domingo, 11 de março de 2018

Poderá ser este o caminho para uma revolução na educação?


Os sistemas educativos atualmente afastam as pessoas dos seus talentos naturais. Os recursos humanos são como os recursos naturais, estão geralmente no seu interior, temos de os procurar/encontrar, não estão à superfície não são facilmente visíveis.

Temos de criar as circunstâncias certas para que eles se manifestem, poderíamos pensar que esse seria o papel da educação, mas infelizmente isso não acontece.

Todos os sistemas educativos do mundo estão, frequentemente, em reformas, mas isso só não chega.

As reformas em si não servem a ninguém porque simplesmente é um arranjo de um sistema falido.
O que nós precisamos na educação não é uma evolução mas sim uma revolução.

Um dos desafios reais é inovar o fundamento dos sistemas educativos. Inovar é difícil porque significa fazer alguma coisa que para a maioria não é coisa simples. Significa meter em discussão tudo aquilo que damos como certo, as coisas que achamos óbvias.

O grande problema das reformas ou das transformações é a tirania do senso comum, quando as pessoas pensam: "Bem, sempre se fez assim não é agora que vamos mudar". Parece-me pertinente citar Abraham Lincoln (1862) que diz:"os dogmas do passado tranquilo são inadequados à tempestade presente, a situação está cheia de dificuldades e por isso devemos estar à altura da situação", e continuou "o nosso caso é novo por isso temos de pensar e de agir de um novo modo, temos de nos emancipar e só assim salvaremos o nosso país".

Continuamos hoje a fazer o que se faz há anos, apenas reformando/retocando aqui e ali mas nunca revolucionando o paradigma do sistema educativo, nem todos temos de ir para as universidades.

As comunidades humanas dependerão da diversidade de talentos não de uma formatação em massa, nem de uma concessão de habilidade singular.

E o coração dos nossos desafios é reconstruir a ideia de habilidade e de inteligência.

A universidade não pode começar na creche, a creche começa na creche, cada coisa a seu tempo.
Mas a competitividade é tão grande para entrar na creche certa, na escola certa que há entrevistas aos 10 anos, há testes de admissão, quase a pedirem a apresentação do currículo!

Outro grande problema é o conformismo, construímos os nossos sistemas educativos com o modelo de "fast-food", ou seja estandardizado. Deveríamos ter optado pelo modelo "Guia Michelin" onde nada é estandardizado, tudo é personalizado segundo as características locais.
Fomos levados por este sistema, "fast-food", que nos está a empobrecer o espírito e a energia, assim como o fast food deteriora o nosso organismo.

Acho que devemos reconhecer algumas coisas, antes de mais que o talento humano é tremendamente diversificado, as atitudes das pessoas são muito diferentes e que o talento é natural, basta que seja desenvolvido.

Mas também se trata de paixão, dificilmente alguém conseguirá desenvolver um dos seus talentos se não tiver paixão, e é isto que entusiasma o nosso espírito e nos dá energia.
Se fazem as coisas que amam e para as quais tem talento o tempo parece aumentar, uma hora parecem cinco minutos.

Quando se faz algo de que não se gosta é o inverso, cinco minutos parecem uma hora, e é por esta razão que tantas pessoas renunciam a escolarização, renunciam instrução e o próprio sistema educativo, porque o que este lhes oferece não alimenta a sua energia nem a sua paixão.

Devemos por isso passar de um modelo industrial do sistema educativo, baseado em conformismo, linearidade e segmentação das pessoas, para um modelo de produção mais baseado nos princípios da agricultura, pois o crescimento humano não é mecânico mas sim orgânico.

Não se pode pedir o resultado final do desenvolvimento humano, tudo o que podemos fazer, como faz o agricultor, é criar as condições dentro das quais começarão a crescer e a desenvolver.

Por isso, quando pensamos em reformar e transformar a educação não podemos pensar em clonar um sistema, mas sim de personalizar à nossa situação, e sobretudo personalizar às pessoas a quem se está a ensinar.

Poderá ser este um caminho?

Legislação e Informações Gerais (3)


Publicado em Diário da República


Resolução do Conselho de Ministros n.º 22/2018 - Diário da República n.º 47/2018, Série I de 2018-03-07

Presidência do Conselho de Ministros
Cria o Centro de Competências Digitais da Administração Pública.

Decreto-Lei n.º 15/2018 - Diário da República n.º 47/2018, Série I de 2018-03-07

Educação
Aprova o regime específico de seleção e recrutamento de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança.

Decreto-Lei n.º 16/2018 - Diário da República n.º 47/2018, Série I de 2018-03-07

Educação
Cria o grupo de recrutamento da Língua Gestual Portuguesa e aprova as condições de acesso dos docentes da Língua Gestual Portuguesa ao concurso externo de seleção e recrutamento do pessoal docente.


Informações Gerais



VII Conferência Internacional: Investigação, Práticas e Contextos em Educação (IPCE)

Esta conferência tem como objetivo proporcionar aos profissionais de diversas áreas ligadas à Educação e com interesses multidisciplinares a partilha de experiências e conhecimentos, contribuindo e estimulando a investigação e o desenvolvimento de práticas.
Realiza-se nos dias 04 e 05 de maio, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Leiria.
Encontra-se a decorrer a chamada para a participação com artigos, relatos e posters no âmbito da Conferência Internacional, que poderão ser submetidos até ao dia 18 de março.

Workshop: Plasticologia Marinha

No próximo dia 10 de março, o Oceanário de Lisboa promove um workshop para professores sobre "Plasticologia marinha".
Esta sessão, certificada como ação de formação de curta duração, tem como objetivo alertar os seus participantes para a problemática do plástico no oceano.
Os professores e educadores vão também poder levar estes conceitos para as salas de aula, através de ferramentas pedagógicas adequadas, e contribuir para a mobilização e consciencialização dos alunos para a necessidade de redesenhar a sua relação com o plástico e, por conseguinte, contribuir para a conservação do oceano.

Conferência | O Ensino da Dança: Desafios e Perspetivas

Nos próximos dias 16 e 17 de março, nas instalações dos Estúdios Victor Córdon, em Lisboa, realiza-se a primeira edição das Conferências Anuais Encontros para o Futuro, dedicada ao tema: " O Ensino da Dança: Desafios e Perspetivas", com a colaboração da Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa.
Dirigida a diretores, professores de escolas de dança, investigadores, pedagogos e alunos finalistas e do ensino superior ligados à dança, esta conferência tem como objetivo promover e fomentar a reflexão conjunta e inclusiva, trabalhando as evidências e exigências do percurso de um profissional da área, estado da arte, condições específicas e desafios da disciplina da dança em Portugal.

