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sexta-feira, 8 de março de 2013

O Comandante...

O Comandante Chavez foi um homem que se destacou na cena política internacional pelo fundamentalismo ideológico e pela sua "capacidade natural para forjar alianças".
Em termos ideológicos, Chavez foi, de facto, o último dos Moicanos. Um Marxista, numa época em que já só é praticamente impossível encontrar Marxistas. Chavez não se acobardou nem se escondeu atrás dos 100 milhões de vítimas do Marxismo, nem transitou para um partido político revisionista, como fizeram muitos dos nossos Maoístas. Foi avante camarada até ao fim!

Em termos de alianças políticas, destaca-se a proximidade a Mahmoud Ahmadinejad, a Evo Morales e ao Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da Octapharma (peço antecipadamente desculpa se me enganei nalgum título).

Muitos dos que não manifestaram pesar pela morte de Chavez, não acreditam nas promessas de Paraísos na Terra; não acreditam na igualdade de facto, nem acreditam que valha a pena trocar a liberdade pela igualdade. Não vão em utopias, nem em amanhãs que cantam.
Chavez não era um amigo da liberdade e os verdadeiros amigos da liberdade não eram amigos de Chavez.

O legado


A imagem acima é da favela Petare, a maior do mundo ocidental, situada à porta de Caracas e onde vivem – calcula-se – mais de 1 milhão de almas. A favela não tem parado de crescer nos últimos anos, e o governo parece estar de costas voltadas para o problema. Esta favela tem, pelo menos, três vezes a dimensão da Rocinha, no Rio de Janeiro, sendo que não é a única de Caracas, sendo de destacar, pelo menos também, a 23 de Enero.

Recorda-se que a Venezuela tem as maiores jazidas de petróleo do mundo e não consta que tenha um bloqueio comercial norte-americano que impeça o seu desenvolvimento económico.

Fonte: Blasfémias

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Senhor da Venezuela e os pobres

Era uma vez um senhor.
Era o Senhor da Venezuela.
Gostava tanto de pobres que lhes deu de comer.
Gostava tanto de dar comida aos pobres que fez de cada vez mais venezuelanos pobres, igualmente pobres.
E como gostava deles deu-lhes de comer.
Como os pobres gostavam da comida gostaram do Senhor da Venezuela.
Como o Senhor da Venezuela gostava cada vez mais de pobres fez tudo para garantir que os filhos e os netos dos Venezuelanos seriam cada vez mais pobres.
E o Senhor da Venezuela dar-lhes-ia comida.
E depois?
Depois o Senhor morreu e ficaram os pobres, cada vez mais iguais e cada vez mais pobres.

Fonte: O Insurgente

quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)


Líder carismático, populista, demagogo, irresponsável, herdeiro espiritual de Simón Bolívar, comandante, socialista, cristão, caudilho, fascista, comunista. Puseram-lhe todos os rótulos, chamaram-lhe todos os nomes, bajularam-no de mil formas. Hugo Chávez, que se deu a conhecer ao mundo inicialmente como oficial golpista, vindo mais tarde a candidatar-se a umas presidenciais que venceu, alterou a Constituição de modo a fazer eleger-se sem limite de mandato.

Tinha uma insaciável sede de poder!

Fez mil juras de morte a Washington, sem deixar de ser um dos quatro maiores fornecedores internacionais de petróleo aos Estados Unidos, e prometeu levar a sua "revolução bolivariana" e o "socialismo do século XXI" aos quatro cantos da América Latina.

Mas o destino foi-lhe cruel: não chegou a tomar posse do terceiro mandato presidencial conquistado nas urnas a 7 de Outubro de 2012, quando já se encontrava gravemente doente. Desde 11 de Dezembro, dia em que aterrou em Cuba para uma operação de emergência, nunca mais surgiu em público nem os venezuelanos voltaram a escutar a sua voz. Durante o ano passado, já havia passado 106 dias na ilha que os irmãos Castro governam desde 1959 e vários ministros acompanhavam-no nestes périplos a Havana, onde chegou a despachar e a assinar decretos.

Estava na presidência desde 1999. E ocupava quase todo o palco mediático do país, com as suas intermináveis arengas aos venezuelanos, várias das quais transmitidas em todos os canais televisivos por imposição legal. Nas presidenciais do ano passado, com a sua entourage obcecada em esconder dos eleitores o verdadeiro estado clínico do recandidato, recusou qualquer debate com o opositor, Henrique Capriles, trocando o argumento civilizado pelo insulto, habitual arma dos fracos.

Foi uma campanha inútil para uma eleição igualmente inútil. Foi uma desesperada jogada do chavismo para perpetuar uma liderança que prometia estender-se pelo menos até 2019 e não chegou sequer a cumprir o acto de posse, a primeira formalidade indispensável para cumprir o cargo.

Os últimos meses processaram-se num macabro teatro de sombras em Caracas. Com encenações de todo o tipo, incluindo a exibição de uma sorridente fotografia do antigo tenente-coronel paraquedista rodeado das filhas no leito hospitalar enquanto se entoavam loas à "recuperação" do moribundo.

Chávez morreu há poucas horas - vítima de um cancro que lhe terá sido inoculado pelos "inimigos da revolução", como admite o vice-presidente e putativo sucessor do caudilho, Nicolás Maduro, prometendo uma minuciosa "análise científica" para confirmar tão patética tese.

O chavismo ambiciona continuar sem Hugo Chávez. Mas não será a mesma coisa. O carisma não se transmite por decreto.

Caiu o pano sobre o teatro de sombras: Chávez, com as suas mil contradições, não governará até 2019 como um semideus idolatrado pelas massas, odiado visceralmente por numerosos inimigos políticos e tendo ao seu dispor um impressionante aparelho de propaganda, bem remunerado com as receitas do petróleo.

Era apenas humano, demasiado humano na evidência dos seus defeitos e virtudes. Como qualquer de nós, afinal.

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