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terça-feira, 23 de julho de 2013

Os Verdadeiros e Legítimos Reaccionários


A propósito de toda esta situação vivida nestes últimos dias, o Banda Larga e o Corta-Fitas publicam dois textos com os quais concordo inteiramente...

Conhecido o grau de irresponsabilidade daquilo a que o Partido Socialista chama «propostas alternativas», foi José Gomes Ferreira quem (perante o incontido desconforto de António José Teixeira, que logo convidaria Seguro para uma entrevista) as explicou melhor, na Sic: o PS defendia cortes de apenas 2 mil milhões; seguidos de aumento de despesa e diminuição de receita de 2 mil milhões (mediante coisas como a subida de salários, a reposição das pensões, o congelamento das saídas na função pública, o abaixamento do IVA da restauração). Ou seja, o PS quereria governar como se houvesse dinheiro, como se não estivéssemos ainda a pagar penosamente as consequências do desgoverno socialista, como se não estivessemos mergulhados num gravíssimo problema de défice e dívida.
A explicação de Gomes Ferreira é, além, de verdadeira, claríssima. Terá sido por isso que nenhum outro jornalista repegou nela, preferindo ouvir sucessivamente um partido e outro, fingindo que a responsabilidade pelo fracasso do acordo de emergência cabia a todos por igual. Nenhum quis fazer as contas que Gomes Ferreira fez, inquirir o PS sobre o valor das suas «alternativas», avaliar se elas seriam viáveis sem agravar o desastre. Preferem assim: estar distraídos, não fazerem contas, não saberem nada. Assim, já podem dizer que as acusações contra o PS são mera parte de um «jogo de ping pong de culpas».
Além de debilitar Seguro (mero agente transitório), o fracasso das negociações serviu para outra demonstração bem mais relevante: a de que o progresso do país só será feito contra o PS. O PS, hoje, não tem ideologia. Já não quer certamente a colectivização dos meios de produção. Quer apenas um cozinhado confuso de peso estatal aposto à iniciativa privada; de burocracia parasitária da actividade económica; de absorção de meios através do que chama «regulação»; de empresas públicas e monopólios disfarçados com máscaras de falsa concorrência; de fantasiosas «políticas de crescimento», que consistem, por um lado, no mesmo investimento público à Sócrates que nos trouxe com «dinamismo» à bancarrota, e, por outro, em intervenções «especiais» do Estado na economia, como os projectos PIN (verdadeira institucionalização da corrupção, que teria dado um escândalo em qualquer país civilizado); de «política para as pessoas» sem significado algum; de suposta «solidariedade» que só eles ministrariam, porque os socialistas se alucinam num pedestal de virtudes rodeados de gente vil, que são todos os que não pensam como eles; e de «cultura», que é para os socialistas uma arma de arremesso (se «fracturante», tanto melhor). 
Esse poderia ser, também, o programa socialista do confrangedor Hollande. A diferença é que Hollande é governo e, portanto, meteu o irrealismo na gaveta. Mas o nosso PS tem algo mais que os outros partidos socialistas têm menos: tem um Sócrates, um Alegre, um Soares. Tem, bem representada desta forma resumida, uma elite exclusivista e ávida de rendas, que se crê titular de todos os direitos e não tolera mudança alguma. São os mais genuínos reaccionários. Sem ideologia, hão-de sê-lo por razões privadas suas. Foram muito sonoros e claros durante as negociações do acordo de emergência nacional. Foi esclarecedor ouvi-los.


Soares, Alegre e Sócrates. Os verdadeiros reaccionários. Estão contra tudo o que possa mexer no Estado que é deles. Que controlam. Os negócios, as rendas, as PPP, as swaps, as empresas públicas... 
...a de que o progresso do país só será feito contra o PS. O PS, hoje, não tem ideologia. Já não quer certamente a colectivização dos meios de produção. Quer apenas um cozinhado confuso de peso estatal aposto à iniciativa privada; de burocracia parasitária da actividade económica; de absorção de meios através do que chama «regulação»; de empresas públicas e monopólios disfarçados com máscaras de falsa concorrência; de fantasiosas «políticas de crescimento», que consistem, por um lado, no mesmo investimento público à Sócrates que nos trouxe com «dinamismo» à bancarrota, e, por outro, em intervenções «especiais» do Estado na economia, como os projectos PIN (verdadeira institucionalização da corrupção, que teria dado um escândalo em qualquer país civilizado); de «política para as pessoas» sem significado algum; de suposta «solidariedade» que só eles ministrariam, porque os socialistas se alucinam num pedestal de virtudes rodeados de gente vil, que são todos os que não pensam como eles; e de «cultura», que é para os socialistas uma arma de arremesso (se «fracturante», tanto melhor). 
As propostas de Seguro com mais despesa pública são um hino à mentira e à irresponsabilidade !
P.S. (Post Scrptum e não PS!...)
Interessante um dos comentários ao primeiro dos textos (Corta-Fitas):

