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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Seguro debaixo de fogo


A confusão no PS aumentou profundamente!

Se bem se recordam foi Sérgio Sousa Pinto o primeiro a reclamar um congresso antecipado, pedido a que na altura ninguém ligou, porque apareceu embrulhado numa delirante declaração de que tal se devia ao facto de que "a ala situacionista-parlamentarista-pós-socialista enfrenta a ala oficialista-situacionista-ratista-neo-socialista e a nova sensibilidade europeista-situacionista-ex-socialista-anti-tabagista". Só que, depois de Sérgio Sousa Pinto, tanto Pedro Silva Pereira como Vieira da Silva apareceram em termos bastante mais sérios a reclamar um congresso antes das autárquicas. Uma vez que todos eles são socráticos, parece claro que se trata de uma estratégia concebida pelo exilado de Paris, provavelmente no jantar que teve recentemente em Lisboa.

A explicação da estratégia socrática é simples. Seguro, para ser Primeiro-Ministro, só precisa de chegar às autárquicas, que irão dar uma vitória esmagadora ao PS, uma vez que o eleitorado tenderá a punir o Governo pela quebra de compromissos eleitorais do Primeiro-Ministro e pela absoluta indiferença que tem demonstrado em relação aos sacrifícios que todos os dias exige aos portugueses. Depois da vitória nas autárquicas, ninguém conseguirá desalojar Seguro da liderança, pelo que só terá que esperar que o poder lhe caia nas mãos. No fundo, foi o mesmo que aconteceu com Durão Barroso, que toda a gente no PSD criticava, até ao momento em que venceu as autárquicas, sendo logo a seguir eleito Primeiro-Ministro. É por isso urgente para os apoiantes de Sócrates derrubar Seguro antes das autárquicas.

A urgência é ainda maior pelo facto de que a pessoa que este grupo escolheu para substituir Seguro, António Costa, está em sérios riscos de perder a Câmara de Lisboa. Quem aqui vive assiste perplexo a uma cidade com cada vez menos mobilidade, tendo primeiro o Terreiro do Paço ficado intransitável, a que se seguiu o Marquês de Pombal, onde se gastou uma fortuna apenas para infernizar a vida aos automobilistas. E o lixo acumula-se nas ruas, sendo que a Câmara, em vez de o recolher, prefere fazer uma campanha a pedir aos lisboetas para o guardarem em casa… Fernando Seara, sendo um mau candidato, é uma figura simpática, não ligada ao Governo, a quem os lisboetas podem aderir apenas para terminarem com o desastre da gestão de António Costa. Claro que o mesmo já tinha ensaiado a estratégia socrática de baixar os impostos em ano eleitoral para depois os subir no ano seguinte, mas a Assembleia Municipal não lhe permitiu essa estratégia, o que ainda mais o põe em risco nestas eleições.

Ora, António Costa sabe que a Câmara de Lisboa, se pode ser um trampolim para altos vôos, como aconteceu com Jorge Sampaio, também pode ser um desastre definitivo em caso de derrota. Veja-se o que aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa e João Soares, cuja carreira política nunca mais recuperou da derrota em Lisboa, estando hoje os mesmos limitados a discutir uma questão tão transcendente como se o primeiro telefonou ou não a Mário Soares. Se António Costa for derrotado em Lisboa, António José Seguro fará uma full house nas autárquicas. Não só ganhará o país, como se livrará definitivamente do seu maior rival no partido.

António José Seguro assiste hoje por isso a um cerco dentro do seu próprio partido. Em resposta limitou-se a perguntar inocentemente qual é a pressa em realizar o Congresso? Recebeu logo a resposta de outro socrático, José Lello, que assumiu estar o grupo mesmo cheio de pressa para o deitar abaixo. Conseguirá Seguro resistir a este ataque?

Governo – 1, PS – 0: O treinador não esteve à altura do desafio


Em menos de 24 horas o governo conseguiu anular quase completamente o discurso da oposição, conseguindo a proeza de cair em cima do PS e de António José Seguro com toda a “artilharia pesada”, num momento em que este ensaiava uma estratégia de afirmação de uma alternativa para além das palavras. 

