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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A Arte Socialista da hipocrisia…


“…o país gastou demasiado tempo a falar da limitação de mandatos quando a decisão doTribunal Constitucional era quase que óbvia.”

Há personalidades que se revestem de uma candura e inocência… Esse tempo foi gasto porque o PS assim o quis! Porque, eleitoralmente, lhe dava jeito.

Se achavam essa clarificação importante e necessária, porque chumbaram os socialistas – em Julho de 2012 (há mais de um ano, portanto) - um projecto de clarificação da lei?!

E depois andarem com estes “lamentos”: é a “preocupação e a incerteza que o processo provocou nos eleitores” (coitadinho do eleitor...); é o “lamento” pela imagem negativa que o processo deu do “funcionamento da democracia”... não há pachorra para tanta hipocrisia!

Na comunicação social, também muito se falou - e “lamentou” - em torno "dos danos" que o arrastar desta indecisão até "às portas das eleições", provocou “à democracia”.

Infelizmente (não inexplicavelmente...), os Srs. Jornalistas preferiram ocultar dos cidadãos - e tanto se falou do assunto ao longo do último ano -, que tal situação se deveu apenas à vontade dos socialistas (essa clarificação só seria possível se existissemdois terços de deputados que aprovassem essa proposta).

Enfim, nas redacções, business as usual…

sábado, 3 de agosto de 2013

O desastre do PS

José Pacheco Pereira no Abrupto e na Sábado:


Eu gosto de ter a certeza do terreno que piso, embora esteja especializado em terrenos escorregadios, até porque não há outros nestes dias. Por isso, tenho evitado falar destes últimos quinze dias, para além do mínimo necessário, de um processo que permanece demasiado obscuro. Não é que eu pense que haja grandes conspiratividades, - em Portugal não há segredos a sério que aguentem quinze dias, - mas há uma força que consegue ocultar muita coisa: o receio de revelar, o interesse próprio, os interesses comuns.

O que se passa com este acordo ou não-acordo é que, quando mais se vai sabendo, menos se sabe. Antes das conversações, junto do Presidente, durante as conversações e depois das conversações, o que se conhece tem um pequeno problema, infelizmente demasiado presente na vida política portuguesa: as coisas não encaixam. Começa por não se saber que tipo de compromissos existiram nas conversas com o Presidente. O Presidente fez questão de lembra-lo para não haver esquecimentos: para quê tanta “surpresa” com a sua intervenção de adiamento da crise, se os partidos não podiam alegar surpresa? Isso significa, como é normal, que o Presidente fez nos seus encontros com os partidos, algum do trabalho prévio de negociação. Não custa perceber que o PS recebeu, ou sugeriu, como contrapartida inicial para aceitar negociações, a antecipação de eleições para Julho de 2014. O Presidente só o propôs publicamente porque sabia que isso dava ao PS o domínio do tempo político que a direcção de Segura precisa, mas que mais foi combinado?

Como é possível, por exemplo, que Seguro admita ter estado por um fio a sua assinatura a meio da semana, para depois os papéis escritos revelarem sem hesitações a sua incompatibilidade? Isto significa, como é óbvio, que o essencial do que aconteceu, aconteceu oralmente, os papéis foram escritos para o pós-desacordo, para cada um ficar na sua e marcar uns pontinhos. De qualquer modo, reconheça-se que o papel do PSD é muito mais sério do que a versão copy-paste do PS, a partir de uma moção de um Congresso. Isto não só é o amadorismo mais completo, é deitar-nos poeira para os olhos, dando a entender que o papel significou alguma coisa nas conversações. Apesar de tudo, inclino-me para considerar que quem mais está a ocultar o que aconteceu foi o PS. Será também do PS e pelos actos do PS que vamos saber, da pior maneira, quais foram as convergências admitidas ou pactuadas mesmo sem acordo, que não vieram a público, porque, ou me engano muito, ou o PSD e o CDS vão exigir o voto do PS em tudo aquilo para que no desacordo houve acordo. E temo que seja considerável.

Também aqui o PS sai mal. As cedências do PS vão aparecer à luz do dia como obrigações e as do PSD e CDS, que bem vistas as coisas não são cedências, vão ser apresentadas como uma "nova política", que já era desejada antes do acordo e cujos méritos eleitoralistas vão passar a estar na ordem do dia da propaganda. O PS vai ter que cumprir, aquilo onde se “aproximou”, o governo nem tanto.

sábado, 27 de julho de 2013

Entrevista a António José Seguro

A entrevista publicada na Visão de 25-07-2013 demonstra bem o grau de irresponsabilidade que mina alguns responsáveis políticos deste país à beira-mar plantado.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A troika e a "troica"

“ A troika e a
João Miguel Tavares, Público 23/07/2013

Adorei ouvir Alberto Martins dizer que, com a decisão de Cavaco Silva, "vai ficar tudo na mesma". Ai não vai, não: António José Seguro e o PS vão ficar muito pior do que aquilo que estavam após a tentativa de suicídio político de Paulo Portas. O acordo de salvação nacional que o Presidente da República desejava não se concretizou, é verdade, mas concretizou-se algo muito importante: a demonstração de que o Partido Socialista, que levou o país à bancarrota, continua um navio de loucos, habitado pelos restos furiosos do socratismo, tomado pelos delírios juvenis de Mário Soares, e desgovernado pela quilométrica incompetência de Seguro, o homem que quer a troika mas não a austeridade.

