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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Acabem com as Swaps que já mete nojo...!


Paremos e meditemos seriamente sobre este mal cheiroso caso das Swaps.

Começa a ser caricata a discussão permanente e diária sobre se a ministra Maria Luís Albuquerque mentiu, se o secretário e o ex-secretário mentiram, se mentiu o ex-ministro, etc e tal, estando por assim dizer, a tornar-se numa palhaçada para encher jornais e noticias televisivas.

Mas então, haverá alguém de bom senso, que duvide da falta de seriedade de todos os políticos?

Político é igual a MENTIRA!



Encontrem-me um único, por favor, que nunca na politica não tenha mentido!

Seria mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que encontrar um político que nunca tenha mentido.

Por isso mesmo, é que na minha opinião, esta encenação sobre quem mentiu começa a cheirar mal. Julgo que se está a criar artificialmente uma cortina de fumo, para evitar ir ao cerne da questão.

O cerne da questão será, entendo eu, saber-se e publicar os nomes de quais foram os políticos, os ministros, resumindo, os envolvidos que jogaram na "roleta", com o dinheiro de todos nós. Isso é que será importante, para os responsabilizar criminalmente por abuso de confiança.

Agora se esta, ou este mentiram, não passa de treta, premeditada para não se chegar ao fundo da questão e tornar publico os nomes dos mandantes de mais esta delapidação. Isso sim, é que é importante, para que se venha a fazer justiça.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quem é quem nas PPP



Veja aqui quem é quem nas PPP.

Recorde aqui o percurso dos governantes das PPP

FERREIRA DO AMARAL, 67 anos - Assinou uma das primeiras PPP, em 1995, e deixou o Governo nesse mesmo ano, assumindo o cargo de deputado. Manteve-se na política ativa até 2001. Antes de ingressar na Lusoponte, em 2005, passou pela Cimianto, pela Semapa, pela Inapa, pela Engil e pela Galp Energia

ANTÓNIO MEXIA, 55 anos - Ministro das Obras Públicas durante oito meses, entre 2004 e 2005, sempre se moveu no mundo das empresas públicas. Antes de 2004, esteve na Galp Energia, no ICEP, no BES Investimentos, na Gás de Portugal e na Transgás. Em 2006, passou a presidir à EDP

VALENTE DE OLIVEIRA, 75 anos - Foi várias vezes ministro entre 1979 e 2002. Foi, também, professor catedrático, passou pela AEP, pela Parque Expo, pela Comissão de Coordenação da Região do Norte e tornou-se coordenador europeu das Auto-Estradas do Mar

JOÃO CRAVINHO, 76 anos - Depois de ser ministro do Equipamento de Guterres, foi deputado e propôs um pacote anticorrupção, na AR. Em 2007, o Governo designou-o para administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres

JORGE COELHO, 58 anos - Abandonou o Governo de António Guterres após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001. Depois disso, manteve-se como deputado até sair, em 2006, para a empresa de consultoria que fundou, a Congetmark. Deixou de ser conselheiro de Estado pouco antes de se tornar presidente da Mota-Engil, em 2009

FERRO RODRIGUES, 62 anos - Substituiu Jorge Coelho no Governo, em 2001, e sucedeu a Guterres na liderança do PS, entre 2002 e 2004. Foi nomeado embaixador português junto da OCDE, em 2005, cargo que deixou para regressar ao Parlamento, em 2011, onde é deputado e vice-presidente

MÁRIO LINO, 72 anos - Deixou o Governo de José Sócrates em 2009. É, desde maio de 2010, presidente do Conselho Fiscal das companhias de seguros do grupo Caixa Geral de Depósitos

ANTÓNIO MENDONÇA, 58 anos - Saiu do Governo, em 2011, na sequência da queda de José Sócrates. É professor catedrático de Economia no ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão e preside a um centro de estudos na mesma faculdade

PAULO CAMPOS, 47 anos - Até 2005, altura em que se tornou secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Comunicações nos dois Governos de José Sócrates, foi administrador de várias empresas do grupo Águas de Portugal. É deputado.

Fonte: Banda Larga

segunda-feira, 4 de março de 2013

Corruptocracia ou Cleptocracia?


