Mostrar mensagens com a etiqueta Troika. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Troika. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A troika e a "troica"

“ A troika e a
João Miguel Tavares, Público 23/07/2013

Adorei ouvir Alberto Martins dizer que, com a decisão de Cavaco Silva, "vai ficar tudo na mesma". Ai não vai, não: António José Seguro e o PS vão ficar muito pior do que aquilo que estavam após a tentativa de suicídio político de Paulo Portas. O acordo de salvação nacional que o Presidente da República desejava não se concretizou, é verdade, mas concretizou-se algo muito importante: a demonstração de que o Partido Socialista, que levou o país à bancarrota, continua um navio de loucos, habitado pelos restos furiosos do socratismo, tomado pelos delírios juvenis de Mário Soares, e desgovernado pela quilométrica incompetência de Seguro, o homem que quer a troika mas não a austeridade.

Em bom rigor, Seguro não quer a troika. Quer, sim, a "troica", segundo as boas regras do Novo Acordo Ortográfico, adoptado nos documentos oficiais do Partido Socialista. E deve ser porque a troika e a "troica" não são a mesma entidade que ele acha que se pode dirigir ao país anunciando orgulhosamente que o PS defendeu, nos encontros para o compromisso de salvação nacional, as seguintes medidas: aumentar o salário mínimo, aumentar as pensões mais baixas, estender o subsídio de desemprego, diminuir o IVA da restauração, reduzir o IRC, criar um programa de emergência para apoiar os desempregados, mobilizar fundos comunitários para a formação profissional, recusar a privatização da TAP, Águas de Portugal, RTP e CGD, atirar a gestão da dívida acima de 60% do PIB para o colo da Europa, exigir que a componente nacional dos fundos comunitários destinada ao investimento fique de fora das contas do défice, repor os níveis anteriores do complemento social para idosos e do rendimento social de inserção, valorizar a contratação colectiva e criar um banco de fomento.

Não sei se me esqueci de alguma coisa. Mas sei isto: a "troica" que existe na cabeça dos socialistas, tal como o unicórnio e a fadinha dos dentes, talvez pudesse aceitar aquelas medidas. A troika que existe na realidade, jamais. E é isso que é tão ofensivo nesta proposta de António José Seguro: ela pressupõe que Portugal é habitado por 10 milhões de idiotas, que acham perfeitamente razoável o PS apresentar-se nas negociações para obter um compromisso de salvação nacional sem ter uma única medida - nem uma só para disfarçar - que proponha cortes na despesa do Estado.

Mas esperem. Segundo António José Seguro explicou em entrevista à SIC, o PS não entrou "num processo negocial", mas sim "num processo de diálogo". Ele dialogou, não negociou. O que é um diálogo sem negociação quando se quer chegar a um compromisso? Perguntem ao comandante do navio dos loucos. Seguro está tão ocupado a barricar-se no Largo do Rato que diz tudo o que for preciso para parecer de esquerda. "Leiam as nossas propostas", pediu ele aos portugueses. "São 20 páginas." Por acaso, o compromisso do PS tem 11 páginas. É um aumento superior ao do IVA na restauração, mas 11 ou 20 ou 4,7 milhões - quem está a contar? É o mesmo rigor que leva o partido a não quantificar aquilo que propõe.
Quantos pontos iria aumentar o défice se fosse aplicado o seu compromisso? Nenhum, porque iríamos crescer à brava! O que nós percebemos, graças a Seguro, é que mais depressa se reforma Portugal do que o PS. Agradeçamos, pois, ao Presidente por ter tornado isso tão claro. Nas próximas legislativas, a opção vai ser entre o realista incompetente e o supercompetente irrealista. É só escolher.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Funcionários públicos: enterrados vivos

O Governo, ao engendrar um sistema maquiavélico de despedimentos na função pública, vai conseguir fazer algo de extraordinário: enterrar pessoas vivas.

Como o vai fazer é diabólico. Os funcionários públicos passam de uma posição aparentemente favorável (segurança no emprego), para uma situação pífia e histriónica, despedindo sem mais nem menos).

A jactância desta situação é insólita e torna o funcionário público refém de uma estratégia delineada exactamente, por quem é em parte culpado, do endividamento até ao tutano do nosso querido País.

A morbidez desta situação é que o funcionário público é enterrado vivo e é ele que faz a cova onde vai ser enterrado, pois ao longo desta crise têm-lhe sido cortados (pá a pá) direitos como vencimento, subsídio, acesso à saúde, etc.