Um partido em que um bando de velhos com os pés para a cova mandam mais que a liderança em exercício não pode ser levar a sério. Quem tem sempre a democracia na boca que explique qual é o mandato democrático de Mário Soares para que este continue a ter tanta influência na política portuguesa. Isto é puro "feudalismo", porque ninguém vota nele, mas ele continua a mandar, e muito.  
Não é com os "pê-ésses" que Portugal dá a volta. Nem sequer com o (péssimo) edil de Lisboa em São Bento. O Passos Coelho pode ser insuficiente a comunicar, nomeadamente na referência que fez ao norte da Europa já não nos querer sustentar, porque as coisas não assim tão simplistas. O que se trata é que quem define o rumo da UE, e que é a Alemanha, não está mais disposta a financiar políticas redistributivas, que por sua vez caíam que nem ginjas nos interesses políticos de partidos como o PS. O ênfase da UE agora é a competitividade, precisamente porque a Europa perdeu estatuto mundial nas últimas décadas e tem de fazer pela vida para o recuperar, ou pelo menos manter o que tem. Se isso tem óbvios inconvenientes para os países mais débeis como Portugal, também não deixa de ser verdade que a nossa economia não podia continuar como estava, dependente do financiamento externo, mas ao mesmo tempo cada vez mais improdutiva.
Por isso a nossa resposta nunca pode advir de partidos que não aceitam nem entendem os novos tempos, pois vivem virados para o passado, para manter as suas regalias. Portugal tem de aceitar as novas condicionantes, mas alertar os seus parceiros para os seus problemas específicos, concretamente a sua situação social, que é ainda mais frágil que a da Grécia, porque aqui há mais desigualdade social e pobreza estrutural do que em qualquer país da UE 15. De nada adianta vociferar contra as actuais lideranças da Europa, porque não é (só) por elas que há menos disponibilidade para financiar políticas sociais na periferia, pois são os eleitorados dos países ricos que não as querem, dados eles próprios também terem menos desafogo financeiro. E os portugueses têm de entender de uma vez por todas que a "solidariedade" europeia não é eterna e tem condições. Para eles ser pobre não é uma condição, é uma situação. Portugal que não espere sempre apoios financeiros enquanto for um Estado necessitado. É bom que faça por deixar de o ser, ou algum dia deixa de ser "apoiado" de qualquer maneira.

Sua Alteza Real, D. Mário Soares!!!

Não resisto à tentação de publicar um texto de Clara Ferreira Alves que já tem algum tempo...
A sua pertinência continua sempre... actual...

Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiència governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers"..
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse transportando de diamantes, no dizer do então Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal, aproveitando para dar uma voltinha de tartaruga.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais mais uma vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai.... e não volta mais.

Enquanto tivemos empréstimos, já se lembrou que éramos pobres e que a regra é deixar património para os filhos e não uma herança de dividas?
Para quem tem memória curta!
Não é por acaso que foi cognominado de viajante
A Moral dum exímio gastador!!!!!
Alguém se lembra do nosso Presidente Soares e das suas viagens?
Vamos lá fazer um resumo de onde foram gastos milhões dos nossos impostos, só em viagens, com a sua comitiva... tudo pago pelo
contribuinte, claro!

1986
11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha
06 a 09 de Julho - França
12 a 14 de Setembro - Espanha
17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França
28 de Outubro - Moçambique
05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe
08 a 11 de Dezembro - Cabo Verde

1987
15 a 18 de Janeiro - Espanha
24 de Março a 05 de Abril - Brasil
16 a 26 de Maio - Estados Unidos
13 a 16 de Junho - França e Suíça
16 a 20 de Outubro - França
22 a 29 de Novembro - Rússia
14 a 19 de Dezembro - Espanha

1988
18 a 23 de Abril - Alemanha
16 a 18 de Maio - Luxemburgo
18 a 21 de Maio - Suíça
31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas
05 a 08 de Junho - Estados Unidos
08 a 13 de Agosto - Equador
13 a 15 de Outubro - Alemanha
15 a 18 de Outubro - Itália
05 a 10 de Novembro - França
12 a 17 de Dezembro - Grécia

1989
19 a 21 de Janeiro - Alemanha
31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela
21 a 27 de Fevereiro - Japão
27 de Fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong e Macau
05 a 12 de Março - Itália
24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos
12 a 16 de Julho - Estados Unidos
17 a 19 de Julho - Espanha
27 de Setembro a 02 de Outubro - Hungria
02 a 04 de Outubro - Holanda
16 a 24 de Outubro - França
20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau
24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim
26 a 30 de Novembro - Zaire
27 a 30 de Dezembro - República Checa

1990
15 a 20 de Fevereiro - Itália
10 a 21 de Março - Chile e Brasil
26 a 29 de Abril - Itália
05 a 06 de Maio - Espanha
15 a 20 de Maio - Marrocos
09 a 11 de Outubro - Suécia
27 a 28 de Outubro - Espanha
11 a 12 de Novembro - Japão

1991
29 a 31 de Janeiro - Noruega
21 a 23 de Março - Cabo Verde
02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe
05 a 09 de Abril - Itália
17 a 23 de Maio - Rússia
08 a 11 de Julho - Espanha
16 a 23 de Julho - México
27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha
14 a 19 de Setembro - França e Bélgica
08 a 10 de Outubro - Bélgica
22 a 24 de Novembro - França
08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França

1992
10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos
23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - India
09 a 11 de Março - França
13 a 14 de Março - Espanha
25 a 29 de Abril - Espanha
04 a 06 de Maio - Suíça
06 a 09 de Maio - Dinamarca
26 a 28de Maio - Alemanha
30 a 31 de Maio - Espanha
01 a 07 de Junho - Brasil
11 a 13 de Junho - Espanha
13 a 15 de Junho - Alemanha
19 a 21 de Junho - Itália
14 a 16 de Outubro - França
16 a 19 de Outubro - Alemanha
19 a 21 de Outubro - Áustria
21 a 27 de Outubro - Turquia
01 a 03 de Novembro - Espanha
17 a 19 de Novembro - França
26 a 28 de Novembro - Espanha
13 a 16 de Dezembro - França