Portugal, lugar das nossas desilusões, frustrações, sonhos atirados para um canto, beco sem saída dos nossos projectos - pessoais, familiares, profissionais -, caixote do lixo do nosso futuro, é um território a que apenas resta o clima aprazível que a maior parte do ano se faz sentir. Governado por redes de corruptos e ladrões, feita de interesses, negociatas, arranjinhos, e que se digladiam por um posto no poleiro a que se agarram com unhas e dentes, com a força feroz de um animal que luta por uma presa. A presa são a maioria dos Portugueses, muitos deles inconscientes do seu estado de presa, outros dóceis vítimas que respeitam os carrascos (Sartre dixit), outros ainda fiéis defensores dos seus captores (reféns que defendem os seus sequestradores, esperando obter a sua benevolência - Nils Bejerot dixit). Outros que restam, fazendo claque por um ou outro ladrão que sobe ao púlpito, fazem ou querem fazer parte da rede, de uma qualquer rede daquelas que sem apelo nem agravo pesca os Portugueses, e deles se alimenta.

Existem as redes denominadas partidos políticos - mais correcto seria chamar-lhes agências de emprego, ou agências de colocação - mas não seria o termo certo, pois em Portugal as agências de emprego são meras fachadas de redes que exploram o trabalho e os trabalhadores, como intermediários que compram e vendem uma mercadoria. Ou dito de outra forma: os partidos políticos são as verdadeiras agências de emprego, as agências de emprego são outra coisa qualquer. Existem também as redes dos grandes grupos económicos e financeiros, os verdadeiros tubarões da pirâmide, que com os seus tentáculos não se contentam com caçar a arraia miúda. Eles são pescadores dos partidos políticos, que manobram, transformando-os em marionetas - ou mesmo fantoches - que agem conforme os seus interesses.

Estes dois tipos de redes existem a todos os níveis - e de todas as dimensões. Desde o compadrio na Junta de Freguesia, até ao perfilhamento na Assembleia da República. Come-se, muito ou pouco, conforme a rede a que se pertence. Quem não come, mais cedo ou mais tarde, é comido. E os pequenos comedores acabam comidos pelos grandes comedores. Fora desta cadeia alimentar, aqueles que conseguem fugir (por não serem presa apetecível) ou são regurgitados (por não serem presa comestível), tentam sobreviver - sabe-se lá com que sacrifícios e com que dificuldades - longe da Pátria madrasta.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Políticos fracos para um Estado fraco

Todos os debates, incluindo o da nomeação de Franquelim Alves ou o caso de Rajoy, parecem começar e acabar nacrescente corrupção da classe política. E começando e acabando aí, a conclusão só pode ser uma: sendo os políticos corruptos, o solução é retirar poder ao Estado. Porque, Estado e classe política se confundem, e é até natural que se confundam, na cabeça das pessoas.

É uma visão redutora que não se pergunta, primeiro, se é verdade que a classe política é hoje mais corrupta do que era e, segundo, se há uma relação entre a degradação da sua qualidade dos políticos e a perda de poder dos Estado nacionais.

Os políticos não são hoje mais desonestos do que eram no passado. Nem os políticos, nem os empresários, nem os cidadãos em geral. Parece-me até, para quem se lembra dos anos 70 e 80, que há, na sociedade portuguesa, menos corrupção do que antes. Basta recordar o que era a relação com os serviços do Estado e como a pequena corrupção estava generalizada para o concluir. E se a pequena corrupção diminui não há qualquer razão para pensar que a grande corrupção tenha aumentado. Os media e os cidadãos é que têm mais instrumentos de vigilância do que tinham. Há mais acesso a informação e a corrupção é, por isso, mais visível.

Esse passado bonito, em que a elite empresarial era muito séria e o poder político era ocupado por uma esmagadora maioria de gente impoluta e apenas ao serviço da comunidade, nunca existiu. Nessa matéria, com o crescente pluralismo da informação, com o nascimento da Internet e das redes sociais e até com algumas melhorias técnicas na Justiça e na investigação criminal, é provável que a situação seja hoje melhor do que era.

