antes de ser ministro, e deixando de o ser, continua a fazê-lo. O que é de registar e saudar.

E – um ponto a seu favor – não tem medo da polémica nem dos consensos politicamente correctos. António Guterres, na cerimónia recente de atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, enfatizou a importância de um ensino menos formal e da aprendizagem ao longo da vida, valorizando o “aprender a aprender” em detrimento dos conhecimentos que se aprendem nas escolas e nas universidades e que rapidamente se mostram inúteis e ultrapassados. Crato, obviamente, discorda. E pergunta:

Gostaria algum de nós de ser tratado por um médico que, na universidade, tivesse aprendido Literatura Germânica, não tivesse prestado grande atenção à Anatomia nem à Histologia, mas que tivesse sido fantástico a “aprender a aprender”? Gostaria algum de nós de andar num avião mantido por uma equipa de mecânicos que, na sua escola de formação técnica, tivessem estudado Anatomia Patológica, nada sobre motores nem sobre aeronáutica, mas que fossem extraordinários a “aprender a aprender”?

Em boa verdade, o conhecimento conta. E dou razão a Nuno Crato: embora o discurso de Guterres tenha sido de circunstância, redondo e generalista, como aliás é seu timbre, não me parece que tenha sido feliz na formulação que encontrou. Antes de “aprender a aprender” é preciso primeiro aprender alguma coisa que sirva de base a essa “permanente procura do conhecimento” em tempos invocada por outro ilustre autodidacta, Miguel Relvas de seu nome. O raciocínio lógico e abstracto, o pensamento crítico e criativo e outras “capacidades” e “competências” hoje em dia muito gabadas não se desenvolvem a partir do nada: são precisos conhecimentos de base, vocabulário e outras ferramentas cognitivas para as conseguir utilizar e desenvolver.

Quanto à obsolescência do conhecimento escolar: ela ocorre mais facilmente com as aprendizagens “flexíveis” que agora se pretende estimular do que com o conhecimento disciplinar sólido e estruturado do ensino tradicional. Nuno Crato dá o exemplo feliz das coisas que se aprendiam quando se começou a dizer, dos computadores, que seriam o futuro: quem conhece hoje os comandos do MS-DOS, as teclas de atalho do WordPerfect ou a programação BASIC, tudo coisas que faziam furor no final dos anos 80?…

Em contrapartida, dominar uma língua estrangeira ou ter boas bases de Matemática, conhecer e compreender o essencial da História e da Geografia de Portugal, entender no fundamental a teoria da evolução de Darwin ou a relatividade de Einstein, não são conhecimentos inúteis nem ficarão certamente ultrapassados nas próximas décadas. São conteúdos sólidos e concretos que não só enriquecem os jovens que os têm como lhes permitem, esses sim, partir para novas aprendizagens.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cheque ensino - um sucesso em vários países

Um dos temas quentes no domínio da educação, é a questão do cheque ensino!
Falaremos mais sobre este sistema, sobre as vantagens e desvantagens do mesmo.
Por agora detemo-nos pela não originalidade do sistema:

Contrariando a ideia que o cheque ensino é uma originalidade Portuguesa podem ler aqui : Suécia, Estados Unidos, Chile, Colômbia..." 
A Suécia foi um dos países que adoptaram esse modelo com grande sucesso. Na América Latina, a Colômbia implantou um programa bem-sucedido, chamado Programa de Ampliación de Cobertura de la Educación Secundaria (PACES), em 1991. Os resultados mostram que os beneficiados carentes tiveram notas significativamente maiores que os não-beneficiados em exames padronizados. O Chile foi outro país latino-americano que já no início da década de 1980 adoptou o modelo de vouchers. 
Nos Estados Unidos, a experiência com vouchers tem sido crescente também. Segundo o relatório da Reason Foundation sobre o setor, havia, em 2011, 15 estados oferecendo o esquema de vales escolares. Um dos representantes do House Education Committeeexplicou que a mudança era um divisor de águas, pois agora o governo não financiava mais escolas, e sim os próprios estudantes.

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