1993
17 a 21 de Fevereiro - França
14 a 16 de Março - Bélgica
06 a 07 de Abril - Espanha
18 a 20 de Abril - Alemanha
21 a 23 de Abril - Estados Unidos
27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia
14 a 16 de Maio - Espanha
17 a 19 de Maio - França
22 a 23 de Maio – Espanha
01 a 04 de Junho - Irlanda
04 a 06 de Junho - Islândia
05 a 06 de Julho - Espanha
09 a 14 de Julho - Chile
14 a 21 de Julho - Brasil
24 a 26 de Julho - Espanha
06 a 07 de Agosto - Bélgica
07 a 08 de Setembro - Espanha
14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte
18 a 27 de Outubro - Japão
28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau

1994
02 a 05 de Fevereiro - França
27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)
18 a 26 de Março - Brasil
08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)
22 a 27 de Maio - Itália
27 a 31 de Maio - África do Sul
06 a 07 de Junho - Espanha
12 a 20 de Junho - Colômbia
05 a 06 de Julho - França
10 a 13 de Setembro - Itália
13 a 16 de Setembro - Bulgária
16 a 18 de Setembro - - França
28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau
09 a 11 de Outubro - Malta
11 a 16 de Outubro - Egipto
17 a 18 de Outubro - Letónia
18 a 20 de Outubro - Polónia
09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha
15 a 17 de Novembro - República Checa
17 a 19 de Novembro - Suíça
27 a 28 de Novembro - Marrocos
07 a 12 de Dezembro - Moçambique
30 de Dezembro a 09 de Janeiro 1995 - Brasil

1995
31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França
12 a 13 de Fevereiro - Espanha
07 a 08 de Março - Tunísia
06 a 10 de Abril - Macau
10 a 17 de Abril - China
17 a 19 de Abril - Paquistão
07 a 09 de Maio - França
21 de Setembro - Espanha
23 a 28 de Setembro - Turquia
14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai
20 a 23 de Outubro – Estados Unidos
27 de Outubro - Espanha
31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel
04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia
05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém
15 a 16 de Novembro - França
17 a 24 de Novembro - África do Sul
24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles
04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim
06 a 10 de Dezembro - Macau
11 a 16 de Dezembro - Japão

1996
08 a 11 de Janeiro - Angola

Durante os anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países (alguns várias vezes como por exemplo Espanha que visitou 24 vezes e a França 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS o que
corresponde a 22 vezes a volta ao mundo...

Para quê?
Expliquem ao povo para que serviu tanta viagem…
Eis um dos porquês do nosso recurso ao acordo da troika.

Para o qual esta Alteza agora quer deixar de ser " fiel "…

Mário Soares: A obrigação do PS ser fiel ao acordo da troika chegou ao fim - Economia - Jornal de Negócios

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E quando Mota Pinto deitou a mão a Soares...

Concordo com o ponto de vista do Banda Larga!

Esta personagem ridícula continua a insistir invadir-nos com as suas opiniões que ninguém pediu


Esta é a terceira vez que Portugal entra em bancarrota. Em 1982 coube ao Prof Mota Pinto juntar-se a Mário Soares para salvar o país. Tal como agora, o povo debatia-se com um imenso desemprego, a fome assolava a península de Setúbal, as empresas pagavam juros que chegavam aos 30%. Falências aos milhares. Mas Mário Soares tinha moeda própria, foi possível recuperar mais rapidamente mas com muito sofrimento. 
Agora temos Mário Soares contra a coligação que nessa altura tanto desejou. É só senilidade ou é não saber envelhecer? Dizem que os maus vinhos azedam com a idade.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Soares, mais uma dose de impostura!...

Não posso concordar mais com o comentário do Joaquim Carlos no Palavrossaurus:


O País está cansado do dr. Soares: ele representa todos os vícios do Regime e toda a malícia desse Regime assente na parasitagem ao mais alto nível, sul-americanização chavista do Regime, distorção zimbebueana dele. Nunca trabalhou. Sempre dormitou. Nunca empreendeu. Sempre influenciou e determinou e caucionou na sombra a estabilidade da grande Corrupção de Estado em Portugal, pela mão da impostura e desastre em forma de Partido, o PS. Se há um protesto a fazer é contra muita da riqueza inexplicada do dr. Soares e dos seus filhos, netos e bisnetos políticos. Os americanos fazem notas, diz sua Vampireza Interesseira. Triste País que tem de ouvir inanidades e flácidos argumentos como os dele. Ainda.