O caricato desta situação é que se exige tudo e não se lhe dá nada ou muito pouco. Manda-se embora do pé para a mão e dá-se uma indemnização, porém se essa indemnização passar os 47 000euro euros, não a recebe, depois não tem direito a subsidio de desemprego, como qualquer trabalhador tem acesso. Por fim, nunca mais pode trabalhar num organismo público. O que é isto senão enterrar uma pessoa viva? Coartar a possibilidade de refazer ou tentar refazer a sua vida como acontece, num comum funcionário privado que é despedido e pode ir para o privado ou até para o público.

Como vai viver um funcionário que fez mais de 34 anos de descontos, mais de 55 anos, até à idade de reforma? Provavelmente pedir, roubar, perder a dignidade ou suicidar-se. Alguém está atento a este drama e flagelo social que aí vem?

O funcionário público é o alvo a abater, perseguido, existe um racismo persecutório contra o funcionário público criado por este Governo e outros. O funcionário público é um privilegiado, um malandro, etc.

Ponho à vossa consideração, alguém com mais de 55 anos que receba uma indemnização amputada do seu valor real (deveria receber 90 000euro mas só recebe 47 000euro, como pode viver até chegar à idade de reforma?

Como é possível passar-se de forma instantânea de uma situação normal para uma situação de precipício?

Um funcionário público, antes, era enterrado morto como toda a gente, agora vai ser enterrado vivo.

Joaquim Jorge in DN

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cavaco: qual senilidade, qual carapuça!


Foram às dezenas aqueles que, na blogosfera e sobretudo no Facebook, falaram de senilidade a propósito das declarações que Cavaco fez ontem sobre uma eventual intervenção de Nossa Senhora de Fátima na aprovação da troika.
Puro erro: já lá vão 24 anos, era então o actual presidente da República um garboso primeiro ministro à beira de chegar aos 50 e já não escondia a sua devoção político-religiosa pela Cova da Iria. Ou não se teria deslocado às cerimónias do 13 de Maio de 1989, «a título pessoal» mas devidamente acompanhado por três dos seus dilectos ministros: Leonor Beleza, Silva Peneda e Silveira Godinho.
Mas não é o único responsável desta República laica a nos declarar publicamente sob a asa protectora da Virgem. Um outro, que também ainda anda por aí, disse, já lá vão os nove anitos: «Eu acho que Portugal, na crise do 'Prestige', (...) foi muito ajudado por aquilo que eu, que sou crente, acho que foi uma intervenção de Nossa Senhora». Quem foi, quem foi?
Bem podiam ir agora ambos de rojo à Cova da Iria, para ver se a dita Virgem os mandava dar uma enorme volta ao bilhar grande...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Declaração do 1º ministro

Para quem não teve oportunidade de ouvir, fica a Declaração de Pedro Passos Coelho (PM) na sequência da declaração de inconstitucionalidade de várias normas do OE 2013 pelo Tribunal Constitucional.



terça-feira, 19 de março de 2013

O que aí vem não vai ser bom...

Nenhum político gosta de dar más notícias ao povo. Em situações de crise, essa atitude é agravada pelo facto dos políticos estarem convencidos que as boas notícias animam as pessoas e que o optimismo é meio caminho andado para se resolverem os problemas. Por isso, os governantes nunca dizem a verdade completa aos governados. Mesmo quando estão perante o abismo. Muitos deles acreditam mesmo que são capazes de dar a volta aos factos, conseguindo fazer em pouco tempo e sem recursos o que não foram capazes de fazer quando tinham uma coisa e a outra. Estes são, de longe, os que podem provocar os piores danos, porque estão completamente alheados da realidade, da sua própria e da do país em que têm responsabilidades. Ainda há pouco tempo assistimos a José Sócrates a resistir ao pedido de ajuda económica, convencido que ainda conseguiria evitar a bancarrota, quase seis anos depois de dispor do país como, infelizmente, muito bem quis. Vitor Gaspar não levou o país à bancarrota, porque ele já lá estava quando assumiu funções, nem dispôs de meios faraónicos para o recuperar, mas emprestou o seu nome a uma estratégia de recuperação que não podia resultar. E disso é inquestionavelmente responsável.