Em bom rigor, Seguro não quer a troika. Quer, sim, a "troica", segundo as boas regras do Novo Acordo Ortográfico, adoptado nos documentos oficiais do Partido Socialista. E deve ser porque a troika e a "troica" não são a mesma entidade que ele acha que se pode dirigir ao país anunciando orgulhosamente que o PS defendeu, nos encontros para o compromisso de salvação nacional, as seguintes medidas: aumentar o salário mínimo, aumentar as pensões mais baixas, estender o subsídio de desemprego, diminuir o IVA da restauração, reduzir o IRC, criar um programa de emergência para apoiar os desempregados, mobilizar fundos comunitários para a formação profissional, recusar a privatização da TAP, Águas de Portugal, RTP e CGD, atirar a gestão da dívida acima de 60% do PIB para o colo da Europa, exigir que a componente nacional dos fundos comunitários destinada ao investimento fique de fora das contas do défice, repor os níveis anteriores do complemento social para idosos e do rendimento social de inserção, valorizar a contratação colectiva e criar um banco de fomento.

Não sei se me esqueci de alguma coisa. Mas sei isto: a "troica" que existe na cabeça dos socialistas, tal como o unicórnio e a fadinha dos dentes, talvez pudesse aceitar aquelas medidas. A troika que existe na realidade, jamais. E é isso que é tão ofensivo nesta proposta de António José Seguro: ela pressupõe que Portugal é habitado por 10 milhões de idiotas, que acham perfeitamente razoável o PS apresentar-se nas negociações para obter um compromisso de salvação nacional sem ter uma única medida - nem uma só para disfarçar - que proponha cortes na despesa do Estado.

Mas esperem. Segundo António José Seguro explicou em entrevista à SIC, o PS não entrou "num processo negocial", mas sim "num processo de diálogo". Ele dialogou, não negociou. O que é um diálogo sem negociação quando se quer chegar a um compromisso? Perguntem ao comandante do navio dos loucos. Seguro está tão ocupado a barricar-se no Largo do Rato que diz tudo o que for preciso para parecer de esquerda. "Leiam as nossas propostas", pediu ele aos portugueses. "São 20 páginas." Por acaso, o compromisso do PS tem 11 páginas. É um aumento superior ao do IVA na restauração, mas 11 ou 20 ou 4,7 milhões - quem está a contar? É o mesmo rigor que leva o partido a não quantificar aquilo que propõe.
Quantos pontos iria aumentar o défice se fosse aplicado o seu compromisso? Nenhum, porque iríamos crescer à brava! O que nós percebemos, graças a Seguro, é que mais depressa se reforma Portugal do que o PS. Agradeçamos, pois, ao Presidente por ter tornado isso tão claro. Nas próximas legislativas, a opção vai ser entre o realista incompetente e o supercompetente irrealista. É só escolher.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

António Costa passa sempre entre os intervalos da chuva



Nos últimos dias, a pressão de socráticos e soaristas tinha uma intenção: fragilizar Seguro e pavimentar o caminho para António Costa. Quando a direita acabar de arrumar a casa que foi desarrumada pelo PS, quando o ajustamento estiver concluído, quando as exportações representarem quase 50% do PIB, então, aí sim, o PS poderá voltar ao poder. E, claro, não poderá voltar com o acólito inseguro. Nada disso. Tem de regressar com o preferido da corte de "Lesboa" , o Dr. António Costa, o senhor da inexplicável boa imprensa. Sim, inexplicável. Estamos a falar de um homem que fez parte dos governos que afundaram Portugal na última década e meia (Guterres e Sócrates). Na Câmara, não melhorou. Além de não ter resolvido os problemas clássicos da cidade, o Dr. Costa inventou um problema novo: a recolha do lixo. E na Rotunda? Este Santo Graal da esquerda demonstrou prepotência e cometeu erros que enterrariam qualquer outro político. Mas o Dr. Costa não é qualquer um.

O Dr. Costa é um ungido, está acima da crítica, está acima da transparência institucional. Exemplos? Olhe-se para o caso que está a passar entre os intervalos da chuva: contra um pedido do Público e contra as ordens de dois tribunais, o Dr. Costa não quer tornar público um relatório municipal que aponta falhas graves na adjudicação de empreitadas. O Público pediu o relatório em 2011, mas o Dr. Costa impediu o acesso do jornal ao documento. Segundo o presidente da CML, a divulgação do relatório "abre caminho a que todas as decisões políticas fiquem sujeitas ao escrutínio público". Portanto, transparência institucional é uma ameaça à boa governação de esquerda. Dois tribunais já decidiram contra a Câmara, mas o Dr. Costa recorreu para o Tribunal Constitucional (TC), o tal que tem governado em nome do PS.

Este caso é interessante, porque ilustra bem o momento do país. Um dos senadores da esquerda, o Dr. Costa, recusa submeter-se aos freios e contrapesos, invocando o velho argumento jacobino e republicano - a autonomia do poder, que se lixe Montesquieu. E repare-se que estamos a falar de uma fiscalização de uma política já feita e não de um travão judicial sobre uma política que está por fazer. Ora, isto sucede na altura em que os freios e contrapesos do sistema estão numa campanha deliberada para impedir a governação de um governo de direita. Depois dos acórdãos do TC, uma juíza resolveu impedir o encerramento executivo da Maternidade Alfredo da Costa, numa clara infracção da separação de poderes. Moral da história? A esquerda nem sequer permite a fiscalização dos freios e contrapesos, levando a um défice de separação de poderes; a direita é impedida de governar pelos freios e contrapesos, num cenário marcado pelo excesso da separação de poderes. A III República é dos socialistas, o seu a seu dono.

sábado, 20 de julho de 2013

A culpa é do PS

Concordo com o Palavrossaurus Rex relativamente à situação que, infelizmente o nosso país está a atravessar:

O PS é uma nódoa. 
Tudo o que o PS fez no passado agudizou os problemas portugueses do presente e basta isso para não merecer qualquer espécie de felicitações pelos próximos cem anos. Tudo o que o PS faz no presente é empatar. O PS não disse que não. Fingiu voz grossa. O não de hoje, impostura e fingimento, será o sim de joelhos amanhã. O PS não é mais decente nem menos que aquela gente do PSD e do CDS. 
Se formos a falar de demagogia, na medíocre competição demagógica entre a Esquerda e a Direita Portuguesas, não há defesa possível para ninguém, mas a necessidade fisiológica de flagelar as nádegas da Esquerda e da Direita pelos próximos cinquenta anos. 
Além de ser uma nódoa, o PS é medíocre, filho da mediocridade económica-financeira do dr. Soares, sobrinho da mediocridade intelectual do coiso Alegre. 
Foi o PS que governou os últimos treze anos e fez deslizar Portugal para a Bancarrota. Não foi o PSD e o CDS. Foi o PS que armadilhou as Contas Públicas com um número infindável de ónus, dívidas, trapalhadas, swap, PPP, dívidas, dívidas, dívidas, compromissos pesadíssimos aos contribuintes pelos anos e as décadas, o que explica parte da necessidade de ir além da Troika, se tal, mesmo exigindo muitos mais sacrifícios no curto prazo ao povo português, significasse menos sacrifícios por menos anos e o fim dos sacrifícios em poucos anos. Não foi o PSD e o CDS. Foi o PS que deixou as empresas públicas de transportes num estado verdadeiramente calamitoso, com resultados operacionais negativos, défices acumulados. Era o PS que desorçamentava inúmeras parcelas que agora comparecem nos exercícios orçamentais, passando anos a disfarçar a real dimensão da dívida, tal como fizera o último Governo Grego, antes da respectiva bancarrota. 
Um Estado miserável, esventrado, apenas útil à cambada de rapaces e parasitas da política, um Estado assim herdado não permite que se cumpra com facilidade um único resultado positivo em termos de indicadores económicos e sociais, coisa aliás consistente com o facto de estarmos sob resgate, com um magno problema de dívida pública, da qual é preciso sair segundo a realdade e não os nossos mais generosos e voluntaristas desejos. Foi o PS que apresentou Orçamentos sucessivamente eleitoralistas e demagógicos. Nunca foi o caso do PSD e o CDS no pós-pré-bancarrota. 
Antes da demissão do Ministro das Finanças Vítor Gaspar, o PS já vinha exigindo eleições antecipadas e a rasura constituicional da Maioria Parlamentar, pressionando dia sim, dia sim, o Presidente para sampaionar. 
O PS não tem moral para apontar o dedo à Srª Swap porque foi sobretudo sob ministros e sob a caução do Governo Socialista que todos os Mr. Swap e Mrs. Swap swaparam. O PS não demitiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, mas dentro do PS, o dr. Soares conspirou, suspirou e espirrou para que Portas rompesse com a coligação, a Ala Socratista frequentou o insulto grosseiro e frequente à instituição Presidente, e nunca nos foi dado a perceber com que força negocial à partida pode este PS forçar a mão da Troyka a parar a austeridade e outros delírios que constam das propostas socialistas nas pseudo-negociações desta semana. 
O PS deveria saber que para o Presidente da República a remodelação do Governo só faria sentido caso a realidade do País e os desafios da intervenção externa nesta fase crucial não exigissem mais força, mais coesão, uma só voz dos partidos da governabilidade, mesmo para atendimento das ideias, argumentos e sugestões que o PS quisesse apresentar à Troyka com o apoio do PSD e do CDS-PP. 
Se o Presidente da República perdeu a confiança no PSD e no CDS-PP, acabou de perder também a confiança no PS, que terá de se haver com os problemas acrescidos que a fraqueza negocial da parte portuguesa passe a comportar, sem este acordo. Se o Presidente da República não tem confiança no PSD, nem no CDS, nem no PS, por que razão haveria de suscitar eleições para delas surdisse um empate técnico Direita/Esquerda ou mesmo um enfraquecimento eleitoral italiano do PS, do CDS e do PSD?! 
O povo português foi muito claro em 2011: estava na hora de limpar a sujeira, a rapacidade e os frutos danosos que PS relegara a quem viesse depois. Quem é o PS para dizer que o PS não deve fazer nada para que o povo português se veja livre da Troyka, no prazo previsto?! A verdade também é esta. Não é nada líquido que o PS chegue ao poder. É, sim, muito provável que, em coligação do tipo Bloco Central, vá pôr em prática, porque obrigado, políticas muito piores que as dos últimos dois anos, pois tempo é dinheiro e quer o Presidente quer o PS têm-no malbaratado. 
Foi o PS que pariu a bancarrota de que esta crise é um mero pormenor formal e um episódio picaresco definidor da merda de classe política que nos coube em sorte. Se houver eleições imediatas, num horizonte tão crítico e tão passível de incerteza interna e externa, rodeados de países em crise semelhante ou até pior, como a Espanha e a França, uma crise que promete explodir, Portugal e os portugueses ficarão ainda mais vulneráveis, serão os únicos prejudicados, serão ainda mais prejudicados. 
Ontem o PS rompeu o que já se sabia que iria romper. Fê-lo com pompa. A política-puta ganhou. A política chula triunfou. A classe política em Portugal quer experimentar toda a espécie de fauna à frente dos nossos destinos. Depois de um perfeito delinquente, Sócrates, de um neo-salazar frágil, como Passos, já espreita e vem sorrindo uma merda politiqueira qualquer com medo dos animais ferozes e cricas vorazes do próprio partido, Seguro.

