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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estão mesmo a tentar salvar a nação?

Relativamente à situação política do nosso país, a crónica de Pedro Tadeu, que diz tudo o que precisa de ser dito sobre o tal "compromisso de salvação nacional":

O que é um acordo de salvação nacional? O que significa salvar o País? O que se quer salvar? Quem se quer salvar? 
Os políticos do PSD, PS e CDS que negoceiam umas frases para um papel onde ficará timbrado o percurso para essa dita salvação nacional são os dirigentes dos partidos responsáveis pelo percurso político de Portugal nos últimos 30 anos. São estes os partidos que levaram o Estado, oito vezes secular, à ruína, à perda de independência económica e ao abandono de uma parte da sua soberania política. 
Os líderes do PSD, PS e CDS, que discutem agora como erguer os três pilares que suportarão o edifício da suposta salvação nacional, são dirigentes dos mesmos partidos que a golpes de incompetência, ganância, corrupção e inconsciência arruinaram a administração central, empurraram milhares e milhares de pessoas para o abismo da miséria e criaram no seu estômago a fome voraz, monstruosa, que só foi saciada com o alimento do crime económico e financeiro, como denunciam os nomes PPP, BPN ou Swaps. 
Estes são partidos onde medrou gente que na política, nas empresas e no mundo financeiro utilizou abusivamente dinheiros europeus, banalizou faturas falsas, cultivou fugas aos impostos, a "contabilidade criativa", promoveu a construção desenfreada, os atentados ecológicos e urbanísticos, a dependência excessiva do crédito e mais e mais e mais... 
Os negociadores do PSD, PS e CDS são dirigentes de partidos que precisam de ser salvos, perdidos na imoralidade carreirista, na servidão aos interesses externos, na dependência eleitoralista, na ambição pequenina, na mediocridade dos seus quadros, no caciquismo dos seus autarcas. 
O Presidente da República pediu, com urgência, para estes partidos salvarem Portugal mas eles não têm capacidade para isso. Primeiro, repito, eles precisavam de se salvar e isso demora muito mais tempo do que chegar a acordo para marcar eleições, o valor limite do défice e a redução a prazo da dívida pública. É mesmo mais difícil do que fazer uma reforma do Estado sensata e inteligente. 
Os partidos convocados por Cavaco Silva, os partidos que se intitulam a si próprios "partidos do arco da governação" são, na verdade, os partidos do sistema que nos levou até aqui, à beira da perdição. 
A missão destes partidos, independentemente das lutas internas e das tricas que os separam, não é a "salvação nacional" é, lamento constatar, a "salvação do sistema", a salvação dos seus vícios. Pode até ser que, para isso, assinem um acordo e melhorem as contas do Estado, mas, no final, acho com tristeza, a nação não ficará salva.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Consenso à vista?

Trata-se de uma exelente notícia!

A maioria das medidas apresentadas ontem na Assembleia da República pelo PS, numa agenda para o crescimento, foram aprovadas pelo PSD e pelo CDS. Numa altura em que o discurso está a mudar quer em termos europeus quer em termos nacionais, este consenso é ouro sobre azul. "

Mais importante do que a medida A ou B, é o facto de as propostas de António José Seguro terem tido uma recepção bastante positiva no Parlamento, até do lado da bancada do PSD e do CDS. Esta convergência de posições é positiva, numa altura em que o País precisa urgentemente de consensos à volta dos temas estruturais da economia, sejam do lado do crescimento, sejam do lado das reformas.
Aliás, o PSD, ao mesmo tempo que diz que mais de 50% das medidas do PS "merecerão o apoio desta bancada", diz igualmente que "também é importante discutirmos a reforma do Estado". Que é como quem diz: ‘Nós apoiamos as vossas medidas para o crescimento, e vocês apoiam, dentro do possível, a nossa reforma do Estado'.
O que aconteceu ontem no Parlamento é um passo na direcção certa!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Novo partido que participe na solução...

É cada vez mais evidente que a criação do BE não constituiu uma mais valia para a governação do país. Já tínhamos o PCP que nunca encontrou soluções conjuntas com o PS para governar em coligação. Arranjou aquela desculpa conhecida por "abraço de urso". Quer dizer, juntar-se ao PS ser-lhe-ia fatal. O PCP não esquece que todos os partidos comunistas europeus que governaram, desapareceram. É claro, que o PCP e o BE só podem oferecer a lua fora da governação, os milagres só acontecem na oposição irresponsável e em Fátima.

O BE acabou por se converter numa cópia do PCP, menos genuíno e com menos representatividade. O país tem que preparar-se para que os partidos actuais saiam da sua zona de conforto, se baralhe e se dê de novo. Começar com a criação de um novo partido pode ser um bom arranque.


Fonte: Banda Larga

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Quem se esquece do PS?


