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sexta-feira, 8 de março de 2013

O Comandante...

O Comandante Chavez foi um homem que se destacou na cena política internacional pelo fundamentalismo ideológico e pela sua "capacidade natural para forjar alianças".
Em termos ideológicos, Chavez foi, de facto, o último dos Moicanos. Um Marxista, numa época em que já só é praticamente impossível encontrar Marxistas. Chavez não se acobardou nem se escondeu atrás dos 100 milhões de vítimas do Marxismo, nem transitou para um partido político revisionista, como fizeram muitos dos nossos Maoístas. Foi avante camarada até ao fim!

Em termos de alianças políticas, destaca-se a proximidade a Mahmoud Ahmadinejad, a Evo Morales e ao Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da Octapharma (peço antecipadamente desculpa se me enganei nalgum título).

Muitos dos que não manifestaram pesar pela morte de Chavez, não acreditam nas promessas de Paraísos na Terra; não acreditam na igualdade de facto, nem acreditam que valha a pena trocar a liberdade pela igualdade. Não vão em utopias, nem em amanhãs que cantam.
Chavez não era um amigo da liberdade e os verdadeiros amigos da liberdade não eram amigos de Chavez.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Senhor da Venezuela e os pobres

Era uma vez um senhor.
Era o Senhor da Venezuela.
Gostava tanto de pobres que lhes deu de comer.
Gostava tanto de dar comida aos pobres que fez de cada vez mais venezuelanos pobres, igualmente pobres.
E como gostava deles deu-lhes de comer.
Como os pobres gostavam da comida gostaram do Senhor da Venezuela.
Como o Senhor da Venezuela gostava cada vez mais de pobres fez tudo para garantir que os filhos e os netos dos Venezuelanos seriam cada vez mais pobres.
E o Senhor da Venezuela dar-lhes-ia comida.
E depois?
Depois o Senhor morreu e ficaram os pobres, cada vez mais iguais e cada vez mais pobres.

Fonte: O Insurgente

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

As nossas escolhas: Os 10 melhores discos internacionais de 2012

Pop-rock, música brasileira, eletrónica... Passámos o ano tendo os discos como companhia habitual e, antes de nos atirarmos às novidades de 2013, louvamos aqueles de que não nos esqueceremos facilmente. Aqui ficam, então, os nossos dez álbuns internacionais preferidos de 2012.


O formato álbum morreu? Numa altura em que a música é cada vez mais portátil e menos dependente do suporte físico, é tentador responder que sim. Por outro lado, ainda continuamos a encontrar artistas - talvez menos do que há uns anos, concedemos - que nos dão vontade de ouvir um disco do princípio ao fim, com um alinhamento coerente, aliciante e nos antípodas de uma playlist em shuffle (que também tem os seus encantos, mas joga noutro campeonato). É deles que nos lembramos no momento de escolher as melhores rodelas musicais que nos chegaram aos ouvidos em 2012, que deixamos abaixo sem nenhuma ordem de preferência.

Como todas as listas pecam por serem incompletas, o espaço de comentários está disponível para outras sugestões.


Caetano Veloso - «Abraçaço»

"Abraçaço" é visto como o último capítulo da trilogia de Caetano Veloso com a Banda Cê, coletivo de jovens artistas que deram uma nova cara à música do cantor e compositor brasileiro. A saga não poderia ter terminado de melhor forma, num álbum que supera os dois anteriores ("Cê" e "Zii e Zie"). "Abraçaço" são 11 faixas com momentos de euforia, reflexão, alegria e tristeza sempre assentes no universo poético inimitável de Caetano.


Mark Knopfler - «Privateering»

Considerado por muitos que o seguem desde os tempos dos Dire Straits um dos grandes génios da guitarra, Mark Knopfler continua a deitar cartas.
Depois de seis álbuns a solo sempre com uma qualidade ímpar, o sucessor de Get Lucky, lançado em 2009 é Privateering.
Mark já tinha avisado que conforme o avançar da idade ia ter tendência a escrever mais, talvez por pânico. Dessa vontade desenfreada de escrever e compor surgiu este novo álbum.
Knopfler pega na guitarra como se de um pincel se tratasse e faz-nos desenhar verdadeiros quadros mentais.
Uns têm molduras verdes e são sobre natureza - “Redbud Tree”, outros são pinturas com muito saudosismo à mistura – “Miss You Blues“ e “Go, Love”, outras são sombrias - “Yon Two Crows”. Seja sobre o que for não há dedos a apontar à grande originalidade das letras e arranjos deste cantor.