Como esfolar um gato

Nicolau Santos, no Expresso:


Estamos na terceira semana de crise política. O país espera que saia fumo branco das negociações entre PSD, CDS e PS. E o Presidente da República instiga os partidos a despacharem-se. Pelo meio, teremos uma moção de censura ao Governo apresentada pelos Verdes. 
Como é óbvio, esta moção de censura dá a mão ao Governo e entala o PS. O primeiro-ministro disse-o claramente: "a moção de censura é muito bemvinda". Assim, o Governo dispensa-se de ser ele a ter de apresentar uma moção de confiança. E enquanto neste caso o PS votaria contra sem nenhum problema, no caso de uma moção de censura passa a estar numa posição mais difícil. 
E mais difícil porque é obviamente contraditório estar a negociar um acordo de salvação nacional com os partidos que sustentam o Governo e ao mesmo tempo votar uma moção de censura que assenta precisamente na crítica à política conduzida pelo Executivo, que o PS partilha. A opinião pública vai ter dificuldade em perceber esta contradição. 
Por outro lado, ao aceitar o repto do Presidente, o PS corre o sério risco de vir a ser responsabilizado pelo falhanço das negociações - e logo de estar contra o interesse nacional. E corre esse sério risco porque não se vê como o PS possa concordar com o corte de 4,7 mil milhões na despesa pública, com as novas regras aplicadas aos funcionários públicos, com a manutenção da enorme carga fiscal sobre os portugueses - tudo coisas que seguramente terão de estar nesse acordo. Ou então terá de ser rasgado o memorando assinado com a troika, coisa que não está em cima da mesa. 
Tudo visto e revisto, o PS teria sido avisado em deixar nas mãos do Presidente a resolução da crise, ou aceitando a remodelação do Governo ou avançando para eleições antecipadas. Ao aceitar negociar, o PS coloca-se a jeito para se tornar o bode expiatório do eventual falhanço da solução de salvação nacional que o Presidente pediu. 
António José Seguro só poderia ter aceite o reprto do Presidente, desde que logo à partida colocasse condições, porque neste momento é ele que está em melhor posição. Ao não o fazer, caiu na armadilha que lhe estenderam. Qualquer que seja o resultado do acordo, o PS sairá sempre pior desta situação. E mesmo a liderança de Seguro passa a estar em risco.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

E quando Mota Pinto deitou a mão a Soares...

Concordo com o ponto de vista do Banda Larga!

Esta personagem ridícula continua a insistir invadir-nos com as suas opiniões que ninguém pediu


Esta é a terceira vez que Portugal entra em bancarrota. Em 1982 coube ao Prof Mota Pinto juntar-se a Mário Soares para salvar o país. Tal como agora, o povo debatia-se com um imenso desemprego, a fome assolava a península de Setúbal, as empresas pagavam juros que chegavam aos 30%. Falências aos milhares. Mas Mário Soares tinha moeda própria, foi possível recuperar mais rapidamente mas com muito sofrimento. 
Agora temos Mário Soares contra a coligação que nessa altura tanto desejou. É só senilidade ou é não saber envelhecer? Dizem que os maus vinhos azedam com a idade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estão mesmo a tentar salvar a nação?

Relativamente à situação política do nosso país, a crónica de Pedro Tadeu, que diz tudo o que precisa de ser dito sobre o tal "compromisso de salvação nacional":

O que é um acordo de salvação nacional? O que significa salvar o País? O que se quer salvar? Quem se quer salvar? 
Os políticos do PSD, PS e CDS que negoceiam umas frases para um papel onde ficará timbrado o percurso para essa dita salvação nacional são os dirigentes dos partidos responsáveis pelo percurso político de Portugal nos últimos 30 anos. São estes os partidos que levaram o Estado, oito vezes secular, à ruína, à perda de independência económica e ao abandono de uma parte da sua soberania política. 
Os líderes do PSD, PS e CDS, que discutem agora como erguer os três pilares que suportarão o edifício da suposta salvação nacional, são dirigentes dos mesmos partidos que a golpes de incompetência, ganância, corrupção e inconsciência arruinaram a administração central, empurraram milhares e milhares de pessoas para o abismo da miséria e criaram no seu estômago a fome voraz, monstruosa, que só foi saciada com o alimento do crime económico e financeiro, como denunciam os nomes PPP, BPN ou Swaps. 
Estes são partidos onde medrou gente que na política, nas empresas e no mundo financeiro utilizou abusivamente dinheiros europeus, banalizou faturas falsas, cultivou fugas aos impostos, a "contabilidade criativa", promoveu a construção desenfreada, os atentados ecológicos e urbanísticos, a dependência excessiva do crédito e mais e mais e mais... 
Os negociadores do PSD, PS e CDS são dirigentes de partidos que precisam de ser salvos, perdidos na imoralidade carreirista, na servidão aos interesses externos, na dependência eleitoralista, na ambição pequenina, na mediocridade dos seus quadros, no caciquismo dos seus autarcas. 
O Presidente da República pediu, com urgência, para estes partidos salvarem Portugal mas eles não têm capacidade para isso. Primeiro, repito, eles precisavam de se salvar e isso demora muito mais tempo do que chegar a acordo para marcar eleições, o valor limite do défice e a redução a prazo da dívida pública. É mesmo mais difícil do que fazer uma reforma do Estado sensata e inteligente. 
Os partidos convocados por Cavaco Silva, os partidos que se intitulam a si próprios "partidos do arco da governação" são, na verdade, os partidos do sistema que nos levou até aqui, à beira da perdição. 
A missão destes partidos, independentemente das lutas internas e das tricas que os separam, não é a "salvação nacional" é, lamento constatar, a "salvação do sistema", a salvação dos seus vícios. Pode até ser que, para isso, assinem um acordo e melhorem as contas do Estado, mas, no final, acho com tristeza, a nação não ficará salva.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Relatório PPP

Este texto, retirado do Aventar ilustra bem a categoria de alguns políticos que, infelizmente para nós, continuam a ter protagonismo.
Haja punição para os autores das governações desastrosas que originaram este imenso buraco onde nos atolaram!