Concurso da Sociedade Europeia de Genética Humana (ESHG) 2018 | Dia do DNA

A Sociedade Portuguesa de Genética Humana, congénere da European Society of Human Genetics (ESGH), vem associar-se a este evento, com o objectivo de incentivar a participação dos estudantes portugueses do ensino secundário, entre os 14 e os 18/19 anos de idade.
Este concurso realiza-se no âmbito das atividades do Dia Europeu do DNA e a submissão de trabalhos pode ser etuada até ao dia 25 abril.
Consulte o website para aceder às regras e às questões a concurso.

Seminário: Ensino Superior em Portugal, uma estratégia para o futuro


O Conselho Nacional de Educação organiza, no seu auditório, no próximo dia 19 de março, o seminário "Ensino Superior em Portugal, uma estratégia para o futuro", que conta com as participações de autores de alguns dos estudos e reflexões publicados em Portugal.
O encontro pretende, ainda, promover o debate sobre as principais conclusões e recomendações resultantes do relatório da OCDE Review of the Tertiary Education, Research and Innovation System in Portugal.

Museu Nacional de História Natural e da Ciência | O mundo em qu'estão", oferta educativa 2017-2018

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) em colaboração com as famílias e com as escolas, pretende motivar os jovens para uma atitude de curiosidade orientada para a compreensão e o fascínio pela ciência e, em particular, da descoberta da natureza e a necessidade da sua proteção, através da iniciação ao método e práticas do conhecimento científico e universitário.
Para marcar visitas ou atividades, contate os serviços.

Concurso para Atribuição de Bolsas de Doutoramento - 2018


O concurso de bolsas de 2018 apoia investigadores, em qualquer área do conhecimento, que pretendam desenvolver trabalhos de investigação para a obtenção do grau académico de Doutor.

As candidaturas devem ser submetidas eletronicamente, utilizando o formulário disponível, até ao dia 28 de março, no portal de concursos a bolsas. Cada candidato poderá apresentar apenas uma única candidatura.

V Encontro Internacional TIC e Educação

A Comissão organizadora do ticEduca2018 convida a comunidade a submeter propostas ao V Encontro Internacional TIC e Educação, este ano sob o tema Technology Enhanced Learning | Aprendizagem enriquecida com tecnologias.
Este encontro realiza-se em Lisboa, nas instalações do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, nos dias 6, 7 e 8 setembro.
Os autores poderão submeter propostas de apresentação de trabalhos que se enquadrem nos objetivos e nas temáticas do Congresso, nomeadamente artigos científicos originais abordando revisões do estado da arte e novas perspetivas de investigação, soluções e/ou aplicações para problemas reais, trabalhos empíricos e/ou de avaliação.
As submissões das propostas, decorrem até ao dia 18 de março.

Fonte: CIREP

sexta-feira, 9 de março de 2018

Macroscópio - Mário Vargas Llosa


Olho para a janela e chove. Do outro lado da rua evolui lentamente a recuperação de mais um edifício. Já perdi a conta a quanto vi renascer só aqui nesta rua do Observador, em pleno Bairro Alto lisboeta. Em apenas quatro anos. Mas anos suficientes para o breve sopro de liberdade que passou por estas ruas e permitiu este verdadeiro renascimento não esteja a ser criticado por todos os lados. E não, não vou dedicar este Macroscópio ao debate sobre a regulação do alojamento local – regulação, sempre mais regulação –, apenas me lembrei de como em Portugal, tal como em Espanha, são raras as vozes que se possam genuinamente reivindicar de liberais. Como Mario Vargas Llosa, o escritor peruano Prémio Nobel que acaba de lançar um livro autobiográfico, La llamada de la tribu, que é também a sua reflexão sobre como se desiludiu com o socialismo e se tornou a “avis rara” que hoje é, sobretudo se considerarmos os meios literários e intelectuais onde se move.

Já em anterior Macroscópio me referi de raspão a este acontecimento literário que tem suscitado enorme curiosidade não só em Espanha como em toda a América Latina, mas há três boas razões para regressar a La llamada de la tribu. A primeira tem a ver com o tempo que avisto da minha janela: chove e vai continuar a chover, tenho o dever de deixar aos meus leitores boas sugestões de leitura à entrada deste fim-de-semana de Inverno carregado. Depois porque, surpreendentemente, se começa a falar em Portugal de forças políticas liberais – são ainda embriões de novos partidos, como se contava esta semana na visão (sem link, só estae esta referência no Facebook): um já é partido e chama-se Iniciativa Liberal, liderado por Miguel Ferreira da Silva, o outro ainda recolhe assinaturas, é a Democracia21 e tem como rosto mais conhecido Sofia Afonso Ferreira. Finalmente, e isso é porventura o mais importante de acordo com a filosofia desta newsletter, há bons textos para ler sobre o novo livro de Vargas Llosa.


Mas comecemos precisamente por La Llamada de la Tribu, já que aqui é possível ler um fragmento, sendo que o autor começa precisamente por explicar ao que vem: “No lo parece, pero se trata de un libro autobiográfico. Describe mi propia historia intelectual y política, el recorrido que me fue llevando, desde mi juventud impregnada de marxismo y existencialismo sartreano, al liberalismo de mi madurez, pasando por la revalorización de la democracia a la que me ayudaron las lecturas de escritores como Albert Camus, George Orwell y Arthur Koestler. Me fueron empujando luego, hacia el liberalismo, ciertas experiencias políticas y, sobre todo, las ideas de los siete autores a los que están dedicadas estas páginas: Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich von Hayek, Karl Popper, Isaiah Berlin, Raymond Aron y Jean-François Revel.”

Este primeiro capítulo é como que uma introdução aos sete capítulos que se seguem e que tratam, precisamente, dos sete autores liberais que mais marcaram o escritor peruano. No entanto, como ele relata, só chegou a eles depois de se desiludir com o socialismo real, em especial com o regime cubano. É interessante ver como nos fala do período de transição entre aquele em que alimentava as ilusões marxistas e historicistas e aquele em que descobre o liberalismo, começando por descobrir o valor da democracia: “Fue un período de incertidumbre y revisión en el que, poco a poco, fui comprendiendo que las «libertades formales» de la supuesta democracia burguesa no eran una mera apariencia detrás de la cual se ocultaba la explotación de los pobres por los ricos, sino la frontera entre los derechos humanos, la libertad de expresión, la diversidad política, y un sistema autoritario y represivo, donde, en nombre de la verdad única representada por el partido comunista y sus jerarcas, se podía silenciar toda forma de crítica, imponer consignas dogmáticas y sepultar a los disidentes en campos de concentración e, incluso, desaparecerlos. Con todas sus imperfecciones, que eran muchas, la democracia al menos reemplazaba la arbitrariedad por la ley y permitía elecciones libres y partidos y sindicatos independientes del poder.”