Muse - «The 2nd Law»

O sexto álbum dos Muse, apanhou-nos de surpresa. Muitas das canções não eram as que poderíamos esperar encontrar num álbum da banda, e não só pelas influências dubstep. Como sempre, meio mundo gostou, meio mundo odiou. Nós gostámos e muito. É um disco experimental, eclético e com uma grandiosidade que cresce a cada audição. Se queremos que Muse volte a soar a Muse? Sim, mas até lá estaremos à espera para ver “a segunda lei” ao vivo.


Norah Jones - «...Little Broken Hearts»

Norah Jones deixa claro que há muito para desbravar para lá do registo meloso dos primeiros discos. Ao quinto, faz parelha com Danger Mouse na construção de temas à volta do amor e da desilusão. É o disco que nos dá um dos temas mais certeiros na dose de doçura e crueldade de sempre. Em “Miriam”, Norah Jones canta para a rapariga com quem o namorado a traiu. A doce Norah nem é destas coisas, mas embala Miriam até à morte, à vingança, ao ajuste de contas. Até ao fim.


Patti Smith - «Banga»

Aos 65 anos, Patti Smith continua feliz e inspirada a descobrir livros novos, quadros, lugares, amigos, filmes, saudades, viagens e a pôr tudo em música arrumada num álbum. E que bom para nós que gostamos dela. “Banga” é um diário de eventos e acontecimentos dos últimos anos da sua vida, variado na inspiração, coerente no som (mesmo indo do rock à balada à spoken word), com uma simplicidade desarmante nos arranjos e na construção musical. Ouçam e aprendam.

Battle Born

The Killers - «Battle & Born»

Nos últimos anos, poucas bandas de rock cresceram tanto O talento para compor e fazer arranjos perfeitos de músicas que serão sucesso nas rádios e em festivais continua. "Flesh and Bone", "Runaways", "Battle Born"e "The Rising Tide" são exemplos perfeitos disso. Refrões simples, bons backings vocals e a combinação de guitarras, teclado e sintetizadores, que já dava certo há oito anos, é repetida de forma rigorosa.

Led Zeppelin – “Celebration Day” (Atlantic, 2012)

Led Zeppelin - «Celebration Day»

Por uma noite e apenas uma noite só, os veteranos mostraram ao mundo que mesmo com os cabelos grisalhos e algumas rugas ainda era possível dar um ar da sua graça. Duas horas de pura magia nostálgica que fizeram o relógio andar para trás umas boas décadas.
Para Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones foi uma boa maneira de fechar o livro. Depois da morte de John Bonham, nada melhor que convidar o filho deste, Jason para ocupar o lugar do pai. E o rapaz não ficou mal na fotografia.

Blunderbuss

Jack White - «Blunderbuss»

Após moldar e influenciar o rock da década passada, com os dez ótimos discos lançados pelo trio de bandas que liderou (ou co-liderou), Jack White finalmente optou por lançar seu primeiro trabalho solo, Blunderbuss.
O ponto de partida para analisar uma obra deste tipo costuma ser a sua comparação com o restante da discografia do artista em questão. Assim, logo na primeira audição, Blunderbuss deixa claro que não pode ser descrito como um simples ponto médio entre os três antigos grupos de White, mas também não foge daquilo que já foi ouvido neles. Sonoramente, está mais próximo do The Raconteurs, tanto pela instrumentação (guitarra, baixo, bateria, piano), quanto pelo rock setentista influenciado pelo country.

Dead Can Dance   “Anastasis” (PIAS Recordings, 2012)

Dead Can Dance - «Anastasis»

Enquanto estiveram juntos sob a capa dos Dead Can Dance, Bredan Perry e Lisa Gerrard assinaram alguns dos melhores momentos da pop erudita mesclada com as raízes étnicas da World Music. Misturando sintetizadores talhados para recriar ambientes soturnos com ritmos africanos, cantos gregorianos, a mitologia folk celta e onde cabiam também alguns mantras da música oriental, o duo Australiano, foi o expoente daquilo que se pode chamar de “World Fusion New Age”. Ou algumas cabeças mais entendidas houve quem os catalogasse de um estilo chamado: “dream pop”.
É correto afirmar que” Anastasis” é uma progressão lógica dos álbuns da banda editados entre 81 e 96. Eles não trazem nada de novo, antes pelo contrário eles retomam normalmente o seu percurso musical. Simplesmente imperturbáveis.