Quem veio a terreiro contestar com marginalidades o argumentário do Relatório da Comissão das PPP, e logo com um sorriso cheio de dentes plantado no rosto, foi o deputado do PS, Rui Paulo Figueiredo. Mais uma relíquia do socratismo no respectivo grupo parlamentar. Para o improvisado porta-voz dos Governo Sócrates, que não do PS, os factos elencados pelo relatório pouco importam. A primeirinha coisa a fazer, antes de mais, foi politizá-los reduzindo-os à longa batalha politiqueira medíocre entre o danoso Partido Socialista e o desastrado PSD, faces da mesma moeda má do Regime. O que é que aflige e afadiga o risonho e anafado Rui Paulo Figueiredo?! Não é o facto de os contribuintes e o Estado Português estarem esmagados de compromissos e de dívidas à Banca que financiou as PPP, esmagados pelas obrigações do Estado aos concessionários protegidos por cláusulas leoninas. Isso é uma bagatela para o Ruizinho.

O que incomoda é que a Comissão de Inquérito das Parcerias Público-Privadas não tenha abortado as suas conclusões, mas tenha feito uma encenação, uma manobra de diversão para afastar a Opinião Pública da realidade e da actual governação troyko-europeia por interposto Governo-PSD-CDS-PP. Será uma encenação que paguemos de modo grotesco o que resultou da avidez obreira desmedida e comissionista dos Governos Sócrates, apesar do acidente que se desenhava a grande velocidade?! E por que razão não veio José António Seguro ele-mesmo [ou uma qualquer figura grada bem falante de segundo plano, e não de terceiro ou quarto, como o jovem turco Rui Paulo] defender as virtudes da dívida massiva resultante das derradeiras PPP do socratismo?! Conviria recordar ao rotundo Rui Paulo que o desastre de uma governação como a que porventura decorrerá é o desastre do País que é o resultado de anos de desastre pela Corrupção de Estado instituída, que é o desastre do eleitoralismo crasso do passado, que é o desastre de figuronas desastrosas como a pessoa inefável e pomposa do político José Sócrates, vicioso e tresloucado, no seu vácuo berlusconas-mugabeano, de seis anos da imagem pela imagem. Nem o mais competente governante poderia branquear as responsabilidades do Arco da Governação na pré-bancarrota de 2011, branquear os efeitos daninhos de quinze anos de socialismo, branquear os frutos amargos de décadas de Corrupção-de-Regime, estagnação económica, agonia financeira, declínio anímico, imoralidade política, submissão ao Plutossocialismo dos soares e dos salgados, queda de Portugal no vexatório mundial, sob vários pontos de vista.

A comissão das PPP acusa, e acusa bem, os responsáveis, não do PS, mas dos Governos-PS e eles têm nome, convém não diluir no vago aquilo que teve assinaturas e decisores, não em nome do Interesse Público e das Gerações Futuras, mas contra eles e em benefício de uma amálgama de gente, parte dela na sombra e à sombra, os Bancos do costume, os interesses habituais, transversais, BES-MotaEngil, como consta do documento. Não pode haver duas versões para a mesma desgraça: por que motivo Rui Paulo não tirou o sorrisinho dental de menino de bibe e não assumiu alguma coisa em nome dos Governos PS?! Por que motivo nunca encontramos o PS a assumir excessos, erros, abusos, a purgar-se da viciosa Corrupção-de-Regime?! Por que motivo nos acontece ouvir os rui-paulo-figueiredos, os zorrinhos, os joão-soares, os josé-junqueiros, as suas justificações e disparos, e ainda ficar a dever dinheiro e desculpas e mil-perdões ao PS, aos deputados do PS, aos dirigentes do sacrossanto PS?! É com esta Esquerda-que-não-se-Enxerga que Portugal pode contar para sair do buraco para onde foi atirado?! Nada menos ético que o PS passar o tempo a sacudir a água do capote e a refugiar-se em desculpas menores como as queixinhas pela divulgação do documento antes de ter chegado às papudas mãos dos deputados do único partido autorizado a governar em Portugal, o PS. Por que motivo o PS parece nunca não ter violado a Constituição, mas defraudou três vezes o País com bancarrotas, arruinando-o?! Por que motivo o PSD não pode violar a Constituição e a lei para tentar tirar-nos dos apertos actuais em que a outra gerência nos colocou?! Por que motivo o PS e o resto da Esquerda Pudica se mostram guardiões da Constituição no momento da aflição, mas não se lhes ouve pio no tempo do regabofe e do caminho em direcção à parede?!

Os Governos Sócrates foram a derradeira cortina de fumo, biombo de malfeitorias, a grande charla do Regime, à vista do grande espalhanço. Espero que o Ministério Público pegue nos factos, nas provas deste Relatório e faça qualquer coisa de inédito e até inesperado nesta Podridão Politiqueira em socorro da qual Rui Paulo é mais um, mais um a fugir com o rabo gorducho à seringa das evidências, boca risonha repleta de dentes desalinhados à revelia da nossa tragédia.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A nova esquerda é igual à velha

Uma aproximação do PS à esquerda, a acontecer, deve ser no campo dos valores e não no campo partidário, porque um e outro não são a mesma coisa.

soares

A esquerda anda em alvoroço. Na semana passada, decorreram duas conferências (uma nacional e outra internacional) cujo propósito foi o de lançar as bases para uma nova esquerda - leia-se uma esquerda onde caibam vários protagonistas e vários partidos. O que significam estas movimentações? "É o começar de qualquer coisa", disse um dos intervenientes. Pois. Só falta descobrir o quê.