Para ter uma ideia mais concreta do conteúdo do livro, vale a pena começar pela recensão do El Cultural do ABC onde se explica a forma como, depois de “una transformación marcada por siete grandes figuras del pensamiento con las que establece un denso y detallado diálogo”, o autor as apresenta como “un mosaico en el cual el liberalismo es el hilo común, el marco cognitivo de referencia”: “Vargas Llosa entra en diálogo con siete cumbres del pensamiento y lo hace con su magnífica prosa. Combina vida y obra de todos ellos siendo a veces concreto y abstracto a ratos. Todo ello con claridad y sin recurrir a notas a pie de página que entorpezcan. El lector, que posiblemente ya tiene noticia de aquellos que le han iluminado, se encuentra con la agradable sorpresa de un tratamiento lleno de originalidad.”

De entre as referências as essas sete figuras o ABC destaca uma passagem em queVargas Llosa afirma que “tengo a Karl Popper por el pensador más importante de nuestra época… y si me pidieran señalar el libro de filosofía política más fecundo y enriquecedor del siglo XX no vacilaría un segundo en elegir La sociedad abierta y sus enemigos”. Não sei quantos escritores contemporâneos fariam a mesma escolha, mas seguramente poucos.

A abordagem do jornal digital espanhol VoxPopuli é mais detalhada e muito interessante pois, em Así es el nuevo libro de Vargas Llosa: el Nobel arrepentido, faz-se uma comparação muito pertinente com a experiência de um outro prémio Nobel latino-americano: “Como Vargas Llosa en su momento, también el Premio Nobel Octavio Paz fue un entusiasta de la izquierda, aunque ya en la veintena, tras su visita a Europa –concretamente a la España de 1937, en plena Guerra Civil- comenzó a mirar con escepticismo algunas cosas. El desencanto definitivo ocurrió entre 1939, con el pacto de no agresión entre Joseph Stalin y Adolf Hitler, y en 1949, cuando descubrió la existencia de los campos de concentración soviéticos. Las dudas se convirtieron finalmente en ruptura. Lo mismo le ocurrió a Paz con el PRI, al que atacó duramente en las revistas Plural (1971) – junto a Julio Scherer- y Vuelta (1976), donde se dirimieron los asuntos más urgentes no sólo del quehacer latinoamericano, sino del pensamiento político de toda una época. Vargas Llosa no ha llegado a capitanear cabeceras de este tipo, aunque podría decirse que sus libros reflejan ese espíritu no sólo de retractación, sino de divulgación. Responden a una lógica de debate y pensamiento.”


Depois de elaborar um pouco sobre esta comparação e detalhar o conteúdo do livro, nota-se que esta obra não podia surgir num momento mais oportuno, isto porque “en tiempos donde la democracia atraviesa uno de sus capítulos más oscuros, Mario Vargas Llosa -a sus 81 años- da un paso al frente para ofrecer a los lectores una especie de manual -en el sentido estricto de la palabra- de recomposición intelectual que pasa por su propia experiencia como ciudadano y como escritor.”

Dos relatos da cerimónia de lançamento, em Madrid, de La Llamada de la Tribu, seleccionei a do El Mundo, encimada por uma pergunta: "¿Pero conoce usted algún liberal español?" Nela se relata como o escritor recordou como, na sua juventude – tem 81 anos – "era difícil para un joven latinoamericano de mi generación que descubría las enormes desigualdades y el racismo de nuestras sociedades no acercarse al socialismo.” Foi uma experiência por que muitos passaram e não só na América Latina, mas o interessante é notar que o estudante que militou num grupo comunista especialmente dogmático e sectário defende hoje, como liberal, que "No quiero llevar un cartelito ideológico que diga lo que pienso dentro del liberalismo, eso ya lo hice en mi juventud. Prefiero pensar y pronunciarme en cada caso".

Este ponto, o do caracter aberto do liberalismo, é um dos que desenvolve na longa entrevista que deu ao El Pais, “La corrección política es enemiga de la libertad”, uma conversa que vale a pena ler na íntegra e na qual sublinha que “El liberalismo no solo admite, sino que estimula la divergencia. Reconoce que una sociedad está compuesta por seres humanos muy distintos y que es importante preservarla así. Es la única doctrina que acepta la posibilidad de error. Por eso insisto mucho: no es una ideología; una ideología es una religión laica. El liberalismo defiende algunas ideas básicas: la libertad, el individualismo, el rechazo del colectivismo, del nacionalismo; es decir, de todas las ideologías o doctrinas que limitan o cancelan la libertad en la vida social.”

Mas Vargas Llosa não abriu as portas de sua casa apenas ao maior diário espanhol, também lá recebeu os jornalistas do site Gatopardo que, Historia de una conversión, não nos falam apenas de La Llamada de la Tribu, também nos introduzem à forma como o autor vive e escreve. Pequeno excerto: “La disciplina de Vargas Llosa es legendaria: es semejante a la de un atleta. Quienes lo conocen coinciden en su rigor y perfeccionismo. Tiene una disposición nula al alcohol y las noches de desvelo. En ese sentido, es un discípulo directo de Gustave Flaubert: el novelista francés que no creía en la inspiración sino en el trabajo arduo. Vargas Losa es un escritor profesional que se ciñe horarios de oficina. Escribe desde las diez de la mañana, encerrado en su estudio y sin ninguna distracción: no atiende llamadas ni responde correos. A la una de la tarde hace una pausa para almorzar y ver el noticiero. Después del descanso regresa a su escritorio a pasar a limpio las páginas que escribió en la mañana. Una leyenda dice que sus huellas dactilares se borraron tras tantos años de teclear.”

No que diz respeito à conversa sobre as suas ideias escolhi esta passagem, onde de alguma forma desenvolve o raciocínio já presente no extracto retirado do El Pais: “El liberalismo se ha convertido en una mala palabra en Latinoamérica. Incluso degeneró en el neoliberalismo que es visto como la gran máscara de la explotación de los pobres, del abuso de las grandes industrias. Pero el liberalismo es una política que se adapta a las circunstancias, que se transforma en nombre del pragmatismo. Lo decía Adam Smith: lo ideal no siempre es posible y hay que sacrificar algunos principios para que se adapten a la realidad. El liberalismo es flexible y lucha para que la libertad sea el motor del desarrollo social, político y económico.”