Relativamente a este texto, não resisto à tentação de publicar um comentário anónimo:

O velho palhaço, do circo que ajudou a deitar abaixo, insiste na ribalta pobre, à luz de vela, do último reduto da falência. O palhaço agora velho que sempre teve um projecto pessoal e de poder não consegue deixar de tentar o protagonismo como se estivesse numa fila de casting com canastrões como Sócrates, Guterres ou ele próprio. Fellini não filmaria melhor a tragédia portuguesa e o espectáculo decadente destas pessoas que depois de terem sugado a carne ainda fazem questão de levantar o ossos, quais necromantes necrófagos do país que jaz podre, falido e sempre à procura de um novo demagogo que lhe prometa um beijo de pureza mas esteja vestido de sodomita por baixo da aparência.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Inimputável



A personagem que anda por aí a dizer este tipo de barbaridades, de seu nome Mário Soares, é uma vergonha para Portugal. Imagine-se que alguém nos Estados Unidos, referindo-se ao Presidente Obama, tinha dito que por muito menos tinham assassinado o Presidente Kennedy. Haveria tal tempestade mediática, e bem, que tal personalidade estaria automaticamente banida da opinião pública. Aqui em Portugal, além de algumas reações, como a que podemos ler aqui do João Ferreira do Amaral, parece que nada de grave foi dito. A esquerda hipócrita, que se fosse alguém da direita a dizer o mesmo de um Presidente de esquerda, reagira em fúria, permanece num silêncio ensurdecedor. Isto é um verdadeiro escândalo que deveria envergonhar qualquer democrata, de esquerda ou de direita. Este tipo de afirmações não podem ter lugar no debate público.

Fonte: 31 da Armada

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A Bosta Nunca é Rigorosamente a Mesma

Sobre Soares já escrevi de mais. Em 1974, aparecendo como um herói com as costas aquecidas pela CIA, passou a defender a democracia em Portugal no século XX como negócio a que foi persuadido à última da hora: foi especialmente bom para a elite soberba que, com o mesmo pedantóide Soares, substituiu a soberba corporação que dominara Portugal e envelhecia no Estado Novo. Sobre Soares não há nada que se possa dizer que suplante as figuras miseráveis, mesquinhas, conspirativas, que anda a fazer: falam por si e não são de agora. De todos os pecados mais grosseiros do desbragado idoso desbocado, apoiar Sócrates, comparecer em comícios de apoio a tal figura e voar baixinho no meio da devastação centro-africana deixada pelo socratismo, foi por demais imperdoável. O que deveras me encanta é que esse Soares e o pessoal degenerado do socratismo, demasiado alive and kicking no seu impudor, unidos a uma só voz-bosta, apareçam hoje a ultrapassar a Realidade pela Esquerda, desenvolvendo uma crítica à governação Passos fora de uma complementar crítica honesta que varra a eito todo o espectro político português, que os inclua a eles todos e os condene igual e inapelavelmente.

A essa cambada de abutres que nos não representa no sentido sagrado do termo esperava-se que não gastasse o mau latim a fomentar o fosso ignominioso entre um Nós e um Eles, quando PS, PSD, CDS-PP são um todo quase homogéneo na malfeitoria gerada ao País, hoje divididos apenas porque o PS confortavelmente não quer assumir o odioso, o abominável ónus, de cooperar na refundação do Estado Português segundo novas bases tão realistas quanto miseráveis, covardia em que é manifestamente secundado por Paulo Portas e a parte do CDS-PP ainda com veleidades eleitorais. BE e PCP mostram-se arcaicos na retórica, lastro bloqueador e empobrecedor nas formas de luta, e por isso não concitam confiança de espécie nenhuma. Ninguém vota nisto. Não há na verdade uma Direita traduzível pelo PSD e pelo CDS-PP contraposta a uma Esquerda Moderada ou Radical representada respectivamente pelo PS e pelas Oposições PCP e BE: o sistema político português é uma unidade reciprocada e feita de um só e fechado mutualismo. Para todos os efeitos, até aqui, Portugal foi entregue aos lobos mais sedentos de sangue e aos chacais mais corruptos, sendo que agora o programa de empobrecimento radical e de desmantelamento do Estado Social é o que tem de ser, ditado em grande medida pelas lógicas europeias de sobrevivência do Euro, de crise generalizada dos sistemas sociais, da substituição das economias insufladas de fingimento e falsificação dos Países Integrantes por economias não passíveis de trapaça e pantomina para ganhar eleições. Se os Governos de Piratas e de Palhaços, com um Sócrates ao leme e um Boneco a fazer de Ministro das Finanças, não tiveram qualquer oposição atempada dos espíritos mais lúcidos, nem sequer de Belém, onde o calculismo e a covardia pontificaram, relegando para o momento mais oportuno a responsabilidade presidencial de dissolver um Governo de Videirinhos e Arranjistas, o que temos hoje à frente de Portugal é finalmente a impopularidade toda concentrada num só Primeiro-Ministro, num só Governo, os quais, se se guiassem pelo fervor eleitoral, não produziriam nem metade do reformismo cortante e impiedoso que os tem norteado nem suscitariam todo o catarro demente que Soares cuspilha.