À semelhança de boa parte dos portugueses, as trapalhadas internas do PS interessam-me tanto quanto um concurso filatélico. Aliás, reconheço nem saber ao certo de que trapalhadas falamos. Parece que a impopularidade do Governo e uns pulinhos difusos nas intenções de voto convenceram o dr. Seguro de que chegara a sua hora. Parece que os herdeiros do eng. Sócrates, entusiasmados pelos mesmos peculiares motivos, querem remover o dr. Seguro e colocar alguém "confiável" no seu lugar. Parece que António Costa, cuja enorme relevância começou anteontem a ser inventada, é a escolha "natural" dos socialistas que se afirmam alternativa à austeridade. Conforme avisei, a coisa é de facto aborrecida. Excepto para um psiquiatra.

Fora do manicómio em que os políticos indígenas cirandam, os estragos causados nos últimos anos bastariam para erradicar o PS do mapa político. Dentro do manicómio, o PS não apenas se acha no direito de reclamar o retorno antecipado ao poder como julga mais provável consegui-lo na exacta versão que, de desastre em desastre, o levou a perder esse poder. O dr. Seguro, faça-se-lhe a honra, quis mostrar-se envergonhado das proezas do partido e, sem grandes resultados, tentou disfarçá-lo sob o verniz da responsabilidade. O dr. Costa não tem vergonha nenhuma e, se o pernicioso regresso aos mercados não lhe trocar as sondagens, pondera apresentar-se às massas enquanto o orgulhoso representante dos desvarios que condenaram as massas a apertos sem fim à vista. Se nada garante que tamanha extravagância vá longe, a sua mera plausibilidade é suficiente para recear a falta de memória e de juízo do bom povo.


Mesmo no futebol, que não será um universo particularmente lúcido ou vital, é difícil imaginar os sócios do Benfica ansiosos por devolver à presidência aquele fulano que costuma gravitar entre os luxos de Londres e a cadeia. Na política, porém, é teoricamente possível reabilitar com leveza o sicrano que, após reduzir uma população à penúria, experimenta, alegadamente a expensas da família e da banca, as delícias de Paris (mas não, salvo seja, a cadeia). Os apóstolos do sicrano andam desejosos de terminar o lindo serviço que iniciaram, e o próprio já é um nome "óbvio" para Belém. Um país assim dá sempre vontade de rir. Mas raramente dá vontade de habitar.

Alberto Gonçalves
Fonte: DN

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Governo – 1, PS – 0: O treinador não esteve à altura do desafio


Em menos de 24 horas o governo conseguiu anular quase completamente o discurso da oposição, conseguindo a proeza de cair em cima do PS e de António José Seguro com toda a “artilharia pesada”, num momento em que este ensaiava uma estratégia de afirmação de uma alternativa para além das palavras. 

Vejamos como:

Num primeiro momento, quando foi conhecido o pedido de “mais tempo”, timidamente anunciado pelo ministro Vítor Gaspar, Seguro reagiu em força e com pompa afirmando que “o PS tinha razão” porque já o dissera há muito tempo. Logo a seguir, o sibilino mas muito inteligente vice-presidente do PSD, Moreira da Silva, veio responder que a estratégia do Governo foi “adequada” e a do PS “incorrecta“ (…) contradizendo Seguro e afirmando que “o que o PS vem defendendo era mais tempo, mais troika, mais crédito. O que se verificou foi o contrário. O Governo conseguiu cumprir metas, deu resultados.”

Entretanto, o governo puxou da cartola “regresso aos mercados”, ligando os dois acontecimentos e enquadrando-os na ”teoria da credibilidade”, desviando assim as atenções das suas óbvias contradições do “nem mais tempo nem mais dinheiro” e fazendo spin para a discussão do sucesso (garantido) da operação financeira.

Entre criticar o governo pelo atraso no pedido de “mais tempo” e congratular-se com o segundo – o “regresso aos mercados” – o PS ficou sem estratégia e sem resposta às críticas que lhe caíram em cima, vindas de várias vozes da maioria: Pires de Lima, na Antena 1, desancou Seguro, acusando-o “de ter andado nos últimos dias a fazer “figuras tristes” com as suas declarações políticas”; nas televisões, os banqueiros louvam o “sucesso” do governo e, no Parlamento, o deputado do PSD, Luís Meneses, faz-se de escandalizado com as “politiquices”do PS em resposta ao PS e à restante oposição que desvalorizaram o papel do governo valorizando o do Banco Central Europeu.

Até a ridícula reacção de Paulo Portas, pondo-se em bicos de pés, a “confessar que se empenhou pessoalmente nesta tomada de posição do Governo junto das instituições europeias“ passou despercebida.

O PS parece não ter percebido que não era o momento de entrar em disputa sobre o mérito ou o demérito das duas acções empreendidas pelo governo. Mostrar-se prudente, como fez o deputado João Almeida, o único que reagiu com inteligência, teria sido a posição adequada, já que o PS parece ter sido surpreendido pelos acontecimentos, o que é, aliás, inexplicável no maior partido da oposição, que tinha obrigação de antecipar os acontecimentos das últimas 24 horas e preparar uma reacção integrada e coerente. Para isso é que servem os contactos internacionais e os gabinetes de estudos dos partidos.

