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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mário Soares, anos 80... Temos memória curta!


É  esta falta  de seriedade  das nossas elites e seu líderes  que faz o povo honesto (que ainda existe), desacreditar  desta  democracia  e destas gentes, que a tudo se prestam para  satisfação dos seus egos.
Mário Soares, que se arma em autoridade moral, quando era 1º Ministro, falava assim (nesta altura ainda tinha ataques de lucidez):
Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares

Ora vejam como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses:

Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto. (DN, 27 de Maio de 1984)

Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns. (DN, 01 de Maio de 1984)

Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo. (JN, 28 de Abril de 1984)

Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal. 
(JN, 28 de Abril de 1984)

Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível.  (RTP, 1 de Junho de 1984)

A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós. (RTP, 1 de Junho de 1984)

Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos. 
(RTP, 1 de Junho de 1984)

O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente. 
(RTP, 1 de Junho de 1984)

[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores. O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego. (JN, 28 de Abril de 1984)

O que sucede é que uma empresa quando entra em falência, deve pura e simplesmente falir. Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. 
(JN, 28 de Abril de 1984)

Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre. (RTP, 1 de Junho de 1984)

Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos. (1ª Página, 6 de Dezembro de 1983)

Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários. (DN, 19 de Fevereiro de 1984)

A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar.  (RTP, 1 de Junho de1984)

A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa. (Der Spiegel, 21 de Abril de 1984)

Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á. (RTP, 31 de Maio de 1984)

A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço. (La Republica, 28 de Abril de 1984)

As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta. (Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984...)

Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais (JN, 28 de Abril de 1984)

Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida. (RTP, 1 de Junho de 1984)

Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói. (DN, 6 de Junho de 1984)


Sem comentários !!!... ou melhor, onde estão os jornalistas portugueses?!

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