segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
O guião!...
O guião para “um Estado melhor” que o vice-presidente tem andado a preparar há uma data de tempo é, formalmente, uma bosta.
A forma do documento, da sua estrutura e redacção às referências bibliográficas, faz parecer que foi literalmente depositado no papel com o mesmo cuidado com que um ruminante deposita na relva a obra da sua digestão.
E, a julgar pelo conteúdo, a vaca vivia em Fukushima!
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Verdade inconveniente!...
O problema de Portugal nunca foi o Estado! Foram sempre os “privados” mamões!
Uma equipa da TVI percorreu o país e encontrou escolas públicas vazias, em risco de fechar, cercadas por colégios privados que nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos.
Uma teia de cumplicidades que abrange ex-governantes que, depois de exercerem os cargos, passaram a trabalhar para grupos económicos detentores de muitos desses colégios, ou ex-diretores regionais de educação que fundaram depois colégios que são pagos com o dinheiro dos contribuintes.
São colégios privados, construídos de norte a sul do país e financiados pelo Estado com muitos milhões. Ao todo, são 81 colégios pagos por todos nós. Muitos deles autorizados ao lado de escolas públicas que conseguem dar resposta. O debate impõe-se, numa altura em que o Governo se prepara para mudar a lei que até agora esteve na génese dos contratos de associação. Atualmente, o que se pretende é implementar a chamada liberdade de escolha, abrindo-se caminho ao chamado cheque-ensino.
Uma equipa da TVI percorreu o país e encontrou escolas públicas vazias, em risco de fechar, cercadas por colégios privados que nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos.
Uma teia de cumplicidades que abrange ex-governantes que, depois de exercerem os cargos, passaram a trabalhar para grupos económicos detentores de muitos desses colégios, ou ex-diretores regionais de educação que fundaram depois colégios que são pagos com o dinheiro dos contribuintes.
Uma grande investigação que mostra o retrato de um país que se prepara para pagar, até ao fim deste ano, mais de 154 milhões de euros em contratos de associação.
Fonte: As Minhas Leituras
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
A democracia é uma chatice, dr. Passos
Expresso Online - 02-09-2013
Logo, acrescenta o preclaro dr. Passos, o que é necessário é bom senso para interpretar a Constituição, passando assim claramente a mensagem de que os atuais juízes do TC estão desprovidos do tal bom senso que o dr. Passos apreciaria.
O dr. Passos, que não é menos que o Prof. Cavaco, encontrou a sua força de bloqueio. Apesar de ter renovado a composição do TC, este insiste em não aprovar medidas que a Constituição não contempla.
Talvez o problema não seja, portanto, da composição do TC ou do bom senso dos juízes. Talvez o problema seja mesmo o Governo propor medidas que vão contra o texto constitucional.
É claro que os apoiantes do dr. Passos dizem que se vivem tempos excepcionais, pelo que os juízes do TC deviam interpretar a Constituição à luz desses tempos excepcionais, aprovando tudo o que o Governo mandar para apreciação.
A esses só se pode dizer que uma Constituição, que é interpretada de acordo com a espuma dos dias, não é uma Constituição, é um passador ao serviço de tudo o que o Governo quiser fazer. Então será melhor acabar com o Tribunal Constitucional e com a Constituição.
É verdade que todas as ditaduras começam por suspender os direitos constitucionais. Mas como vivemos tempos excepcionais, tudo se justifica, à luz do dr. Passos e dos seus apoiantes. Não teríamos uma ditadura pura e dura, mas uma coisa em forma de assim, como diria Alexandre O'Neill. E o país lançava-se finalmente ao progresso e ao futuro, que é o que todos queremos. Mas com a falta de bom senso dos juízes do TC, como é evidente, não vamos lá.
domingo, 15 de setembro de 2013
O melhor Bolo de Chocolate do Mundo e Arredores
- 400 g de curgete descascada
- 100 g de chocolate negro partido em pedaços pequenos
- 80 g de manteiga derretida
- 200 g de açúcar
- 200 g de farinha
- 1 colher de chá de fermento para bolos
- 40 g de cacau em pó
- 70 g de iogurte natural
- 1 ovo
Preparação
- Pré aquecer o forno a 180º e untar e polvilhar uma forma redonda sem buraco (pode ser quadrada/rectangular também).
- Colocar a curgete no copo e programar 2 seg. velocidade 5. Baixar os resíduos com uma espátula e juntar o ovo, o iogurte e a manteiga derretida. Programar 10 seg veloc. 3. Juntar o fermento, o cacau e o açúcar e programar mais 10 seg veloc.3. Juntar 100 g de farinha e programar mais 10 seg. veloc. 3. Juntar as restantes 100 g de farinha e programar mais 10 seg. veloc. 3. Juntar os pedacinhos de chocolate e envolver com a espátula.