Ora, o que se passa hoje com Portugal é por demais evidente para qualquer cidadão que não tenha responsabilidades políticas, nem adorações ideológicas ou partidárias que o ceguem. Por motivos que já nem interessa discutir, o estado e o país estão tecnicamente falidos, por isto se querendo dizer que não produzem a riqueza suficiente para pagar a sua despesa pública e a dívida que ela acumulou ao longo dos anos. Para reverter esta situação seria necessária uma radical redução dos custos correntes do estado, que nenhum governante tem coragem de assumir, porque provocaria uma hecatombe social de efeitos graves e imediatos. Infelizmente, o estado foi somando erros sobre erros, durante muitos anos, na forma como foi lidando com os cidadãos e nas expectativas que lhes criou sobre o modo como deviam conduzir as suas vidas: confiando sempre na existência de direitos económicos inalienáveis, que o estado lhes garantiria caso lhes falhassem. Desgraçadamente, um modelo social paternalista, imobilista e inimigo da produção e da responsabilidade individual com anos e anos de consolidação, não se substituiu em pouco tempo por um modelo económico produtivo e empresarial.

O que o governo português tem feito, aplicando as regras, impostas pela troika, de uma gestão racional, desenhada para tempos de crise, mas de relativa normalidade, tem sido tapar buracos, sem verdadeiramente conseguir fechar nenhum, e aguardando que um milagre – as exportações, a União Europeia, um tecido empresarial cada vez mais frágil – inverta a situação e salve o país. Porque, a não ser um milagre (no qual José Sócrates também acreditava, convencido que a sua inflexibilidade atemorizaria os credores e a União Europeia), o país só pode agravar mais ainda a sua situação financeira e o défice das contas públicas.

De facto, por cada aumento de impostos para alimentar o défice aumentam as falências, com as falências aumenta o desemprego, com o desemprego aumentam necessariamente os subsídios e os apoios do estado, crescendo, assim, o défice público em vez de diminuir, como se pretendia com as medidas fiscais. Por outro lado, a falência das nossas empresas não resulta do livre jogo do mercado, no que seriam facilmente substituídas por outras, não resulta nem da concorrência, nem da insatisfação dos consumidores, mas da pura e simples destruição do mercado, provocada pelo excessivo intervencionismo do estado que asfixiou fiscalmente as empresas e as pessoas, e descapitalizou os bancos que as podiam apoiar nos momentos de dificuldade. Neste cenário, como pode conceber-se uma recuperação da economia portuguesa que simultaneamente pague uma gigantesca dívida pública, equilibre a despesa corrente do estado (sempre necessariamente crescente em momentos de crise social) e ainda consiga criar empresas, emprego e riqueza que sustentem tudo isto, num cenário de crescimento desmesurado da carga fiscal e dos custos de produção? Isto é materialmente impossível, como é óbvio.

Por outro lado, a solução socialista de suportar a dívida pública e produzir «crescimento» económico injectando dinheiro na economia, a velha fórmula que, no fim de contas, nos trouxe até aqui, é, ela também, uma impossibilidade evidente. Porque, por um lado, não temos esse dinheiro nem ninguém que no-lo empreste, e, por outro, se ainda tivéssemos ao nosso alcance a rotativa que produz moeda fiduciária (o Dr. Mário Soares sugeriu, há semanas, que a ligássemos novamente…), não estaríamos a fazer nada mais do que produzir folhas de papel com o símbolo da República, que apenas contribuiriam para aumentar a inflação e empobrecer ainda mais o país.

Portugal está, deste modo, numa encruzilhada sem saída à vista. Com Passos e Gaspar, com outro Gaspar qualquer que Passos possa nomear, com Tozé ou Costa, o país já não depende de si mesmo, muito menos dos políticos que eufemisticamente o governam ou possam vir a governar nos próximos anos. Como qualquer empresa irremediavelmente falida, Portugal está inteiramente nas mãos dos seus credores e da União Europeia, na qual está política e economicamente integrado, e que é uma espécie de fiador das soberanias que a compõem. Estes, por sua vez, demonstram sinais crescentes de nervosismo e impaciência nunca antes vistos na história da União, como ficou bem claro com a intervenção no Chipre, que é um sério aviso e ameaça à navegação.

Neste momento, a única coisa que podemos ter quase como certa, e que a 7ª auditoria da troika se limitou a confirmar, é que o que aí vem não vai ser bom.

Fonte: Blasfémias

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A espiral recessiva


A expressão ‘espiral recessiva’ tem estado nas bocas do mundo. Vejamos então do que se trata. A ‘austeridade’ – ou seja, cortes na despesa pública ou aumento dos impostos – gera, normalmente, uma imediata redução da actividade económica e um aumento do desemprego.