Mas podemos, apesar disto, assentar numa coisa: que os políticos têm menos capacidade de liderança, são menos populares, têm menos carisma e, em geral, têm menos qualidade. E isso torna o tráfico de interesses e a corrupção ainda mais insuportáveis para os cidadãos. Esta perda geral de qualidade da classe política resulta, a meu ver, da redução das funções do Estado, da globalização e da atomização da sociedade.

O Estado sempre teve, em grande parte, ao serviço de interesses. Mesmo em democracia, nunca houve um tempo em que os cidadãos com menos poder social e económico determinaram tanto as decisões políticas como os mais poderosos. Mas o Estado tinha mais poder do que tem hoje. Primeiro um poder coercivo, depois, com a democratização das sociedades e o nascimento do Estado Providência, mais poder social. O contrato nascido com Estado Social dava aos políticos um poder acrescido sobre os restantes poderes que em torno de si sempre orbitaram.

Só que a crescente redução do poder do Estado na economia fragilizou-o. A ideia de que podemos ter um Estado mínimo com poderes reguladores fortes é absurda. Um Estado mínimo é um Estado fraco. Um Estado fraco é um Estado vulnerável. Um Estado fraco e vulnerável não é dirigido por gente forte e firme.

Se se tem mais poder numa empresa ou num jornal, e se ainda por cima se tem mais popularidade e se é menos escrutinado, por que raio se há de querer ocupar um lugar político? Se se manda mais de fora, porque raio se há de querer estar dentro? Para a política vão algumas pessoas com convicções fortes e uma enorme maioria de representantes de outros interesses com muito mais poder do que o próprio Estado. A começar pelo maior poder do capitalismo atual: o das instituições financeiras. Degradado o contrato social que o Estado Providência determinava, estes políticos estão dependentes dos verdadeiros poderes sociais e económicos, não encontrando nos que o elegeram qualquer apoio para lhes resistir. Funciona então a teoria da boa e da má moeda, tão popularizada por Cavaco Silva. Os melhores não querem sujar a sua reputação e dão lugar aos piores, sem qualquer reputação a defender.

Por outro lado, o poder deslocou-se das Nações para fora delas. A globalização retirou aos Estados Nacionais grande parte dos seus instrumentos económicos e políticos. Como isso não foi acompanhado pela democratização de instituições internacionais ou transnacionais, a intuições democráticas nacionais perderam a capacidade de determinar o futuro das Nações. Os políticos passaram a ser mais gestores de inevitabilidades do que líderes capazes de oferecer aos povos desígnios nacionais. E nenhum potencial líder está disposto a entregar a sua vida à mera gestão de decisões vidas de fora.

Por fim, a nossa sociedade atomizou-se. Os partidos deixaram de ser mediadores entre a sociedade civil e o Estado e são, por isso, incapazes de construir narrativas que determinem visões políticas e ideológicas coerentes. Os sindicatos estão debilitados e cada trabalhador foi entregue a si próprio. A empresa deixou de ser uma morada certa. As Igrejas deixaram e conseguir oferecer às pessoas edifícios morais sólidos. A família tradicional está em vias de extinção e já não estrutura o resto da sociedade. O capitalista industrial deu lugar ao gestor assalariado que representa uma massa indistinta de acionistas sem estratégias de longo prazo, apenas ávidos de lucro rápido. A comunicação social, apesar de ter mais instrumentos do que tinha, perdeu espaço para redes sociais horizontais e inorgânicas. A sociedade é hoje composta por indivíduos isolados e perdidos.

Nestas circunstâncias, que resultam de algumas dinâmicas que até posso considerar globalmente positivas, como poderia o poder político ter alguma substância que lhe desse a capacidade de dar um rumo às Nações e não ceder a interesses mais poderosos do que ele?

Os políticos não são mais corruptos do que eram. São apenas mais fracos, porque se limitam a gerir um Estado mais fraco numa sociedade atomizada que não pode ser representada através de narrativas coerentes. Quem pensa que a melhor forma de combater a corrupção é retirar ainda mais o Estado da vida social e económica, reduzir o papel dos partidos políticos e dissolver as grandes clivagens ideológicas não compreende as razões profundas desta fraqueza. A falta de qualidade da classe dirigente não é a causa, é a consequência da fragilidade do Estado. Porque não se pode esperar que os melhores escolham ser dirigentes que pouco ou nada dirigem.

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