Bendita bruteza e impopularidade as deste Governo! Toda a gente, a não ser alguns blogues e os mais independentes dos portugueses, comeu e calou as doses de charlatanismo alquímico-científico que vazavam do José Sócrates Político e da sua trupe cara de prestidigitadores e vendedores de petas. Seguro calou, silenciou e pactuou com o que conhecia bem de perto. Hoje fala a medo, mas já gesticula alquímica-cientificamente segundo os mesmíssimos padrões filibusteiros da palavra vácua e do gesto enfático que nos não põem pão nem paz à mesa, técnica da oratória moderna enquanto mecanismo para vender mentiras, semear ilusões, inventar paraísos. O que Soares tem dito de Passos e do Governo Passos, por ser grotesco e primário, por roçar o homicida-instigador, reabilita automaticamente o que visa detrair. Isto é trágico. Para detrair um Governo como o de Passos o que era preciso é que sovinas favorecidos pelo Estado em milhões, ladrões com o rei-na-barriga, vampiros com décadas de dente ferrado nos contribuintes, rapaces contumazes, inúteis ex-governantes, ficassem calados. Pelo menos. Como falam, como falam a toda a hora, toda a gente infere aí outros interesses mesquinhos, interesses de tios e tias da linha de Cascais sem noção de Povo: quando falam, reabilitam e enobrecem a política mesmo no que tem de terra queimada e de sacrifícios brutais que o directório berlinense impõe também à nossa terra. Por outro lado, se era fácil e obrigatório odiar-abominar Sócrates, o seu aparecimento omnipresente, a sua face provocatória, a sua pose absolutista, a sua insolência hedionda, húbris permanente de discursar idiotias e comissionar à força toda os negócios de Estado, torna-se-nos mais difícil abominar-odiar o desaparecimento em que basicamente assenta a acção do Executivo Passos. Há Governo, mas não aparece. Não inunda os media. Não sufoca diariamente as TV. Ninguém odeia o que não se vê nem aparece.

Xuxas e Socratinos dicotomizam a coisa política nacional como se não fossem feitos da mesma matéria merdosa que nos trouxe a estes apertos. Para quê invocar a campanha eleitoral de Passos, cujo programa foi depois consabidamente traído e rasgado, se por exemplo o conceito de verdade aí propalado se inscreve no princípio de viver com o que se tem, com o que se produz, com aquilo que um Orçamento é realmente capaz de cobrir ou pagar?! É novo? É. Não foi assim que vivemos de 2005 a 2011 e mesmo antes porque o interesse nacional foi criminosa e sistematicamente submetido à agenda eleitoral. Insista-se nisto: todas as calúnias e suspeições que recobrem e abrangem a pessoa política do abjecto imune e impune José Sócrates são de menos: a realidade foi muitíssimo pior, o descaramento superou qualquer outro cretino e ladrão de que reze a História nacional e internacional. O Mal Moral, a Devassidão dos Processos, a Esterilidade das Medidas, o Abuso de Poder, o Comissionismo Grosseiro e Desabrido, foram tais que não há forma de o descrever sem que nos borremos de vergonha e desgosto. Os frutos estão à vista. Vieram, portanto, os Palhaços e destruíram as contas do Estado. Boicotaram a capacidade de recuperação económica das empresas. Comprometeram a qualidade de vida da classe média, condenada à partida pelo escalar exponencial da dívida pública, pois já se sabia antecipadamente quem a pagaria no final. Só por escárnio e suma malícia intelectual é que se pode esperar da execução orçamental 2013 um acerto assertivo com o País desmantelado e endividado e com tantos e tais Buracos no Asfalto. Odiámos, portanto, o que havia para odiar. Hoje, a austeridade é compreendida pela rua como o Karma Lógico de quem recaiu nas mesmas circunstâncias que possibilitaram uma intervenção externa, de Cavaco a Sócrates: se a situação era negra, a solução nunca seria fácil.

Antes, com os Palhaços-Sócrates, era a mentira, a gula, o açambarcamento pessoal à conta dos negócios de Estado. Agora, com os Coveiros-Passos, temos a aplicação do Memorando talvez aos trancos e barrancos, mas segundo uma sobriedade que não nos poupa porque talvez jamais nos pudesse poupar, não poupando, o que é inédito, os interesses e o ócio venenoso de Mário Inenarrável Soares, Sua Reverência que este Governo não reverencia. Toda a miséria intelectual, demissão cívica e opulência sectária fizeram escola, montaram tenda e prosperaram entre a tribo de grunhos que Soares fundou, Sócrates levou ao ápice e ainda hoje nostalgia este último, como se tal monte de merda que pensava ser o novo Apolo, Rei Sol de todas as tretas e de todas as petas tivesse ainda o que sacar do cu com um gancho para surpreender e seduzir eleitorados. Só grunhos dicotomizam a Política entre Direita e Esquerda; só grunhos falam em ter modernizado o País quando o seu legado foi dívida, deserto na economia, exterminação abortiva, reduzindo simbolicamente a pobreza apenas como biombo para outros negócios e o seu expresso e exponencial enriquecimento, aumentando postiçamente a qualificação de largos estratos sociais para o nada e a ilusão. Não houve dinheiro que sustivesse o legítimo e regenerador ódio ao Poder-Pulha e Analfabruto Socratista, apesar da compra da comunicação social, dos Figos, dos Filipe Vieira e de quantos se venderam e novamente se venderiam. Tornámo-nos alérgicos à merdeirice, à pedantaria xuxa, ao solipsismo sociopata de Sócrates e dos seus. Hoje, o sofrimento geral é a coisa mais sincera, natural e inevitável do Cosmos, sem que nos façam a cabeça do contrário, sem que nos entretenham a ver se o esquecemos. O normal é isto. Sofrimento social. É a tal verdade injusta e filha da puta, mais verdadeira e real que a ronha ronhosa do Visconde Soares, na sua jumentada verbosa. É pela realidade e com a realidade que vamos. Sonho? Emergir entre nós muito mais união e solidariedade sem esperar absolutamente nada do Estado, frágil certeza e vicioso assento etéreo Privativo do Soares e do diabo que o carregue.