Guardei para o fim o texto mais longo, e porventura o mais abrangente pois abarca toda a obra do autor, uma grande reportagem do New York Times intitulada Mario Vargas Llosa, el sobreviviente del boom latinoamericano (versão inglesa aqui: The Elder Statesman of Latin American Literature — and a Writer of Our Moment). É o texto que melhor relata o momento decisivo na viragem de Vargas Llosa, o momento em que rompeu com a ditadura cubana, quando deixou de enviar apenas cartas particulares a Fidel Castro e mobilizou um movimento de protesto: “Cuando el poeta Heberto Padilla fue sometido a una farsa de juicio estalinista, Vargas Llosa reunió a varios de sus amigos en su casa de Barcelona para redactar una denuncia pública contra Castro. Su famosa “Carta del caso Padilla” apareció en el periódico francés Le Monde y se reprodujo por toda América Latina; estaba firmada por Susan Sontag, Octavio Paz, Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Simone de Beauvoir y Jean-Paul Sartre, entre otros. Las repercusiones de su publicación fueron atroces, incluyendo acusaciones de que Vargas Llosa trabajaba para la CIA, así como el comienzo de la desintegración de su amistad cercana con Gabriel García Márquez.”

Esta ruptura com a esquerda levou ao tal período de redescoberta da democracia liberal, que já referi atrás, e mais tarde a opções que, para muitos, prejudicaram a sua carreira literária. Escreve o New York Times: “Cuando Vargas Llosa rompió con Castro, se precipitó una reconstrucción fundamental de sus creencias políticas. Para 1982 estaba cenando con la primera ministra de Reino Unido Margaret Thatcher y el filósofo liberal clásico Isaiah Berlin en la casa del historiador Hugh Thomas en Londres. Esta conversión política tuvo un impacto en su reputación literaria. Gerald Martin, quien escribió la biografía definitiva de García Márquez y ahora trabaja en una sobre Vargas Llosa, cree que fue el factor más importante que le impedía ganar el premio Nobel. “De manera general se creía que antes, con Lundkvist” —Artur Lundkvist, miembro influyente de la Academia Sueca— “se prefería a los escritores socialistas, marxistas, comunistas, radicales, progresistas”, me dijo Martin. Vargas Llosa recibió el Nobel de Literatura solo después de que el comité cambió, a principios de la década del año 2000.”

Não é novidade que o comité Nobel nunca foi politicamente neutro, mas mais do que desenvolver este ponto gostaria de regressar ao tal fragmento do primeiro capítulo, pois nele descreve-se com mais detalhe esse famoso encontro com a “dama de ferro”: “Abrió el fuego el dueño de casa, Hugh Thomas, preguntando a la señora Thatcher si la opinión de los historiadores le interesaba y le servía de algo en cuestiones de gobierno. Ella respondía a las preguntas con claridad, sin intimidarse y sin posar, con seguridad en la mayor parte de los casos, pero, a veces, confesando sus dudas. Al terminar la cena, cuando ella ya había partido, Isaiah Berlin resumió muy bien, creo, la opinión de la mayoría de los presentes: «No hay nada de qué avergonzarse». Y sí, pensé yo, mucho para sentirse orgulloso de tener una gobernante de este temple, cultura y convicciones. Margaret Thatcher iba a viajar en los próximos días a Berlín, donde visitaría por primera vez el muro de la vergüenza erigido por los soviéticos para frenar las fugas crecientes de ciudadanos de Alemania Oriental hacia la Occidental. Allí pronunciaría uno de sus más importantes discursos antiautoritarios y en defensa de la democracia.”

Vargas Llosa não esconde que os sucessos económicos e políticos de Margaret Thatcher (sobretudo) e de Ronald Reagan o influenciaram imenso, mas o que me parece mais fascinante é a sua decisão de ter construído esta sua espécie de autobiografia em torno das sete grandes figuras do pensamento liberal que realmente o marcaram. Por mim só posso dizer que aguardo ansiosamente pelo momento de colocar as mãos e os olhos em cima de um exemplar de La Llamada de la Tribu.


Espero ter-vos ajudado a encontrar boas leituras para um fim-de-semana onde se recomenda recolher aos abrigos. Descansem e aproveitem, se puderem.

Fonte: Observador

Os albuns da nossa Vida... AC/DC - Back In Black

quinta-feira, 8 de março de 2018

Concurso Interno antecipado e Concurso Externo Extraordinário (2018)



Resumo:

Concurso interno antecipado:

Um concurso para professores que não queiram manter a plurianualidade obtida no concurso do ano anterior em mobilidade interna e pretendam mudar de escola e/ou mudar de grupo de recrutamento.

Concurso externo extraordinário:

Um concurso para professores contratados que, reunindo as condições estabelecidas na lei, pretendam ingressar na carreira.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Vestir a camisola!

Sábia reflexão do António Duarte, da Escola Democrática:



Substitua-se, “empregados” por “professores” no cartaz que circula pelas redes sociais e ter-se-á a noção do que falta para fazer para termos, em Portugal, uma melhor Educação. 
Olhando para os progressos dos alunos portugueses nos últimos vinte anos, impulsionados pelo trabalho dos professores a quem foi negado quase tudo o que consta desta lista, tem-se a noção do excepcional empenho e profissionalismo de uma classe a que continua a não ser dado o devido valor.
Antes de tentarem impor a flexibilidade obrigatória, pensem nisto!…

terça-feira, 6 de março de 2018

Cinema - Óscares (2018)


Os vencedores dos Óscares 2018 já foram anunciadors. Sem surpresas, "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" e "Shape of Water" estiveram entre os grandes vencedores da noite, com "The Shape of Water" a levar para casa 4 Óscares, incluído Melhor Realizador e Melhor Filme. "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" teve que se contentar com os Óscares de Melhor Atriz (Frances McDormand) e Melhor Ator Secundário (Sam Rockwell), mas pelo menos McDormand teve o discurso da noite e, apesar de ter sido dos mais longos, merecia levar para casa a mota de água que Jimmy Kimmel prometeu dar ao vencedor que fizesse o discurso mais curto! Quem acabou por "ganhar" o prémio foi o costume designer Mark Bridges de "Phantom Thread" que, como já devem ter avinhado, deu ao filme de Paul Thomas Anderson o Óscar da Noite, o de Melhor Guarda-Roupa. Isto porque o Óscar de Melhor Ator Principal foi entregue a Gary Oldman pela sua prestação em "Darkest Hour". O filme venceu também o Óscar de Melhor Caracterização.