- Colocar o preparado na forma reservada e levar ao forno durante cerca de 40 minutos. Desligar o forno e desenformar quando estiver morno.
Este bolo é extremamente húmido e fantástico de comer morno porque os pedaços de chocolate estão líquidos dentro do bolo... É maravilhoso comido com uma bola de gelado de baunilha e uma bela caneca de chá...
Um verdadeiro pecado da gula...
Hoje é domingo!
Chamar milagres às coincidencias, às circunstancias, aos acasos positivos ou negativos, verdadeiros ou encenados, aos muitos milhares de acontecimentos que o movimento terreno provoca , que ainda não conheçamos,porque não foram provados cientificamente, ou por não existirem dessa forma, não dá direito a ninguém, singular ou colectivo, Nação ou povo , seja qual for a razão ou filosofia invocadas, de os interpretar leviana e criminosamente em seu proveito , explorando o medo que o oculto possa causar, para explorar, excravizar, prender, subjugar ou matar em seu nome.
Desde que há homem no mundo que existe maldade, não conheço outra que mais ódio e morte tenha causado à nossa Natureza. (Guerras e leis em nome de Deus para gaudio dos piores homens do mundo é o que mais há e ninguém contesta pacificamente)
Deus não tem nada a ver com isto. Garanto eu!
Que todos os dias vou à missa natural , onde se pode rezar de pé, obedecendo a Deus, tal como ele se nos apresenta!
Poema de Fernando Pessoa sobre Deus?
[...] Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Que todos os dias vou à missa natural , onde se pode rezar de pé, obedecendo a Deus, tal como ele se nos apresenta!
Poema de Fernando Pessoa sobre Deus?
[...] Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Fonte: Notícias sem Censura
sábado, 14 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A entrevista a Nuno Crato
Como se pode ver no vídeo seguinte, o cheque ensino ou o apoio financeiro directo às famílias é há muito uma realidade em países que procuram novos caminhos. Como os Estados Unidos e a Suécia, para não falar na Holanda onde 70% das escolas são privadas.
Por aqui prefere-se um ministério dos professores onde a discussão se trava à volta das carreiras, dos salários e dos direitos. Uma escola centralizada e sindicalizada bem ao jeito dos países onde tudo ruiu: Ex- URSS, Cuba, Coreia do Norte...
Poderosos interesses incendeiam o país
Este verão, mais uma vez, o país arde com incêndios florestais que continuam a destruir vidas humanas, patrimónios (biológico e particular) e milhões de euros no seu combate. Só neste Agosto, em incêndios florestais, já morreram 7 bombeiros e centenas de pessoas ficaram feridas sendo esta a principal causa de morte dos bombeiros em Portugal (106 mortes desde 1980).
Nos media as principais causas apontadas estão normalmente relacionados com as condições meteorológicas (mudança do vento, altas temperaturas, etc) ou atitudes criminosas com o chamado “fogo posto”. Na realidade muitos factores contribuem para potenciar o risco de incêndios florestais em Portugal (clima, monocultura intensiva de espécies arbóreas não naturais, relevo em algumas zonas, etc) mas isso implica que nunca seremos capazes de evitar significativamente a frequência e sobretudo a dimensão desta tragédia no nosso país?
Todos os anos há um aparente unanimismo de todos os quadrantes sociais, políticos, económicos em torno da necessidade de “limpar as florestas” que tanto os bombeiros pedem mas depois nada ou quase nada muda significativamente nesta área e o “tiro” é sempre dado ao lado (por exemplo nos muitos milhões que se investem sobretudo nas empresas privadas de combate aéreo). Assim “queimam-se” dezenas de milhões de euros (só este ano mais de 70 milhões de euros), criam-se e extinguem-se entidades como a Agência para a Prevenção de Incêndios Florestais mas as metas definidas pelo próprio Plano Nacional de Defesa da Floresta continuam a não ser atingidas satisfatoriamente.
Quem ganha com um país a arder?
Após décadas de inércia (na limpeza das florestas), deparamo-nos regularmente com uma verdadeira “missão impossível”. Impossível de controlar e combater de uma forma eficaz, incêndios quando estes têm combustível em quantidades quase infinitas porque não se limpou preventivamente a floresta (de ramos, cascas, etc). Os bombeiros queixam-se (com razão) com falta de condições (meios técnicos, alimentação, turnos sem pausas, formação, etc) para combater incêndios incontroláveis e assim vamos perdendo pessoas e recursos insubstituíveis responsáveis por 10% das nossas exportações. Paradoxalmente há consenso em uma parte da solução (limpeza da floresta) mas todos os anos se investe muitos milhões “ao lado”. Porque será?