Fonte: Aventar

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Um homem do ‘contra’


Em Portugal, há um certo temor reverencial em relação a Mário Soares.
Os políticos e os comentadores evitam criticá-lo e, quando o fazem, usam punhos de renda – embora Soares não use a mesma diplomacia e seja, por vezes, muito cáustico no ataque político e mesmo pessoal.
O documento agora divulgado apelando à demissão do primeiro-ministro, de que ele é o primeiro subscritor, é surpreendente num ex-Presidente da República, que se presume ser uma pessoa sensata e ponderada.
Soares acha que o Governo é mau, e tem todo o direito de o dizer.
Mas apelar à sua queda, numa altura em que o país está sob resgate estrangeiro, é uma perigosa irresponsabilidade.
Parece que, como o Partido Comunista ou o Bloco de Esquerda, Soares pensa: ‘Deita-se o Governo abaixo e depois logo se vê’.
Ora o Governo pode deitar-se abaixo – mas existe um Memorando que os três maiores partidos assinaram e que impõe obrigações ao país.
O que se faz com ele?
Rasga-se, como a extrema-esquerda defende? E que consequências isso terá?
Soares parece não perceber que o mundo mudou muito desde os tempos em que estava no activo.
Hoje há mais exigência, há mais interligação entre os países e os mercados, e isso obriga a mais cautelas.
Se o Governo agora saísse, o estrangeiro passaria de um dia para o outro a olhar-nos com tremenda desconfiança, o crédito internacional cairia a pique, os juros disparariam, a situação ficaria fora de controlo.
Não basta, pois, querer derrubar o Governo: é preciso apresentar alternativas aceitáveis pelos credores; ora Soares não as apresenta, porque não as tem.
Há dois tipos de pessoas: as que foram feitas para construir e as que foram feitas para destruir.
As que foram feitas para encontrar soluções e as que foram feitas para arranjar problemas.
As que olham para o lado positivo da realidade e as que vêem sempre o lado negativo.
Ora Soares, por maneira de ser, foi sempre – ou quase sempre – um homem do ‘contra’.
Sempre esteve mais do lado de criticar do que do lado de fazer.
Sempre esteve mais do lado de levantar problemas do que de resolver problemas.
Antes do 25 de Abril, era da oposição – como mais de metade do país.
A seguir ao 25 de Abril, distinguiu-se na luta contra o PCP, o que também correspondia ao sentimento da grande maioria dos portugueses.
Houve, depois, um período em que Soares esteve na área do poder – mas aí envolveu-se na luta contra o Presidente da República, general Ramalho Eanes.
Depois, esteve contra a AD de Francisco Sá Carneiro.
E após ascender à Presidência da República, assumiu como principal tarefa o combate contra o primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva.
Depois de sair da Presidência, continuou a estar sempre mais ou menos na oposição, excepto durante o Governo de Sócrates, o que não deixa de ser curioso; talvez fosse o pagamento pelo facto de Sócrates ter apoiado a sua candidatura presidencial – apoio que acabou por ser um presente envenenado, pois a candidatura saldou-se por um rotundo fracasso.
Mas, também aí, Soares candidatou-se sobretudo por razões negativas: para tentar anular a candidatura de Manuel Alegre.
Mário Soares foi, pois, sempre um ‘homem do contra’, mesmo quando era chefe do Estado, pelo que a sua posição actual não choca.
Mas há algo que não encaixa no seu percurso.
Uma das principais glórias de Soares como primeiro-ministro foi ter salvo o país da bancarrota em 1983-85, através de um plano de austeridade assistido pelo FMI.
Soares foi muito elogiado por isso: pela coragem de ter avançado com políticas impopulares, de braço dado com o ministro das Finanças, Ernâni Lopes.
Ora, este documento mostra que Soares rejeita a austeridade, tornando claro que a política de 1983-85 não foi obra sua – foi obra exclusiva de Ernâni Lopes, em colaboração com o FMI.
E este dado obriga a reescrever a História.
Muitas vezes, quando alguém referia a ‘irresponsabilidade’ de Mário Soares em matéria financeira, a sua falta de sensibilidade para estas questões, a sua ignorância dos números e dos dossiês, dizia-se: «Isso é desmentido pela posição que assumiu em 1983-85».
Agora sabe-se que essa política não foi implementada por ele – foi implementada ‘apesar dele’.
A atitude actual de Soares, embora legítima, coloca-o definitivamente ao lado dos radicais, dos que querem derrubar as instituições sem olhar ao dia de amanhã, dos que acham que as questões financeiras são irrelevantes e que a bancarrota é um papão da direita.
Mário Soares é herdeiro dos líderes republicanos que entre 1910 e 26 levaram a cabo uma agitação política frenética, que deixou os portugueses à beira de um ataque de nervos e as finanças públicas de rastos – e que acabou como tinha de acabar: com um golpe militar para pôr o país ‘na ordem’.
Os homens que têm mais vocação para arranjar problemas do que para encontrar soluções, acabam por conduzir os países para situações explosivas.

José António Saraiva
Fonte: Sol

Memória curta... ou Alzheimer!

Há pessoas que têm a memória muito curta... ou então...

Alguns exemplos:

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.”
Mário Soares no JN, 28 de Abril de 1984

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade.”
Mário Soares no JN, 28 de Abril de 1984

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”
Mário Soares em entrevista à RTP, 1 de Junho de 1984

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A carta dos 70 (Brigada do reumático)... Outra vez!...