Estes, por si só, contribuem para aumentar a despesa pública (pense-se, por exemplo, no número acrescido de desempregados a subsidiar) e para reduzir a receita fiscal.

Existe um efeito do défice na economia e um da economia no défice, sendo que o segundo efeito contraria o primeiro; ou, se se preferir, uma acção e uma reacção que atenua a resultante daquela. Uma situação de ‘espiral recessiva’ existe quando a queda do produto, provocada pela austeridade, impede que se alcancem determinadas metas de redução do défice (o tal efeito da economia no défice), o que exige mais austeridade para tentar cumprir essas metas a qual, por sua vez, vai provocar uma nova queda do produto e, assim, sucessivamente. No fundo, medicina medieval: sangra-se o paciente e, se não resultar, sangra-se novamente.

Acredito que Portugal corre o risco de entrar nesta espiral ou de, pelo menos, ver os objectivos do défice comprometidos por uma contracção da actividade superior ao projectado.

Mas é importante notar que esta situação de vulnerabilidade decorre menos de decisões específicas do Governo, do que dos termos do acordo com a troika. Em particular, decorre de um acordo que estabelece uma trajectória de ajustamento muito rápida ancorada em objectivos nominais (para usar os termos de Christine Lagarde) para o défice. O sucesso do seu cumprimento depende de uma parte que o Governo controla e de outra, difícil de prever, que não.

Mas, não obstante estes riscos, o país não deve, nem pode, entrar em incumprimento do acordo assumido há apenas ano e meio pelo PSD, PS e CDS nem, por sua iniciativa, tentar alterar os seus termos. O rombo na credibilidade teria efeitos terríveis no longo prazo – pense-se, por exemplo, na atracção de financiamento externo, quer seja dívida quer seja investimento directo –, precisamente numa altura em que a descida das taxas de juro da dívida indicia que o regresso aos mercados é possível em breve. A reconciliação do irreconciliável só pode ser feita com a compreensão e o apoio das instâncias europeias, como aliás já ocorreu na extensão do período de ajustamento e na redução os juros no passado Verão. O mesmo terá de acontecer se, por circunstâncias alheias ao Governo, as metas não puderem ser cumpridas.

José Ferreira Machado

Fonte: Sol

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

FMI e os despedimentos na Educação

De acordo com o Jornal de Negócios o FMI elaborou um estudo onde aponta caminhos:



São vários os caminhos para a reforma do Estado. Todos são dolorosos e uns são mesmo classificados como radicais.
O FMI diz que chegou a hora de fazer mudanças “inteligentes” para cortar na despesa.

Uma leitura rápida do que foi publicado permite, por um lado, perceber que se trata do mesmo – o FMI não sabe outro caminho e sugere corte atrás de corte quando todos já perceberam que não é por aí!

No entanto, o detalhe de algumas medidas, no que diz respeito à Educação, mostram que há algum caminho feito na reflexão de carácter técnico, ou seja, parece que já meteram a mão na massa:
“colocar 30 a 50 mil funcionários da educação na mobilidade especial permitira poupar entre 430 e 710 milhões;”


”a mobilidade especial permitiria (…) reduzir custos e recolocar professores (…) incentivo de desempenho aos que querem ficar de fora das listas de mobilidade”;
”o FMI propõe o aumento do horário de trabalho para as 40 horas (…) permitiria poupar 150 milhões”; 
”Somando a esta alteração o aumento da carga lectiva dos docentes, com o respectivo alargamento das aulas de 45 para 60 minutos (…) poupanças de 300 milhões”;

Ora, qualquer destas medidas tem um objectivo apenas – poupar dinheiro, algo que também seria conseguido com o encerramento puro e simples das escolas ou com o envio de alguns milhares de docentes para um campo de concentração.

Aumentar o horário de trabalho, em relação ao que existe hoje, só é possível, destruindo a Escola – ninguém aguenta mais aulas e mais alunos sem que isso traga um prejuízo real para os alunos, mas com esses parece que ninguém está muito preocupado!

No estado em que as coisas estão, o pessoal está por tudo, mas os alunos não! E não podemos ficar em silêncio perante estas propostas sem qualquer tipo de sentido!

Por outro lado e num outro texto, a receita é entregar aos Privados a Escola Pública – quanto a esta questão, a reportagem da TVI de há uns tempos dá uma excelente resposta!

Partilha