Entre os blockbusters, "Dunkirk" e "Blade Runner 2049" eram os filmes mais nomeados e confirmaram o favoritismo nas categorias técnicas com vitórias. "Dunkik" levou para casa os Óscares de Melhor Mistura de Som, Edição de Som e Edição, já "Blade Runner 2049" triunfou nas duas principais categorias visuais: Melhor Fotografia e Efeitos Visuais. Um dos grandes destaques da noite foi a vitória de "Get Out" na categoria de Melhor Argumento Original, já menos surpresa existiu na categoria de Melhor Argumento Adaptado, onde "Call Me By Your Name" e James Ivory triunfaram. Foram os únicos Óscares da noite para estes dois filmes. Também "I, Tonya" só recebeu um Óscar, o de Melhor Atriz Secundária, que foi entregue a Allison Janney. Isto significou que, entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme, apenas "The Post" e "Lady Bird" saíram dos Óscares sem prémios. De nada serviu ao filme de Greta Gerwig ter sido considerado, pelo Rotten Tomatoes, o filme com melhor classificação de 2017. O único filme com mais de uma nomeação a fazer o pleno de vitórias foi a animação "Coco" que, sem surpresa, ganhou o Óscar de Melhor Animação e juntou-lhe ainda o de melhor Canção Original. Destaca-se ainda o Óscar de Melhor Curta de Animação entregue a Kobe Bryant epelo seu trabalho de guionista em "Dear Basketball". Entre os Filmes Estrangeiros, o Óscar regressou à América Latina, tendo sido entregue ao filme chileno "A Fantastic Women". Este é o palmarés da 90ª Edição dos Óscares que contou com momentos marcantes e mais uma competente apresentação por parte de Jimmy Kimmel que, sem ser muito controverso, conseguiu criar falatório e promoveu bons momentos de diversão, como a invasão de uma sala de cinema cheia de espectadores que, tal como aconteceu no ano passado, foram transportados para o epicentro dos Óscares!
Melhor Filme
The Shape of Water
Melhor Atriz - Drama
Frances McDormand em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Melhor Ator – Drama
Gary Oldman em “Darkest Hour”

Melhor Atriz Secundária
Allison Janney em “I, Tonya”

Melhor Ator Secundário
Sam Rockwell em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Melhor Realizador
Guillermo del Toro por “The Shape of Water”

Melhor Filme de Animação
Coco

Melhor Argumento Original
Get Out

Melhor Argumento Adaptado
Call me By Your Name

Melhor Canção
'Remember Me' em “Coco”

Melhor Banda-Sonora
The Shape of Water

Melhor Filme em Língua Estrangeira
A Fantastic Woman

Melhor Fotografia
Blade Runner 2049

Melhor Guarda-Roupa
Phantom Thread

Melhor Edição
Dunkirk

Melhor Caracterização
Darkest Hour

Melhores Efeitos Especiais
Blade Runner 2049

Melhor Edição de Som
Dunkirk

Melhor Mistura de Som
Dunkirk

Melhor Design de Produção
The Shape of Water

Melhor Curta de Animação
Dear Basketball

Melhor Curta Live-Action
The Silent Child

Melhor Curta Documental
Heaven is a Traffic Jam on the 405

Melhor Documentário
Icarus

segunda-feira, 5 de março de 2018

Quem diria que ainda teríamos saudades das vagas para Titular?

O Paulo Guinote no seu blog O Meu Quintal, publicou um texto (reflexão) escrito por Mário Silva sobre a realidade do "espartilho" em que está neste momento a Carreira Docente.



Mais um evento contribuinte da degradação profissional
“Não quero pensar no assunto porque senão fico muito alterada psicologicamente”. Esta é atitude psicológica defensiva mais frequente que os/as profs estão a utilizar para enfrentar a GIGANTESCA injustiça que foi e está a ser feita na carreira profissional. E o contexto da afirmação está relacionado com a impossibilidade efetiva de milhares de profs. jamais progredirem na carreira remuneratória para além de um determinado escalão (que na contabilidade mais otimista, não será acima do 6º escalão). Com o anúncio de:
  • 133 vagas(!) para o acesso ao 5º escalão e 195(!) para o 7º escalão (em 2018),
  • que há 14 mil professores no 4.º escalão à espera de transitar para o 5.º e 8 mil parados no 6.º escalão (janeiro 2018- jornal Público, dados do governo), e pressupondo que anualmente o número de vagas disponível é aproximadamente constante, com uma operação matemática simples é fácil constatar que muitos milhares de profs. vão atingir a (teórica) idade da reforma ainda ‘estacionados’ no 4º ou 6º escalões…!
A GIGANTESCA injustiça verifica-se porque existem grupos de profs. que passaram incólumes pela tormenta, chegando aos escalões acima do 7º, e outros que lhes foi coartada definitivamente essa possibilidade. Uma primeira consequência será o aumento de crispação nas escolas, promovendo a divisão entre os profissionais (que beneficia o ME em termos negociais) porque os profs prejudicados terão menos motivação e consequente disponibilidade para assegurar determinadas tarefas escolares, pressionando os profs com salários mais altos a assumir essas tarefas (a maior salário corresponde mais trabalho, o principio do capitalismo…). Outras consequências na escola mais subtis podem-se revelar no zelo do desempenho, disponibilidade para voluntarismo, qualidade e quantidade de atividades, maior conflitualidade com a comissão de avaliação de desempenho (que determina os percentis das classificações ‘Muito Bom’ e ‘Excelente’ que permitem ficar isento da dependência de vagas para acesso aos escalões), menos investimento na formação profissional (redução nos custos na aquisição de materiais didáticos, tecnologia, bibliografia, etc.) ou pessoais, como na diminuição do poder de compra e respetiva qualidade de vida e valor da pensão de reforma (caso ainda exista…).