Há duas semanas, 70 personalidades lideradas por Mário Soares, quase todas de esquerda e dizendo-se intérpretes da vontade popular, escreveram uma carta ao primeiro-ministro exigindo-lhe mudança de políticas ou, em alternativa, a sua demissão.

Note-se, em primeiro lugar, a arrogância dos signatários da carta: consideram-se os justos representantes do clamor popular.

Não sabemos quem, de entre o povo, lhes passou o mandato popular. Nem sabemos de que forma ou em que momento foi esse mandato conferido. E não sabíamos – eu, pelo menos, não sabia – que o povo, nos seus milhões de vontades e aspirações, consegue formar uma vontade una, indivisível, totalitária, revelada aos 70 e por estes apropriada.

Sabemos apenas, ou não fosse a esmagadora maioria dos signatários de esquerda (o que oferece, como se sabe, o pressuposto da bondade e da identificação com o bem comum), que se sentem justos representantes do povo.

Eles é que sabem, os 70. Não foram eleitos, os 70; não foram a votos, os 70; não pediram mandato, os 70; nem receberam procuração, os 70. Mas isso são pormenores: eles é que sabem. Porque sim. Talvez por serem de esquerda.

Note-se, em segundo lugar, o desprezo, porque é disso que se trata, com que os signatários tratam a Constituição e, já agora, os portugueses (sim, os portugueses).

A Constituição tem regras sobre a nomeação e demissão do governo – regras que os signatários deviam conhecer, até porque andam sempre com a Constituição no verbo – e que de forma alguma autorizam uma espécie de conselho de sábios a arrogar-se o direito ou dever ou poder de determinar o momento a partir do qual um governo deve ser demitido ou pedir a sua demissão.

E essas regras pressupõem, basta lê-las, a democracia parlamentar. É o parlamento que representa, para o que ora nos interessa, a vontade popular. E é no parlamento que se formam as maiorias necessárias para manter ou não um governo.

Aquilo que os signatários da carta demonstram pelo parlamento e, por isso, pelos portugueses que o elegeram, não é outra coisa senão desprezo, como se o parlamento não servisse para nada ou, pior, como se o parlamento não representasse a vontade popular.

Serei só eu a considerar grave que haja deputados (sim, há deputados entre os signatários) a querer, através desta carta, obter algo que, negado nas urnas, nem sequer tentaram no parlamento?

Note-se, enfim, a displicência dos signatários.

Críticas, é só lê-las espalhadas pelos parágrafos da carta. Soluções alternativas, daquelas que se podem propor no parlamento, estilo faça-se x ou legisle-se no sentido y, é que está quieto. Mande-se abaixo o governo, porque sim e porque não é de esquerda. Para fazer o quê é que não se sabe. Parece que não é preciso e que basta dizer crescimento, crescimento, crescimento.

Esta carta, no consenso que arrogantemente pretende iludir e no espelho que procura ser da elite portuguesa, funciona afinal como paradoxo.

O país entrou em pré-bancarrota depois de décadas de irresponsabilidades que foram consentidas, toleradas e muitas vezes aplaudidas apenas porque embrulhadas num qualquer amanhã que canta, porventura ao gosto de alguns dos 70. Esta carta representa tudo o que Portugal foi e tudo o que, por três vezes na nossa história recente, nos levou a pedir ajuda externa.

Nada me move contra os 70 signatários. Sou admirador de uns, leitor compulsivo de alguns e até, orgulho-me, amigo de outros. Mas nem a admiração, nem o gosto nem a amizade me impedem de considerar que o caminho defendido pelos 70, na parte que tem de perceptível, procura a perpetuação de um modelo socialista que não consigo defender e que nos arruinou.

Fonte: iOnline

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Os Pândegos - Sobre a carta de Soares e outros a Passos Coelho

Na passada semana foi publicada uma missiva que 70 iluminados, encabeçados pelo sábio ancião que tanto sabe acerca de salvar a pátria, que me levantou uma singela dúvida: será que algum deles acredita realmente naquele rol de frugalidades distorcidas que constituem o conteúdo da dita? Talvez o sábio ancião acredite, sempre foi um tipo que acreditou no que lhe deu jeito consoante a época. Talvez um ou outro acredite, de entre os signatários há uns quantos que apresentam um tão aguçado espírito crítico e uma tal capacidade analítica que lhes permite acreditar... Em quê? Acreditar, de um modo geral, alheio ao específico e ao circunstancial, tendo por base aquilo que lhes foi impingido como "politicamente correcto" .
Os outros... Os outros sabem muito bem das suas conveniências, das suas militâncias, dos seus grupelhos, das suas posições políticas de oposição sistemática não permeável a qualquer tipo de racionalidade que seja contrária aos seus interesses, por mais  óbvio que seja que do poço seco não se tira água.


