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sábado, 3 de agosto de 2013

O desastre do PS

José Pacheco Pereira no Abrupto e na Sábado:


Eu gosto de ter a certeza do terreno que piso, embora esteja especializado em terrenos escorregadios, até porque não há outros nestes dias. Por isso, tenho evitado falar destes últimos quinze dias, para além do mínimo necessário, de um processo que permanece demasiado obscuro. Não é que eu pense que haja grandes conspiratividades, - em Portugal não há segredos a sério que aguentem quinze dias, - mas há uma força que consegue ocultar muita coisa: o receio de revelar, o interesse próprio, os interesses comuns.

O que se passa com este acordo ou não-acordo é que, quando mais se vai sabendo, menos se sabe. Antes das conversações, junto do Presidente, durante as conversações e depois das conversações, o que se conhece tem um pequeno problema, infelizmente demasiado presente na vida política portuguesa: as coisas não encaixam. Começa por não se saber que tipo de compromissos existiram nas conversas com o Presidente. O Presidente fez questão de lembra-lo para não haver esquecimentos: para quê tanta “surpresa” com a sua intervenção de adiamento da crise, se os partidos não podiam alegar surpresa? Isso significa, como é normal, que o Presidente fez nos seus encontros com os partidos, algum do trabalho prévio de negociação. Não custa perceber que o PS recebeu, ou sugeriu, como contrapartida inicial para aceitar negociações, a antecipação de eleições para Julho de 2014. O Presidente só o propôs publicamente porque sabia que isso dava ao PS o domínio do tempo político que a direcção de Segura precisa, mas que mais foi combinado?

Como é possível, por exemplo, que Seguro admita ter estado por um fio a sua assinatura a meio da semana, para depois os papéis escritos revelarem sem hesitações a sua incompatibilidade? Isto significa, como é óbvio, que o essencial do que aconteceu, aconteceu oralmente, os papéis foram escritos para o pós-desacordo, para cada um ficar na sua e marcar uns pontinhos. De qualquer modo, reconheça-se que o papel do PSD é muito mais sério do que a versão copy-paste do PS, a partir de uma moção de um Congresso. Isto não só é o amadorismo mais completo, é deitar-nos poeira para os olhos, dando a entender que o papel significou alguma coisa nas conversações. Apesar de tudo, inclino-me para considerar que quem mais está a ocultar o que aconteceu foi o PS. Será também do PS e pelos actos do PS que vamos saber, da pior maneira, quais foram as convergências admitidas ou pactuadas mesmo sem acordo, que não vieram a público, porque, ou me engano muito, ou o PSD e o CDS vão exigir o voto do PS em tudo aquilo para que no desacordo houve acordo. E temo que seja considerável.

Também aqui o PS sai mal. As cedências do PS vão aparecer à luz do dia como obrigações e as do PSD e CDS, que bem vistas as coisas não são cedências, vão ser apresentadas como uma "nova política", que já era desejada antes do acordo e cujos méritos eleitoralistas vão passar a estar na ordem do dia da propaganda. O PS vai ter que cumprir, aquilo onde se “aproximou”, o governo nem tanto.

sábado, 20 de julho de 2013

Como esfolar um gato

Nicolau Santos, no Expresso:


Estamos na terceira semana de crise política. O país espera que saia fumo branco das negociações entre PSD, CDS e PS. E o Presidente da República instiga os partidos a despacharem-se. Pelo meio, teremos uma moção de censura ao Governo apresentada pelos Verdes. 
Como é óbvio, esta moção de censura dá a mão ao Governo e entala o PS. O primeiro-ministro disse-o claramente: "a moção de censura é muito bemvinda". Assim, o Governo dispensa-se de ser ele a ter de apresentar uma moção de confiança. E enquanto neste caso o PS votaria contra sem nenhum problema, no caso de uma moção de censura passa a estar numa posição mais difícil. 
E mais difícil porque é obviamente contraditório estar a negociar um acordo de salvação nacional com os partidos que sustentam o Governo e ao mesmo tempo votar uma moção de censura que assenta precisamente na crítica à política conduzida pelo Executivo, que o PS partilha. A opinião pública vai ter dificuldade em perceber esta contradição. 
Por outro lado, ao aceitar o repto do Presidente, o PS corre o sério risco de vir a ser responsabilizado pelo falhanço das negociações - e logo de estar contra o interesse nacional. E corre esse sério risco porque não se vê como o PS possa concordar com o corte de 4,7 mil milhões na despesa pública, com as novas regras aplicadas aos funcionários públicos, com a manutenção da enorme carga fiscal sobre os portugueses - tudo coisas que seguramente terão de estar nesse acordo. Ou então terá de ser rasgado o memorando assinado com a troika, coisa que não está em cima da mesa. 
Tudo visto e revisto, o PS teria sido avisado em deixar nas mãos do Presidente a resolução da crise, ou aceitando a remodelação do Governo ou avançando para eleições antecipadas. Ao aceitar negociar, o PS coloca-se a jeito para se tornar o bode expiatório do eventual falhanço da solução de salvação nacional que o Presidente pediu. 
António José Seguro só poderia ter aceite o reprto do Presidente, desde que logo à partida colocasse condições, porque neste momento é ele que está em melhor posição. Ao não o fazer, caiu na armadilha que lhe estenderam. Qualquer que seja o resultado do acordo, o PS sairá sempre pior desta situação. E mesmo a liderança de Seguro passa a estar em risco.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E quando Mota Pinto deitou a mão a Soares...