Leonard Cohen - Old Ideas [leia a crítica da BLITZ 68] -

Leonard Cohen - «Old Ideas»

Continua intacta, a suavidade das canções faladas do canadiano sedutor. Podem ser velhas ideias, mas a nós soam-nos a imagens frescas.
A voz conspícua e sussurrada, raras vezes pesarosa, continua a ter a capacidade de fazer tremer pernas - e paredes - e o respeito com que trabalha as palavras permanece admirável.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Greve geral, coisa Maravilhosa


Amanhã há greve. Dizem-me que até é geral, como outras que por aí houve e às quais não aderi. Mas desta vez é diferente, não é Nacional, é Internacional.

Esta coisa do que é Nacional é bom, já deu o que tinha a dar. Agora o que é preciso é generalizar e diversificar e internacionalizar.

Uma greve geral implica parar o País. Uma greve geral implica fazer perder dinheiro ao País. Uma greve geral implica empobrecer o País. Mas, que se lixe, é mesmo para isso que aqui estamos, para arrazar e, qual Fénix, ressurgirmos renovados e felizes.

Estou a ponderar aderir a esta greve!

Afinal ela é muito mais abrangente do que as anteriores que acabaram por ser um fiasco, apesar de, do mesmo modo que esta se propõe, terem empobrecido o Zé Povinho empobrecendo o País. Desta vez propoem-se empobrecer vários países. Coisa fina e de força!

Uma greve, e em especial uma greve geral como esta, é uma coisa boa. Podemos dormir até tarde, não fazer a “ponta de um corno” (na verdade na maior parte do tempo de trabalho muitos fazem precisamente isso), estar em amenas cavaqueiras à volta de uma bejeca ou duas ou mais e uns tremoços com os amigos que raramente vemos porque quando estamos presos nos locais de trabalho eles também estão e quando fazemos greve eles nunca fazem ao mesmo tempo que nós e é uma chatice porque para conversarmos com os colegas de trabalho já o fazemos todos os dias e os amigos é que são as coisas boas que temos nesta vida de muito trabalho muito trabalho muito trabalho, e para além disso também podemos ir passear com as nossas senhoras e os nossos meninos que não têm aulas porque os senhores professores e o pessoal auxiliar também estão a fazer nada e assim podemos estar juntos a passear à tarde nos shoppings ao menos uma vez de vez em quando que nos fins de semana nós temos os jogos de futebol e elas as amigas e os putos os jogos de computador e às vezes nem nos vemos direito que os jantares de sábado à noite acabam muitas vezes com copos a mais e os putos vão prá discoteca, e também é muito bom porque nestes dias de greve às vezes há manifestações contra tudo e contra todos e podemos assim ir em carneirada uns com os outros com cartazes e panos pintados e bandeiras a dizer mal e a berrar e a dizer palavras feias que agora estão na moda e deixaram de ser feias e quem as não diz é um tótó burro e de direita e fascista e amigo do patronato e a favor dos burros do governo que só nos querem mal e nos roubam os gatunos salafrários e a atirar uns calhaus à polícia de preferência nessas alturas com a cara tapada porque nunca se sabe o que aí vem e eles têm maneira de nos identificar e depois levamos por tabela, que eles não são boas rêses, e ainda nos podem prejudicar mas mesmo assim a gente vai, que eles merecem ouvir tudo e mais alguma coisa, que eu não gosto deles e os meus amigos também não e até é feio gostar e olham de lado para nós se não fizermos isto tudo como se tivessemos peçonha e eu gosto que gostem de mim que um amigo que eu tinha era amigo do Gaspar e do Coelho mesmo sem os conhecer e agora ninguém lhe fala e mesmo quando ele vai às manifestações põem-no de lado e escondido e eu não quero isso para mim.

Por isso estou a pensar em ir (trabalhar), e estou contente com a minha decisão.
Viva a greve geral!

Fonte: Aventar

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