O que está garantido, é que tal como aconteceu em 2008, ainda vai piorar mais a dinâmica ambiental escolar, o que resulta na diminuição do trabalho colaborativo e numa menor (e pior) capacidade de resposta da instituição.

domingo, 4 de março de 2018

Petição Pública - Pela igualdade entre os diferentes docentes dos diferentes ciclos de ensino na redução da componente letiva e de horas por anos de idade

Para: Exmo Senhor Presidente da Assembleia da Republica, Exmo Senhor Presidente da República, Exmo Senhor Primeiro Ministro, Exmo Senhor Ministro da Educação

(Para assinar a petição, carregue aqui)

Serve esta petição para alertar e proceder à reposição da justiça dos docentes do pré-escolar e do primeiro ciclo em relação aos seus colegas docentes dos restantes ciclos, uma vez que, durante o período da carreira, as diferenças na carga horária e a redução da mesma é gritante, não só tendo em conta a monodocência, uma vez que todos os docentes do pré-escolar e primeiro ciclo são titulares e diretores de turma, não usufruindo por tal, qualquer redução da carga horária, contrariamente aos docentes de segundos e terceiros ciclos. Para além da questão referida anteriormente, chama-se também à atenção, para as sucessivas reduções de carga horária que os docentes do segundo e terceiro ciclo vão usufruindo ao longo da sua progressão, situação que não ocorre no primeiro ciclo, visto que apenas aos 60 anos os docentes de primeiro ciclo e pré-escolar beneficiam de uma redução de cinco horas letivas ao contrário dos colegas dos restantes ciclos, que para além de terem um horário de 22 horas letivas semanais, 25 horas letivas no pré-escolar e primeiro ciclo, os docentes do segundo e terceiro ciclo iniciam a redução da sua carga letiva logo após os 50 anos contabilizando num período de até aos 60 anos de idade, um total em excesso para os docentes do pré-escolar e primeiro ciclo, de 16,5 anos letivos em excesso, perante colegas de profissão, com os mesmos estatutos e com as mesmas regras de progressão, de reforma e regras de funcionamento, o que não se entende, lamenta-se e revolta uma classe...

Tendo em conta o relatado, solicita-se a discussão em sede própria, assembleia da republica, a reposição da justiça perante o mesmo grupo profissional, o primeiro ciclo e pré-escolar, e que reconheçam a sua importância no panorama educativo nacional para uma classe com regras justas e iguais para todos ou antecipação dos docentes em 16,5 anos letivos perante os restantes colegas...

(Para assinar a petição, carregue aqui)

sábado, 3 de março de 2018

O inferno na terra... ou talvez não...

Hoje, quando visitei o grupo FaceProf, deparei-me com um texto simplesmente brilhante! Brilhante pela realidade nua e crua da vida dos professores deste país.
Achei por bem publicá-lo aqui no Prof-Folio, com a devida autorização do autor.
Obrigado Mário Costa por conseguir descrever tão brilhantemente a sua vida quotidiana que poderá ser a de qualquer um de nós!


Sexta-feira. Percorro de carro os 200 metros que me separam de casa enquanto vejo o céu a ficar escuro como breu. Paro o carro no estacionamento do prédio e ainda arrisco ir às caixas de correio ver se tem alguma correspondência importante para além do lixo habitual distribuído aos magotes pelos hipermercados e afins. 
O preço merecido são umas pingas grossas a bater-me no crânio quase ermo de cabelos. 
Chego a casa mesmo a tempo de recolher o canário que já tinha iniciado uma dança perigosa impulsionada pelas grossas pingas de chuva e o vento forte que na altura do sexto andar é ainda mais pronunciado. 
Levei o carro com a intenção de ir almoçar a um restaurante onde almoço com mais frequência e melhor, mas mudei de ideias quando pressenti que poderia ter companhia indesejável. 
Assim, optei por almoçar no café próximo da escola, que costumo frequentar à noite e onde anseio ver o Porto-Sporting ou Sporting-Porto, não interessa, terminando mais uma semana temível de trabalho. 
Impossível! 
Terminei a manhã completamente perdido no meio da confusão, aos berros, numa dita aula de Apoio ao Estudo, numa turma tão difícil como todas as outras. Já tinha iniciado a manhã na “melhor” das turmas, apanhando uma das miúdas em diálogo escrito com a colega da mesa ao lado. Tirei-lhe a folha de papel e dobrei-a guardando-a no bolso antes de a mirar num relance. Brincadeiras de miúdas distraídas que procurei censurar sem mais nenhuma repreensão. 
Em casa li o diálogo que interrompi quando uma perguntava a outra se gostava das aulas de História. “Achas? Respondia a outra, olha para a minha cara!!”.Têm dez anos, frequentam o quinto ano e eu tentava explicar-lhes as fomes e as pestes do século XIV... Para além disso a aula de quarta-feira tinha terminado com um azedar de relações com a turma, que é de facto um pouco melhor do que as outras mas que, devido ao tamanho, começa a ser difícil de controlar. 
Foram cinco aulas seguidas desde as 8.15 até às 13.05. Difícil, muito difícil e eu já não sou um novato. A idade e sobretudo os quase 34 anos de aulas já pesam há muito e cada vez são mais penosos. 
No ano passado, atingi o número recorde de turmas e alunos: 8 turmas, mais de 200 alunos. Fui expressando o meu descontentamento pelos sofás da escola e este ano fiquei com apenas 6 turmas e cerca de 150 alunos... 
Não me adianta queixar mais. A escola e o Ministério só de obrigados voltarão aos tempos, não muitos recuados, nos quais os professores com a minha idade e o meu tempo de serviço iam sendo colocados em horários com menos turmas e serviços mais dispensados do contacto com os alunos até serem devidamente reformados. 
Agora o futuro é mais negro, bem mais carregado. As baldas, “os  cargos” são só para os amigos e para quem se sabe mexer ou está verdadeiramente doente. Eu não reúno nenhum dos requisitos. 
O futuro está carregado como o tempo que faz lá fora. 
Os primeiros dias de março trouxeram o Inverno de outros tempos e que ainda não se tinha visto este ano. 
Chove intensamente desde que cheguei a casa. 
Será o último fim de semana ainda não sobrecarregado antes das férias da Páscoa. Daqui a pouco mais de uma semana, será o sufoco da correção dos testes e do lançamento das notas nas grelhas, os relatórios, o trabalho de Direção de Turma e toda a tralha que se costuma inventar para afligir mais os professores. 
Calma que não é para todos! Há muitos que escapam a este lufa lufa de final de período, sobrando para os outros, os que têm as turmas, as disciplinas mais complicadas, as direções de turma e não têm cargos nem outras benesses. 
Vou ver se descanso um bocado. Segunda-feira volto às aulas que os alunos na sua maioria já não suportam. Nem eles, nem eu. 
Eles estão novos e frescos. A maioria trocará de professores até ganhar algum gosto e encarreirarem ou desistirem para sempre. 
Eu mantenho a esperança (mais a ilusão) de que as coisas mudem e melhorem antes ainda de eu ir para a reforma ou ficar doente. Trabalhamos no fio da navalha. Um trabalho insano, esgotante, frustrante, viciante, que gostava de ter a possibilidade de abandonar, porque não posso alterar, gerir como gostava de fazer, como deveria ser, sem este confronto permanente com Ministérios, Direções, alunos desmotivados em rota de colisão com um ensino desusado, antiquado, desfasado das necessidades, da realidade da sociedade contemporânea. 
Resta-me tentar manter a saúde física e mental para responder às restantes responsabilidades pessoais, familiares e sociais. 
O título foi-me me sugerido pelas palavras de Guterres sobre o massacre de Goutha, na Síria. Como tudo é relativo...