A "próxima esquerda" terá de integrar partidos políticos e movimentos sociais. Esta convicção, sublinhada na conferência internacional, obteve a concordância de todos, incluindo António José Seguro. O mote para a conferência nacional, uns dias depois, estava lançado: "os partidos de esquerda têm de se entender de uma vez por todas". Porquê? De acordo com Vasco Lourenço, porque "a população está sedenta que isso aconteça". Mário Soares, promotor da coisa, concorda: há a "necessidade absoluta de o país ter um governo de esquerda" pois "este governo já não é legítimo, foi eleito por engano". Os alvos eram a austeridade e o governo, mas Cavaco Silva não escapou aos disparos. Perante uma plateia que vociferava sempre que ouvia o seu nome, Mário Soares responsabilizou o Presidente da República pela violência que atingirá as ruas num futuro incerto. Seguro não esteve presente.

Há quem se tenha entusiasmado com isto, sem entender que nada disto é novo e que disto nada de novo sairá. Tudo isto é velho - como Soares. É velha a crença de que a esquerda manda no regime. É velha a convicção de que só é legítimo o governo que a esquerda aceitar. É velha a manipulação retórica das eleições (se a esquerda perde é porque o povo se enganou). É velha a tentação de ser porta-voz da vontade do povo, que só a esquerda conhece. E é velho o apelo à violência popular, que só é legítima se alinhada com a esquerda. Achar que aqui está um novo futuro para a esquerda é, forçosamente, uma ilusão.

Isto leva-nos ao problema de fundo destas conferências e demais iniciativas de união das esquerdas: como é que se pode preparar o futuro sem discutir ideias? De facto, evento atrás de evento, a única coisa que ficamos a saber é que, nessa nova esquerda, terão de caber socialistas, comunistas, trotskistas, capitães de Abril e Sampaio da Nóvoa. A aproximação tenta-se, pelos vistos, pela convivência e não pelas ideias políticas.

Percebe-se porquê. No campo das ideias políticas não dá. Num dia, o PS de António José Seguro defende "mais tempo para consolidar as contas públicas". No outro, ouvem-se apelos à radicalização: "não há alternativa com memorando, o que foi roubado terá de ser devolvido", exclamou Cecília Honório (BE) com a concordância do PCP que, para não se ficar, piscou o olho à saída do euro e exigiu a renegociação, incluindo a recusa da componente "ilegítima da dívida". Não admira que, por mais que Soares insista, António José Seguro se mantenha longe. De facto, não parece boa ideia o PS aproximar-se de quem, sendo governo, rebentaria as contas públicas num trimestre.

Estas iniciativas conduzem a uma dupla evidência: uma nova política de esquerda só depende do PS, e só será de facto nova se o PS, no seu debate interno, decidir romper com os interesses instalados que, por constituírem a sua base eleitoral, continua a proteger. Uma aproximação do PS à esquerda, a acontecer, deve ser no campo dos valores e não no campo partidário, porque um e outro não são a mesma coisa. Todo o resto da discussão é paisagem, muitos excessos retóricos e os protagonistas de sempre.

Alexandre Homem Cristo in iOnline (03-06-2013)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O regresso de Sócrates

Sócrates vive em Paris mas regularmente vem a Portugal e encontra-se com os seus fiéis.
Ele sabe que tão cedo não poderá voltar à política activa, mas quer ter peões bem colocados para, quando chegar o momento, dispor de meios para agir.
E, de qualquer modo, vai condicionando os equilíbrios e as jogadas no PS.

A esse respeito, uma coisa pode António José Seguro ter como certa: mais cedo ou mais tarde a vingança de Sócrates chegará, fazendo-o pagar a ‘falta de lealdade’ demonstrada em momentos decisivos.
Seguro foi dos poucos que mantiveram alguma distância em relação a Sócrates quando este era primeiro-ministro – e Sócrates não é do género de perdoar as ofensas.

Na semana passada, quando nada o fazia prever, os socráticos saíram da toca e deram um sinal de vida.
Tudo começou com uma frase de António Costa, que atacou António José Seguro por não assumir a herança política de José Sócrates.
«Pode criticar-se o passado ou elogiar-se o passado, não se pode é fingir que o passado não existe» – disse o actual presidente da Câmara de Lisboa.
Esta referência implícita de Costa ao antigo líder foi vista como um gesto de simpatia, que não tardaria a ser retribuído: Pedro Silva Pereira, habitual ‘porta-voz’ de Sócrates, veio pedir a antecipação do Congresso, abrindo caminho à candidatura de António Costa à liderança.

E logo a seguir veio o ex-ministro Vieira da Silva dizer o mesmo.
Os socráticos aliavam-se, pois, a António Costa para fazerem uma tenaz a Seguro e o tirarem da liderança socialista.
Seguro e os seus homens reagiram, porém, com inesperada rapidez e determinação.
Falaram em «traição», chamaram todos os nomes aos adversários, tocaram a rebate, reuniram as tropas e prepararam-se para o combate.

Certo de ter a máquina do partido na mão, Seguro avançou para a antecipação do Congresso, tentando não dar tempo a António Costa para preparar convenientemente a candidatura.
Num primeiro momento Costa reagiu, e os jornalistas e alguns apoiantes chegaram a dar a sua candidatura como certa.
Mas subitamente recuou, após perguntar enigmaticamente a Seguro se era capaz de «unir o partido».
Unir como e quem – se era ele, aparentemente, o primeiro factor de desunião?
Ou não era – e António Costa referia-se aos socráticos? (sendo curioso ter aparecido no Rato com Pedro Silva Pereira ao lado).