Vejamos como:

Num primeiro momento, quando foi conhecido o pedido de “mais tempo”, timidamente anunciado pelo ministro Vítor Gaspar, Seguro reagiu em força e com pompa afirmando que “o PS tinha razão” porque já o dissera há muito tempo. Logo a seguir, o sibilino mas muito inteligente vice-presidente do PSD, Moreira da Silva, veio responder que a estratégia do Governo foi “adequada” e a do PS “incorrecta“ (…) contradizendo Seguro e afirmando que “o que o PS vem defendendo era mais tempo, mais troika, mais crédito. O que se verificou foi o contrário. O Governo conseguiu cumprir metas, deu resultados.”

Entretanto, o governo puxou da cartola “regresso aos mercados”, ligando os dois acontecimentos e enquadrando-os na ”teoria da credibilidade”, desviando assim as atenções das suas óbvias contradições do “nem mais tempo nem mais dinheiro” e fazendo spin para a discussão do sucesso (garantido) da operação financeira.

Entre criticar o governo pelo atraso no pedido de “mais tempo” e congratular-se com o segundo – o “regresso aos mercados” – o PS ficou sem estratégia e sem resposta às críticas que lhe caíram em cima, vindas de várias vozes da maioria: Pires de Lima, na Antena 1, desancou Seguro, acusando-o “de ter andado nos últimos dias a fazer “figuras tristes” com as suas declarações políticas”; nas televisões, os banqueiros louvam o “sucesso” do governo e, no Parlamento, o deputado do PSD, Luís Meneses, faz-se de escandalizado com as “politiquices”do PS em resposta ao PS e à restante oposição que desvalorizaram o papel do governo valorizando o do Banco Central Europeu.

Até a ridícula reacção de Paulo Portas, pondo-se em bicos de pés, a “confessar que se empenhou pessoalmente nesta tomada de posição do Governo junto das instituições europeias“ passou despercebida.

O PS parece não ter percebido que não era o momento de entrar em disputa sobre o mérito ou o demérito das duas acções empreendidas pelo governo. Mostrar-se prudente, como fez o deputado João Almeida, o único que reagiu com inteligência, teria sido a posição adequada, já que o PS parece ter sido surpreendido pelos acontecimentos, o que é, aliás, inexplicável no maior partido da oposição, que tinha obrigação de antecipar os acontecimentos das últimas 24 horas e preparar uma reacção integrada e coerente. Para isso é que servem os contactos internacionais e os gabinetes de estudos dos partidos.

Como se isso não bastasse, o PS enredou-se em declarações públicas de dirigentes, pedindo antecipação do congresso do partido para preparar uma eventual “crise política” dando um sinal de divisão e desnorte causador da maior perplexidade. De facto, falar em “crise política” no momento em que os media falam de “grande sucesso do governo” é qualquer coisa de insólito e inesperado.

Passada a euforia da maioria e o contentamento dos banqueiros, espera-se que o PS mostre ao País o que significa o “regresso aos mercados” e “o mais tempo” sem mais dinheiro e como é que os portugueses vão beneficiar do sucesso conseguido, ou, pelo menos, apregoado.

Depois, poderá, com calma, preparar o seu congresso.

Ontem, o treinador não esteve à altura do desafio e sofreu um golo na própria baliza.

Fonte: Vai e Vem

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ser líder, hoje

A propósito de António José Seguro, um líder já não se afirma apenas pelas qualidades que as doutrinas clássicas identificaram para o definir. Os media são hoje parte essencial do processo de construção, afirmação e destruição de um líder.

Nas sociedades democráticas e pluralistas, os média constituem-se como o “ambiente” em que a luta e a acção política se exercem. Cabe-lhes o poder de decidir quem tem voz no espaço público mediático e quem não tem. Esse é um dos seus maiores poderes, juntamente com o de selecção e edição, que cabe aos jornalistas, isto é, o poder de decidir o que deve ser visto, lido e ouvido, quando e como o deve ser. (Não falo agora do “outro” espaço semi-público, o espaço virtual criado com a internet, principalmente os desenvolvimentos proporcionados pela web 2.0. , nomeadamente as redes sociais.)

Cingindo-me, aos media tradicionais, eis os desafios que um líder político enfrenta, principalmente em Portugal, onde existem, a nível do sistema mediático, algumas particularidades, como sejam, três canais informativos emitindo 24 horas diárias de informação, para além de canais generalistas de cobertura nacional com os telejornais mais longos da Europa (a RTP aproxima-se agora dos modelos europeus).