sexta-feira, 2 de março de 2018

Legislação e Informações Gerais (2)


Publicado em Diário da República

Despacho n.º 2145-C/2018 - Diário da República n.º 42/2018, 3º Suplemento, Série II de 2018-02-28

Finanças e Educação - Gabinetes do Ministro das Finanças e da Secretária de Estado Adjunta e da Educação
Fixa as vagas para a progressão ao 5.º e 7.º escalões da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensino Básico e Secundário.


Informações Gerais

Candidaturas ao Prémio UNESCO – Japão para a Educação em Desenvolvimento Sustentável

Encontram-se abertas as candidaturas ao Prémio UNESCO – Japão para a Educação em Desenvolvimento Sustentável (EDS).

O Prémio UNESCO – Japão EDS, criado pelo Conselho Executivo da UNESCO no ano de 2014, visa premiar os esforços exemplares de pessoas, instituições e organizações ou outras entidades envolvidas em atividades de educação para o Desenvolvimento Sustentável.

As candidaturas podem ser apresentadas pelos Estado-membros e por organizações não-governamentais (ONG) em parceria oficial com a UNESCO, devendo concentrar-se sobre um projeto ou programa específico de EDS.

O prazo limite para entrega das candidaturas na Comissão Nacional da UNESCO (CNU) é o dia 16 de abril.

Os vencedores deste ano serão anunciados pela Diretora-Geral da UNESCO em setembro.

Futurália

A Futurália dispõe de uma mostra abrangente, oferecendo todas as áreas e níveis de qualificação, como ensino superior, ensino profissional ou pós-graduação.

De modo simples e personalizado, os estudantes podem conhecer e tirar dúvidas sobre os diferentes cursos, programas académicos nacionais e internacionais e outras questões relevantes para as suas escolhas de futuro.
Visitar esta Feira de Educação/ Formação é uma oportunidade, um encontro ideal entre estudantes, pais, professores e instituições de ensino.

A edição deste ano irá realizar-se de 14 a 17 de março , na FIL, em Lisboa, e irá contar com um novo espaço “Emprego & Empregabilidade” (dias 16 e 17 de março).

Ler! Em qualquer hora, em qualquer lugar!

Durante a semana de 5 a 9 de março, as escolas são convidadas a desenvolver atividades que festejem a leitura como ato comunicativo, de liberdade e responsabilidade, um diálogo entre a literatura, a arte e a ciência, um espaço de encontro, criativo e colaborativo.
O registo das iniciativas deve ser feito no SIPNL.
Toda a informação, sugestões de atividades e materiais de apoio podem ser consultados do sítio web da Semana da Leitura.

XXXII Encontro Nacional de Professores de Geografia

Realiza-se na Escola Secundária 2, 3 Lima de Freitas, em Setúbal. nos dias 4, 5 e 6 de abril. Este encontro é acreditado como formação específica, com 25 horas, para os grupos: 420 e 200.

Fonte: CIREP

Sobre o Acesso ao 5.º e ao 7.º Escalão

Para completar o acesso dos docentes ao 5.º e ao 7.º Escalão falta apenas o procedimento para ser elaborada a lista ordenada nacional dos candidatos que estando ainda no 4.º e no 6.º escalão já completaram todos os requisitos para progressão e obtiveram apenas a menção avaliativa de Bom.
Aqueles que tiveram um Muito Bom ou Excelente passam automaticamente sem dependência de vaga.
A legislação que regulamenta este acesso foi publicada no dia 23 de Janeiro de 2018.
O Número de vagas a abrir no dia 28 de Fevereiro de 2018.
A regra que estabelece o preenchimento das 133 vagas para acesso ao 5.º escalão e das 195 de acesso ao 7.º escalão é apenas um, o tempo de serviço prestado no escalão.
1 — Os docentes posicionados no 4.º e 6.º escalões a quem tenha sido atribuída a menção qualitativa de Bom na respetiva avaliação do desempenho e que já tenham cumprido os restantes requisitos previstos nos n.os 2 e 3 do artigo 37.º do ECD, integram uma lista anual de graduação, de caráter nacional, ordenada por cada um daqueles escalões e por ordem decrescente, sendo a respetiva posição na lista definida de acordo com o tempo de serviço contabilizado em dias prestado pelo docente no escalão.
Em caso de empate no tempo de serviço serão usados fatores de desempate que são:
  • a avaliação de desempenho imediatamente anterior à progressão, até às milésimas
  • a idade do docente, sendo preferido o mais velho.
2 — Caso, na ordenação das listas previstas no número anterior se verifiquem situações de empate, constituirá primeiro fator de desempate para efeito da ordenação, a avaliação de desempenho imediatamente anterior à progressão, apurada quantitativamente até às milésimas, e segundo fator de desempate, caso a igualdade subsista, a idade do docente, preferindo o mais velho.
Quem não conseguir progredir ao 5.º e ao 7.º por insuficiência de vaga recebe no ano seguinte uma bonificação de 365 dias de serviço, apenas para este efeito
4 — Os docentes que não tenham obtido vaga beneficiam, para efeitos de progressão, da adição do fator de compensação 365 ao tempo de serviço em dias prestado no escalão por cada ano suplementar de permanência nesse mesmo escalão.
5 — A adição do fator de compensação ao tempo de serviço prestado no escalão produz unicamente efeitos para a ordenação na lista de graduação referida no n.º 1, não se adicionando definitivamente àquele para quaisquer outros efeitos e cessando com a obtenção de vaga para a progressão do docente ao escalão seguinte.
O Despacho publicado faz as contas ao número de docentes que progridem a estes escalões:
Nos termos do n.º 4 do citado artigo do ECD, a obtenção das menções qualitativas de Excelente e Muito bom nos 4.º e 6.º escalões permite a progressão ao escalão seguinte, sem a observância do requisito relativo à existência de vagas. Nestes termos, no ano de 2018, progridem 743 docentes para o 5.º escalão e 458 docentes para o 7.º escalão, o que corresponde, respetivamente, a 73,71 % e 43,87 % do número total de professores que, naqueles escalões, reúnem os requisitos para concretizar a progressão, efetivando-se a mesma sem dependência de vaga
Estes números querem dizer que existem 1008 docentes no 4.º escalão e 1043 no 6.º e que ficam abrangidos pelas quotas 265 docentes no 4.º escalão e 585 no 5.º escalão. Se existem 133 vagas no 4.º e 195 no 6.º escalão isso quer dizer que vão ficar de fora 132 docentes no 4.º escalão e 390 no 6.º escalão, o que vai totalizar 522 docentes que vão ter de aguardar mais um ano para progredir a um destes escalões.
Adaptado de: BlogdeArLindo

quinta-feira, 1 de março de 2018

Cinema - Estreias da Semana (1 de março)