Limpar as florestas não é apenas viável como fundamental não apenas por causa do flagelo dos incêndios mas também para minorar outros graves problemas nacionais. Os benefícios da limpeza das florestas seriam múltiplos e significativos:
(1) reduzir a frequência e a dimensão de incêndios. Ao se retirar grande parte da biomassa seca que se encontra no solo da floresta (ramos secos, cascas,etc) diminui-se de uma forma significativa o potencial incontrolável de muitos incêndios reduzindo-se assim a destruição de muitas vidas, de patrimónios e de milhões de euros;
(2) criar milhares de empregos. Portugal poderia criar milhares de empregos através da biomassa (limpeza das florestas). Emprego não qualificado para limpar as florestas e qualificado para os técnicos necessários;
(3) aumentar a produção energética sustentável e mais ecológica. Portugal apresenta um potencial enorme na produção de energia através da biomassa florestal. Dessa forma poderíamos reduzir a nossa dependência de energias que contribuem para as alterações climáticas (combustíveis fósseis);
(4) combater a desertificação do interior. Portugal apresenta uma distribuição populacional contrastante entre o interior e o litoral o que se reflete em fortes problemas urbanísticos, de ambiente e de qualidade de vida para as populações. Este tipo de indústria energética estaria particularmente muito desenvolvida no interior do país levando para aí milhares de pessoas;
(5) tornar o preço da electricidade mais acessível. Aproveitando este recurso (biomassa) como fonte energética (complementar ou alternativa) e com todas as sinergias referidas anteriormente, possivelmente seria possível baixar significativamente o preço da energia eléctrica.
É certo que resolver os recorrentes incêndios de todo os anos não depende exclusivamente da limpeza prévia da floresta instalada. É sim condição indispensável. Seria também importante que em vez do Estado gastar todos os anos dezenas de milhões de euros no aluguer de transportes aéreos privados de combate aos incêndios (o que em parte pode explicar o chamado “fogo posto”) compre ou pelo menos adapte parte dos seus aviões e helicópteros para esse objectivo.
Mas ter-se-ia que ir mais longe, analisar e corrigir (e recusar) o excessivo recurso a um “tipo” de floresta (eucaliptos e pinheiros plantados como “caixas de fósforo” que por si só potencia a violência de inúmeros incêndios), organizar e completar o cadastro nacional para permitir atacar o problema dos milhares de minifúndios, porque não se sabe qual o seu dono e milhares de outros estão ao abandono, a implementação de uma plano nacional de nova floresta que faça regressar as espécies naturais (apoio à biodiversidade) que permitam uma floresta mais resistente a incêndios e tantas outras medidas que poderiam tirar do sufoco as populações e os bombeiros afectados pelas sucessivas vagas de incêndios nos verões em Portugal.
Inércia tão conveniente como criminosa, até quando?
O nosso país com cerca de um terço do seu território ocupado com florestas, silvicultura ou matas apresenta um enorme potencial nestas áreas. No entanto continuamos a ter uma utilização raquítica desta enorme riqueza (biomassa florestal) o que beneficia apenas mais uma vez outros poderosos grupos económicos (por exemplo os relacionados com os combustíveis fósseis: petróleo). Contraditoriamente ao não ser aproveitada positivamente esta enorme riqueza, mais cedo ou mais tarde, este potencial irá se demonstrar na sua forma destrutiva em mais incêndios descontrolados e com todas as suas consequências.
Quando se procura criminalizar alguém pelos incêndios fala-se essencialmente do ato criminoso de “fogo posto” mas os estudos demonstram que só uma minoria dos incêndios têm como causa “fogo posto” (apenas 20%) e que a maioria são resultado da negligência ou causas naturais. Quem são então os principais responsáveis? Lucra-se milhões com os incêndios, nomeadamente empresas privadas (dirigidas por empresários próximos dos partidos que se têm alternado no poder em Portugal há mais de 30 anos) de combate aéreo ou fábricas de celulose e por isso teremos sempre lágrimas de crocodilo face a esta tragédia nacional. Mas o que décadas de morte e destruição nos demonstram cada vez mais é assustadora influência que estes interesses conseguem exercer sobre o poder político nacional. Diferentes governos que apesar das promessas no final de cada verão, mantêm uma inércia que tem tanto de conveniente para meia dúzia de poderosos, como de criminosa face às vidas e património destruídas. Até quando?
André Pestana (Biólogo)
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Os professores
Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise.
Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.
Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada.
Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se
Valter Hugo Mãe in Jornal de Letras, 19-09-2012
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
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