Um líder político, seja o chefe do governo ou o “principal” da oposição (deixo por comodidade, os “secundários”), enfrenta permanentemente, entre nós, “fogo cerrado” vindo dos media – na rádio, nos jornais e nas televisões.

De manhã, o líder (do governo ou da oposição) acorda e depara-se logo com dezenas de espaços de opinião onde as mais diversas pessoas comentam, criticam, ridicularizam, raramente elogiando, alguma declaração, entrevista, decisão ou manifestação verbal ou escrita do líder. Se o líder responde ou manda alguém fazê-lo por ele, logo nos espaços mediáticos seguintes das rádios, televisões e respectivas edições on-line incluindo dos jornais, uma chusma de “opinadores” salta a comentar as explicações já não apenas do líder mas de quem falou pelo líder.

De manhã e à tarde há os fóruns das rádios e das televisões. O “povo” entra pelas antenas e os “especialistas” vão aos estúdios responder às massas. Falem do que falarem o alvo é sempre o líder.

À noite os canais do cabo chegam em força com os seus espaços de debate e comentário. São, pelo menos, quatro horas em cada um dos três canais informativos – 12 horas diárias só à noite, em que políticos a favor e contra os líderes “principais” debatem e comentam o que disseram os “principais” ou alguém por eles. É assim durante toda a semana, incluindo aos sábados e aos domingos onde os canais informativos do cabo não lhes dão descanso.

Mas não fica por aqui o “cerco” aos líderes: nos intervalos dos espaços informativos, como se de publicidade se tratasse, as rádios e as televisões passam pequenas peças com excertos do que de mais ridículo, absurdo, ou patético, os “principais” disseram ou fizeram: frases, olhares, gestos, etc., tudo serve para “retratar” o líder. Alguma afirmação mais “marcante” passará mil vezes durante semanas ou meses, mesmo que tenha sido desmentida, não importando se foi descontextualizada porque o spot está gravado, o alinhamento feito e não há que tirá-lo.

E assim os que comentam e debatem sem tempo nem staffs que ouçam por eles tudo o que se diz, comentam e discutem o que ouviram a outros que, por sua vez, ouviram na rádio e na televisão o que outros disseram, não importa quando nem com que fundamento e com que rigor.

Podia ser de outra maneira? Não podia. Porque a voracidade dos media não pára e é insaciável. Como se alimentariam tantas horas de debate? Onde encontrar quem estude, analise, comente e explique a realidade e não o seu simulacro?

Como é que um líder, resiste a isto? Não resiste. Pode ganhar eleições, governar algum tempo com algum “descanso”, que será sempre de curta duração. Pode continuar a liderar o governo ou a oposição mas o destino está traçado: os políticos não prestam porque mesmo que prestem os media precisam sempre de alguém, de muitos “alguéns”, que diga que eles não prestam. E temos, assim, que não chegamos a saber quais os que verdadeiramente prestam e quais os que não prestam!

Fonte: Vai e Vem

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um plano para tirar Portugal da crise...


De forma resumida, consiste no seguinte:
Com um ligeiro impulso, faz-se com que um berlinde percorra uma calha com declive negativo; no final da calha, a esfera embaterá num rato de plástico, fazendo-o mover-se na direcção de uma mulher gorda que gritará de forma estridente; o grito da mulher gorda assustará um papagaio, obrigando-o a esvoaçar; as asas do papagaio embaterão numa bola de bilhar em equilíbrio instável fazendo-a vencer a inércia; o movimento imprimido à bola fará com que esta entre num tubo no final do qual estarão alinhadas duzentas mil peças de dominó que cairão uma a uma e sequencialmente; a queda da última fará com que uma tesoura se feche, cortando um fio; o corte do fio libertará uma baqueta de metal com uma extremidade macia coberta de feltro; a baqueta mover-se-á em direcção a um gongo, embatendo a parte macia na campânula deste último; produzir-se-á um efeito de rufo que, por sua vez, terá como consequência directa o crescimento da economia a dois dígitos durante, pelo menos, cinco anos.

Dirão alguns que este plano não é grande coisa.

Respondo-lhes que o do Tó Zé parece muito menos credível.

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