Concordo com o ponto de vista do Banda Larga!

Esta personagem ridícula continua a insistir invadir-nos com as suas opiniões que ninguém pediu


Esta é a terceira vez que Portugal entra em bancarrota. Em 1982 coube ao Prof Mota Pinto juntar-se a Mário Soares para salvar o país. Tal como agora, o povo debatia-se com um imenso desemprego, a fome assolava a península de Setúbal, as empresas pagavam juros que chegavam aos 30%. Falências aos milhares. Mas Mário Soares tinha moeda própria, foi possível recuperar mais rapidamente mas com muito sofrimento. 
Agora temos Mário Soares contra a coligação que nessa altura tanto desejou. É só senilidade ou é não saber envelhecer? Dizem que os maus vinhos azedam com a idade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estão mesmo a tentar salvar a nação?

Relativamente à situação política do nosso país, a crónica de Pedro Tadeu, que diz tudo o que precisa de ser dito sobre o tal "compromisso de salvação nacional":

O que é um acordo de salvação nacional? O que significa salvar o País? O que se quer salvar? Quem se quer salvar? 
Os políticos do PSD, PS e CDS que negoceiam umas frases para um papel onde ficará timbrado o percurso para essa dita salvação nacional são os dirigentes dos partidos responsáveis pelo percurso político de Portugal nos últimos 30 anos. São estes os partidos que levaram o Estado, oito vezes secular, à ruína, à perda de independência económica e ao abandono de uma parte da sua soberania política. 
Os líderes do PSD, PS e CDS, que discutem agora como erguer os três pilares que suportarão o edifício da suposta salvação nacional, são dirigentes dos mesmos partidos que a golpes de incompetência, ganância, corrupção e inconsciência arruinaram a administração central, empurraram milhares e milhares de pessoas para o abismo da miséria e criaram no seu estômago a fome voraz, monstruosa, que só foi saciada com o alimento do crime económico e financeiro, como denunciam os nomes PPP, BPN ou Swaps. 
Estes são partidos onde medrou gente que na política, nas empresas e no mundo financeiro utilizou abusivamente dinheiros europeus, banalizou faturas falsas, cultivou fugas aos impostos, a "contabilidade criativa", promoveu a construção desenfreada, os atentados ecológicos e urbanísticos, a dependência excessiva do crédito e mais e mais e mais... 
Os negociadores do PSD, PS e CDS são dirigentes de partidos que precisam de ser salvos, perdidos na imoralidade carreirista, na servidão aos interesses externos, na dependência eleitoralista, na ambição pequenina, na mediocridade dos seus quadros, no caciquismo dos seus autarcas. 
O Presidente da República pediu, com urgência, para estes partidos salvarem Portugal mas eles não têm capacidade para isso. Primeiro, repito, eles precisavam de se salvar e isso demora muito mais tempo do que chegar a acordo para marcar eleições, o valor limite do défice e a redução a prazo da dívida pública. É mesmo mais difícil do que fazer uma reforma do Estado sensata e inteligente. 
Os partidos convocados por Cavaco Silva, os partidos que se intitulam a si próprios "partidos do arco da governação" são, na verdade, os partidos do sistema que nos levou até aqui, à beira da perdição. 
A missão destes partidos, independentemente das lutas internas e das tricas que os separam, não é a "salvação nacional" é, lamento constatar, a "salvação do sistema", a salvação dos seus vícios. Pode até ser que, para isso, assinem um acordo e melhorem as contas do Estado, mas, no final, acho com tristeza, a nação não ficará salva.

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