Como se isso não bastasse, o PS enredou-se em declarações públicas de dirigentes, pedindo antecipação do congresso do partido para preparar uma eventual “crise política” dando um sinal de divisão e desnorte causador da maior perplexidade. De facto, falar em “crise política” no momento em que os media falam de “grande sucesso do governo” é qualquer coisa de insólito e inesperado.

Passada a euforia da maioria e o contentamento dos banqueiros, espera-se que o PS mostre ao País o que significa o “regresso aos mercados” e “o mais tempo” sem mais dinheiro e como é que os portugueses vão beneficiar do sucesso conseguido, ou, pelo menos, apregoado.

Depois, poderá, com calma, preparar o seu congresso.

Ontem, o treinador não esteve à altura do desafio e sofreu um golo na própria baliza.

Fonte: Vai e Vem

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ser líder, hoje

A propósito de António José Seguro, um líder já não se afirma apenas pelas qualidades que as doutrinas clássicas identificaram para o definir. Os media são hoje parte essencial do processo de construção, afirmação e destruição de um líder.

Nas sociedades democráticas e pluralistas, os média constituem-se como o “ambiente” em que a luta e a acção política se exercem. Cabe-lhes o poder de decidir quem tem voz no espaço público mediático e quem não tem. Esse é um dos seus maiores poderes, juntamente com o de selecção e edição, que cabe aos jornalistas, isto é, o poder de decidir o que deve ser visto, lido e ouvido, quando e como o deve ser. (Não falo agora do “outro” espaço semi-público, o espaço virtual criado com a internet, principalmente os desenvolvimentos proporcionados pela web 2.0. , nomeadamente as redes sociais.)

Cingindo-me, aos media tradicionais, eis os desafios que um líder político enfrenta, principalmente em Portugal, onde existem, a nível do sistema mediático, algumas particularidades, como sejam, três canais informativos emitindo 24 horas diárias de informação, para além de canais generalistas de cobertura nacional com os telejornais mais longos da Europa (a RTP aproxima-se agora dos modelos europeus).

Um líder político, seja o chefe do governo ou o “principal” da oposição (deixo por comodidade, os “secundários”), enfrenta permanentemente, entre nós, “fogo cerrado” vindo dos media – na rádio, nos jornais e nas televisões.

De manhã, o líder (do governo ou da oposição) acorda e depara-se logo com dezenas de espaços de opinião onde as mais diversas pessoas comentam, criticam, ridicularizam, raramente elogiando, alguma declaração, entrevista, decisão ou manifestação verbal ou escrita do líder. Se o líder responde ou manda alguém fazê-lo por ele, logo nos espaços mediáticos seguintes das rádios, televisões e respectivas edições on-line incluindo dos jornais, uma chusma de “opinadores” salta a comentar as explicações já não apenas do líder mas de quem falou pelo líder.

De manhã e à tarde há os fóruns das rádios e das televisões. O “povo” entra pelas antenas e os “especialistas” vão aos estúdios responder às massas. Falem do que falarem o alvo é sempre o líder.

À noite os canais do cabo chegam em força com os seus espaços de debate e comentário. São, pelo menos, quatro horas em cada um dos três canais informativos – 12 horas diárias só à noite, em que políticos a favor e contra os líderes “principais” debatem e comentam o que disseram os “principais” ou alguém por eles. É assim durante toda a semana, incluindo aos sábados e aos domingos onde os canais informativos do cabo não lhes dão descanso.

Mas não fica por aqui o “cerco” aos líderes: nos intervalos dos espaços informativos, como se de publicidade se tratasse, as rádios e as televisões passam pequenas peças com excertos do que de mais ridículo, absurdo, ou patético, os “principais” disseram ou fizeram: frases, olhares, gestos, etc., tudo serve para “retratar” o líder. Alguma afirmação mais “marcante” passará mil vezes durante semanas ou meses, mesmo que tenha sido desmentida, não importando se foi descontextualizada porque o spot está gravado, o alinhamento feito e não há que tirá-lo.

E assim os que comentam e debatem sem tempo nem staffs que ouçam por eles tudo o que se diz, comentam e discutem o que ouviram a outros que, por sua vez, ouviram na rádio e na televisão o que outros disseram, não importa quando nem com que fundamento e com que rigor.

Podia ser de outra maneira? Não podia. Porque a voracidade dos media não pára e é insaciável. Como se alimentariam tantas horas de debate? Onde encontrar quem estude, analise, comente e explique a realidade e não o seu simulacro?

Como é que um líder, resiste a isto? Não resiste. Pode ganhar eleições, governar algum tempo com algum “descanso”, que será sempre de curta duração. Pode continuar a liderar o governo ou a oposição mas o destino está traçado: os políticos não prestam porque mesmo que prestem os media precisam sempre de alguém, de muitos “alguéns”, que diga que eles não prestam. E temos, assim, que não chegamos a saber quais os que verdadeiramente prestam e quais os que não prestam!

Fonte: Vai e Vem

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