Toda esta história é muito estranha, e dela é António Costa quem sai pior.
Começa a ser visto como um novo António Vitorino – que é muito bom, muito inteligente, muito preparado, mas não é capaz de avançar para a liderança.
Os socráticos já tinham dito de sua justiça: queriam uma antecipação do Congresso e esperavam que António Costa se candidatasse.

Ora, o Congresso vai ser antecipado, mas Costa não se candidatará.
Resta saber como reagirão a esta desistência os apoiantes de José Sócrates.
E dois casos se podem dar: ou arranjam outro candidato ou António Costa fará nova pirueta e passará de ex-candidato e de ex-não-candidato outra vez a candidato.
Uma coisa é certa: os sócráticos não gostam de Seguro – e, depois do que se passou, a guerra ainda ficou mais acesa.
Basta ver o comportamento de alguns indefectíveis do ex-primeiro-ministro ou ler os seus textos para se perceber que eles já afiavam facas e tudo farão para deitar Seguro abaixo.

Querem voltar a lugares de decisão no PS, querem que a herança de Sócrates seja respeitada, querem que o próprio Sócrates volte a ser idolatrado e a ter uma posição de destaque.
E sabem que, com Seguro, isso dificilmente acontecerá.
A candidatura de António Costa à liderança do PS seria o primeiro acto da recuperação da imagem pessoal de José Sócrates e do regresso dos socráticos à primeira linha do partido.
Mas essa tentativa falhou.

Como Sócrates é persistente, não acredito que desista.
Através de Costa ou de outro qualquer, contem com ele nos próximos episódios da batalha socialista.

Fonte: Sol Online

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Quem se esquece do PS?


À semelhança de boa parte dos portugueses, as trapalhadas internas do PS interessam-me tanto quanto um concurso filatélico. Aliás, reconheço nem saber ao certo de que trapalhadas falamos. Parece que a impopularidade do Governo e uns pulinhos difusos nas intenções de voto convenceram o dr. Seguro de que chegara a sua hora. Parece que os herdeiros do eng. Sócrates, entusiasmados pelos mesmos peculiares motivos, querem remover o dr. Seguro e colocar alguém "confiável" no seu lugar. Parece que António Costa, cuja enorme relevância começou anteontem a ser inventada, é a escolha "natural" dos socialistas que se afirmam alternativa à austeridade. Conforme avisei, a coisa é de facto aborrecida. Excepto para um psiquiatra.

Fora do manicómio em que os políticos indígenas cirandam, os estragos causados nos últimos anos bastariam para erradicar o PS do mapa político. Dentro do manicómio, o PS não apenas se acha no direito de reclamar o retorno antecipado ao poder como julga mais provável consegui-lo na exacta versão que, de desastre em desastre, o levou a perder esse poder. O dr. Seguro, faça-se-lhe a honra, quis mostrar-se envergonhado das proezas do partido e, sem grandes resultados, tentou disfarçá-lo sob o verniz da responsabilidade. O dr. Costa não tem vergonha nenhuma e, se o pernicioso regresso aos mercados não lhe trocar as sondagens, pondera apresentar-se às massas enquanto o orgulhoso representante dos desvarios que condenaram as massas a apertos sem fim à vista. Se nada garante que tamanha extravagância vá longe, a sua mera plausibilidade é suficiente para recear a falta de memória e de juízo do bom povo.


Mesmo no futebol, que não será um universo particularmente lúcido ou vital, é difícil imaginar os sócios do Benfica ansiosos por devolver à presidência aquele fulano que costuma gravitar entre os luxos de Londres e a cadeia. Na política, porém, é teoricamente possível reabilitar com leveza o sicrano que, após reduzir uma população à penúria, experimenta, alegadamente a expensas da família e da banca, as delícias de Paris (mas não, salvo seja, a cadeia). Os apóstolos do sicrano andam desejosos de terminar o lindo serviço que iniciaram, e o próprio já é um nome "óbvio" para Belém. Um país assim dá sempre vontade de rir. Mas raramente dá vontade de habitar.

Alberto Gonçalves
Fonte: DN

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Seguro debaixo de fogo


A confusão no PS aumentou profundamente!

Se bem se recordam foi Sérgio Sousa Pinto o primeiro a reclamar um congresso antecipado, pedido a que na altura ninguém ligou, porque apareceu embrulhado numa delirante declaração de que tal se devia ao facto de que "a ala situacionista-parlamentarista-pós-socialista enfrenta a ala oficialista-situacionista-ratista-neo-socialista e a nova sensibilidade europeista-situacionista-ex-socialista-anti-tabagista". Só que, depois de Sérgio Sousa Pinto, tanto Pedro Silva Pereira como Vieira da Silva apareceram em termos bastante mais sérios a reclamar um congresso antes das autárquicas. Uma vez que todos eles são socráticos, parece claro que se trata de uma estratégia concebida pelo exilado de Paris, provavelmente no jantar que teve recentemente em Lisboa.

A explicação da estratégia socrática é simples. Seguro, para ser Primeiro-Ministro, só precisa de chegar às autárquicas, que irão dar uma vitória esmagadora ao PS, uma vez que o eleitorado tenderá a punir o Governo pela quebra de compromissos eleitorais do Primeiro-Ministro e pela absoluta indiferença que tem demonstrado em relação aos sacrifícios que todos os dias exige aos portugueses. Depois da vitória nas autárquicas, ninguém conseguirá desalojar Seguro da liderança, pelo que só terá que esperar que o poder lhe caia nas mãos. No fundo, foi o mesmo que aconteceu com Durão Barroso, que toda a gente no PSD criticava, até ao momento em que venceu as autárquicas, sendo logo a seguir eleito Primeiro-Ministro. É por isso urgente para os apoiantes de Sócrates derrubar Seguro antes das autárquicas.