Esta carta contém frases indubitavelmente lapidares, verdadeiras pérolas da dialéctica político-social. Um mimo!
Uns pândegos!
Como já cá ando há anos suficientes para não me irritar com verborreias de malta pândega, não levo a sério o que de sério nada tem. Confesso que dei umas boas gargalhadas ao ler a tal cartinha que não me é dirigida - na forma - mas que outro destinatário não tem senão o encurralado povo português, a ver se pega o apelo à raiva, ao descontrolo, ao golpe de Estado que nos levaria directos ao buraco negro onde estivemos a cair.
Encurralado sim, mas por quem? Pela Troika? Pelo Passos Coelho? Pelo Gaspar? Não brinquem comigo  sem declararem que estão a brincar; brincar a fingir que é a sério é de mau gosto, além de imaturo. Para não dizer mais.
A primeira declaração que me caiu no goto e libertou a primeira gargalhada diz assim:

«À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental. O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente.»
A comunicação do governo de Sócrates sobre as (concluídas) negociações com a Troika, em Bruxelas foi a em Abril de 2011. Haviam começado em Fevereiro e Sócrates só discursou sobre o "bom Acordo" conseguido em Maio.
Todos nós sabemos, os que se querem lembrar e os que se querem esquecer, que até José aparecer na TV ladeado pelo Teixeira (com umas trombas memoráveis), não havia crise nem derrapagem económica - foi um raio de uma coisa que aconteceu de um dia para o outro - uma certa manhã acordámos assim, falidos, sem pilim para os salários do mês seguinte (Maio 2011)

As eleições legislativas foram a 5 de Junho de 2011...
Conclua-se...

«Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente.» ??????????????
Pergunto eu, algum português corriqueiro - leia-se, não próximo do governo - podia evocar conhecimento do real estado das finanças de Portugal?
Todos sabíamos, os que sabíamos e os que diziam que não existia, que estávamos num enorme e profundo buraco, já não era possível esconder com discursos, mas alguém tinha conhecimento da real dimensão do buraco? Aahhh, memóriazinhas traiçoeiras!
Menos de um mês antes do início das negociações com o FMI Sócrates dava murros na mesa dizendo que não iria pedir ajuda externa que a derrapagem estava controlada.

Não me gozem...
«Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.»
Perdoem-me mas estou baralhado, esta frase da missiva refere-se a quem? Quem é que intencionalmente defraudou os portugueses? De que embuste?
Nem gasto mais tempo ou palavras a explicar a pergunta, se alguém não percebeu não irá perceber agora.
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.»
Lá estamos outra vez...  Os 70 iluminados referem-se a quem? A que governo? Deve ser ao de José...
Quem é que se viu obrigado a ir pedir ajuda externa, apesar da sua afirmação de que nunca o faria porque  seria «uma indignidade para Portugal» (!!!) e o fez a ferros, porque Portugal já não tinha forma alguma de subsistir?
Foi Passos Coelho que num ano e meio nos colocou nessa situação?
Em menos de um ano e meio Portugal voltou aos mercados reconquistando a confiança dos mercados estrangeiros, relançou as exportações, pela primeira vez começou a equilibrar a balança de importações, viu aprovadas as sequentes tranches de empréstimo sem as ver perigar.
Custa? Custa, muito. E nem estamos a meio caminho mas, por mais que nos custe, a recuperação da economia tem de passar pela reestruturação do aparelho do Estado, ou estaremos sempre sujeitos ao ciclo vicioso em que nos encontramos há décadas.

Mexer no aparelho de Estado não é, de forma alguma uma política eleitoralista, não agrada a ninguém, nem a quem mexe nem a quem vê mexer mas é absolutamente imprescindível  - apesar de ser cultivada pela oposição a impermeabilidade a esta evidência.
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência»?
Ó sorte... Não é por demais evidente que temos de nos cingir a uma austeridade sem tréguas se quisermos voltar a ter um país capaz de sobreviver na Europa?
Sim camaradas, no Estado não se mexe, não dá votos nem "jobs" . Nunca se mexeu, custe o que custar, pague-se o que se pagar, o Estado é uma vaca sagrada. Esquelética e moribunda mas sagrada.
Não me lixem!
«.../...  sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.»

Pelo interesse nacional? Não tenho conhecimento de que tivesse vindo a público qualquer carta destes iluminados, ou de outros, a exigir a mudança de política do Zé Sócrates ou a sua demissão... Verdade se diga, as consequências da sua política de esbanjamento, favoritismo e ocultação da realidade, essa sim, um embuste de um admirável embusteiro, não eram de todo imprevisíveis.

Só não viu chegar a actual situação quem tapou os olhos ou era ceguinho.

Que legitimidade têm os subscritores desta carta, nas provas dadas, na sua sapiência para "exigirem" - como é dito na nossa opinativa comunicação social - a demissão de um governo eleito maioritariamente, com um orçamento aprovado na Assembleia da República, doa a quem doer. Este governo é legitimo e eleito democraticamente, como eleito e legítimo foi o governo do Zé Sócrates
Aguentem-se, como eu me aguentei; É o preço da democracia e, ao que parece, estes pândegos  não querem, não querem, não querem. Já o Otelo sofre da mesma doença alérgica.
A pândega está a acabar, a massa para as Fundações, mesmo para a do pai da pátria, foi-se. É uma chatice, mas talvez tenham de andar de "Renault Clio".

Este governo, por muito duro que seja, está a fazer o que há muito deveria ter sido feito. Há quem entenda isto, há quem não entenda e há quem, entendendo ou não, se esteja nas tintas, quer é que o governo caia, que reine a esquerda festiva mesmo que o povo não vote nela,  que volte um estilo de vida que não é comportável mas é muito mais confortável. Eu não estou aí, tenho um filho e quero que ele tenha um país.
«Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,
Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.»
Caros Signatários,
Chegam muito atrasados...
Quanto à esperança, a que vocês dizem não ter é a que a mim me resta!

A "cartinha", para quem quiser ler, está AQUI.
Fonte: Real Gana

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