A urgência é ainda maior pelo facto de que a pessoa que este grupo escolheu para substituir Seguro, António Costa, está em sérios riscos de perder a Câmara de Lisboa. Quem aqui vive assiste perplexo a uma cidade com cada vez menos mobilidade, tendo primeiro o Terreiro do Paço ficado intransitável, a que se seguiu o Marquês de Pombal, onde se gastou uma fortuna apenas para infernizar a vida aos automobilistas. E o lixo acumula-se nas ruas, sendo que a Câmara, em vez de o recolher, prefere fazer uma campanha a pedir aos lisboetas para o guardarem em casa… Fernando Seara, sendo um mau candidato, é uma figura simpática, não ligada ao Governo, a quem os lisboetas podem aderir apenas para terminarem com o desastre da gestão de António Costa. Claro que o mesmo já tinha ensaiado a estratégia socrática de baixar os impostos em ano eleitoral para depois os subir no ano seguinte, mas a Assembleia Municipal não lhe permitiu essa estratégia, o que ainda mais o põe em risco nestas eleições.

Ora, António Costa sabe que a Câmara de Lisboa, se pode ser um trampolim para altos vôos, como aconteceu com Jorge Sampaio, também pode ser um desastre definitivo em caso de derrota. Veja-se o que aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa e João Soares, cuja carreira política nunca mais recuperou da derrota em Lisboa, estando hoje os mesmos limitados a discutir uma questão tão transcendente como se o primeiro telefonou ou não a Mário Soares. Se António Costa for derrotado em Lisboa, António José Seguro fará uma full house nas autárquicas. Não só ganhará o país, como se livrará definitivamente do seu maior rival no partido.

António José Seguro assiste hoje por isso a um cerco dentro do seu próprio partido. Em resposta limitou-se a perguntar inocentemente qual é a pressa em realizar o Congresso? Recebeu logo a resposta de outro socrático, José Lello, que assumiu estar o grupo mesmo cheio de pressa para o deitar abaixo. Conseguirá Seguro resistir a este ataque?

Governo – 1, PS – 0: O treinador não esteve à altura do desafio


Em menos de 24 horas o governo conseguiu anular quase completamente o discurso da oposição, conseguindo a proeza de cair em cima do PS e de António José Seguro com toda a “artilharia pesada”, num momento em que este ensaiava uma estratégia de afirmação de uma alternativa para além das palavras. 

Vejamos como:

Num primeiro momento, quando foi conhecido o pedido de “mais tempo”, timidamente anunciado pelo ministro Vítor Gaspar, Seguro reagiu em força e com pompa afirmando que “o PS tinha razão” porque já o dissera há muito tempo. Logo a seguir, o sibilino mas muito inteligente vice-presidente do PSD, Moreira da Silva, veio responder que a estratégia do Governo foi “adequada” e a do PS “incorrecta“ (…) contradizendo Seguro e afirmando que “o que o PS vem defendendo era mais tempo, mais troika, mais crédito. O que se verificou foi o contrário. O Governo conseguiu cumprir metas, deu resultados.”

Entretanto, o governo puxou da cartola “regresso aos mercados”, ligando os dois acontecimentos e enquadrando-os na ”teoria da credibilidade”, desviando assim as atenções das suas óbvias contradições do “nem mais tempo nem mais dinheiro” e fazendo spin para a discussão do sucesso (garantido) da operação financeira.

Entre criticar o governo pelo atraso no pedido de “mais tempo” e congratular-se com o segundo – o “regresso aos mercados” – o PS ficou sem estratégia e sem resposta às críticas que lhe caíram em cima, vindas de várias vozes da maioria: Pires de Lima, na Antena 1, desancou Seguro, acusando-o “de ter andado nos últimos dias a fazer “figuras tristes” com as suas declarações políticas”; nas televisões, os banqueiros louvam o “sucesso” do governo e, no Parlamento, o deputado do PSD, Luís Meneses, faz-se de escandalizado com as “politiquices”do PS em resposta ao PS e à restante oposição que desvalorizaram o papel do governo valorizando o do Banco Central Europeu.

Até a ridícula reacção de Paulo Portas, pondo-se em bicos de pés, a “confessar que se empenhou pessoalmente nesta tomada de posição do Governo junto das instituições europeias“ passou despercebida.

O PS parece não ter percebido que não era o momento de entrar em disputa sobre o mérito ou o demérito das duas acções empreendidas pelo governo. Mostrar-se prudente, como fez o deputado João Almeida, o único que reagiu com inteligência, teria sido a posição adequada, já que o PS parece ter sido surpreendido pelos acontecimentos, o que é, aliás, inexplicável no maior partido da oposição, que tinha obrigação de antecipar os acontecimentos das últimas 24 horas e preparar uma reacção integrada e coerente. Para isso é que servem os contactos internacionais e os gabinetes de estudos dos partidos.

Como se isso não bastasse, o PS enredou-se em declarações públicas de dirigentes, pedindo antecipação do congresso do partido para preparar uma eventual “crise política” dando um sinal de divisão e desnorte causador da maior perplexidade. De facto, falar em “crise política” no momento em que os media falam de “grande sucesso do governo” é qualquer coisa de insólito e inesperado.

Passada a euforia da maioria e o contentamento dos banqueiros, espera-se que o PS mostre ao País o que significa o “regresso aos mercados” e “o mais tempo” sem mais dinheiro e como é que os portugueses vão beneficiar do sucesso conseguido, ou, pelo menos, apregoado.

Depois, poderá, com calma, preparar o seu congresso.

Ontem, o treinador não esteve à altura do desafio e sofreu um golo na própria baliza.

Fonte: Vai e Vem

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