Red Sparrow
Realizado por Francis Lawrence
Com Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Mary-Louise Parker
Género - Ação
País de Origem - EUA
Sinopse - Na Rússia, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) luta para sobreviver numa era pós-soviética como membro dos serviços secretos de inteligência russa. É incumbida, contra a sua vontade, de se tornar uma Sparrow, ou seja, uma agente treinada para seduzir alvos importantes. Numa das suas missões tem que lidar com o jovem agente da CIA Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Os dois acabam por desenvolver uma paixão proibida que ameaça não só as suas vidas, mas também a de outras pessoas.


O Segredo de Marrowbone
Realizado por Sergio G. Sánchez
Com Anya Taylor-Joy, Charlie Heaton, George MacKay, Mia Goth
Género - Thriller
País de origem - EUA
Sinopse - Devastados com a morte da mãe, quatro irmãos, num estado crescente de depressão e paranoia, decidem refugiar-se numa casa abandonada, tentando permanecer unidos. No entanto, o local esconde um obscuro e perigoso segredo que desafiará a união e a sobrevivência dos quatro.


Mark Felt - O Homem que Derrubou a Casa Branca
Realizado por Peter Landesman
Com Liam Neeson, Diane Lane
Género - Thriller
País de Origem - EUA
Sinopse - Esta é a história do anónimo mais famoso da história americana: Mark Felt, o vice-presidente do FBI, conhecido como "Garganta Funda", que sob o pseudónimo de "Deep Throat" ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein a descobrir o escândalo Watergate, em 1974. A identidade desta figura foi um mistério durante mais de trinta anos, até que Felt se revelou ao mundo num artigo da Vanity Fair publicado em 2005.


Atos de Vingança
Realizado por Isaac Florentine
Com Antonio Banderas, Karl Urban, Paz Vega
Género - Drama
País de Origem - EUA
Sinopse - As ações falam mais alto que as palavras. É o que pensa o advogado criminal Frank Valera (Antonio Banderas) que faz um voto de silêncio e transforma o seu corpo e mente para embarcar numa missão de vingança pelo assassínio da sua esposa e da filha.

A morte do Professor


Não podia deixar de realçar a pertinência do excelente artigo de opinião do Luís Costa do Quadro Negro que nos retrata a dura realidade daquilo em que o professor dos nossos dias se transformou, como ele diz num dos comentários, "o erro de tudo executar, de obedecer a tudo, de querer fazer de tudo, de tudo querer abarcar... acelera não o respeito, mas o contrário, não a autoridade, mas o contrário, não a autonomia, mas o contrário, não a motivação, mas o contrário.

Muito por ação política conscientemente manipuladora e exploradora do sacrifício e da dignidade de uma classe profissional, mas também com amplo consentimento impotente de quem obedece, contra a sua vontade e contra a sua razão, a verdade é que todo o ónus do insucesso está, atualmente, sobre os ombros dos professores. Aos alunos exige-se o mínimo e aos encarregados de educação ninguém exige praticamente nada. Até quando a corda aguentará?

O Ministério da Educação (ou, melhor dizendo, da Poupança Nacional) tem vindo a anafar gordurosamente o seu hediondo monstro burocrático, que produz números tão vistosos quão ilusórios e efémeros. O seu único leitmotiv é produzir tais números, ou seja, tais fins, sem olhar a meios. Esclareço: cilindrando, se necessário for, aqueles que ainda têm a seu cargo a incumbência de os atribuir (algo que também já tem os dias contados), ainda que para tal seja necessário desviá-los constantemente do seu genuíno e precioso trabalho (o pedagógico, pois claro) para os emaranhar constantemente em autênticas teias de burocracia de autojustificação, de autoavaliação, de exposição permanente às câmaras de vigilância intimidatória, ou de supervisão, se quisermos ser mais “assertivos”. E o que estas câmaras não conseguem enxergar, espera o Ministério que seja monitorizado pelo segundo setor, o da inquisição parental, hoje muito mais vocacionada para esta forma de pressão do que para a responsabilização e acompanhamento diário dos educandos. É (apenas) uma das expectáveis consequências de toda a ação terrorista que o ME tem vindo a realizar, sobretudo na última década. Resultado: estamos, cada vez mais, num mundo escolar às avessas.

No entanto, a desmesura e a brutalidade burocráticas, ainda que generalizadas, não são similares em todas as escolas: se numas é mau, noutras é pior ainda. Há contextos (em acelerada multiplicação) onde o referido espartilho já sufoca. É o caso das escolas que fizeram compras na Central de Promoção do Sucesso Escolar Injetado (os enlatados como o PNPSE e os seus Planos e Ação Estratégica, os Fénix, as flexibilizações, os contratos de autonomia dependente e à condição…). Aí, os professores comem papéis, bebem papéis, vestem papéis, escrevem papéis, imprimem papéis, furam papéis, agrafam papéis, arquivam papéis, enviam papéis, distribuem papéis… sem saberem já muito bem qual é o seu verdadeiro papel (de figurantes). Mas também aqui há exceções. Em algumas destas unidades fabris de serviço instrutivo certificado não se usa tanto o papel, sendo já mais comum o recurso aos documentos digitais, o que é melhor, porque a natureza é poupada, mas também tem um senão: dispara a tralha burocrática e o tempo consumido com nanopormenores de forma.

Talvez seja paranóia minha — consequência de uma longa e penosa década de trincheiras — mas quer-me parecer que, paulatinamente, todas as reuniões, mesmo as de avaliação dos alunos, têm muito pouco de pedagógico e muito mais de prestação de contas. Em certos casos, também de ajuste. Penso que está a ganhar clara ascendência, a caminho da exclusividade, a função “supervisora” do trabalho dos docentes, aos quais são pedidas todas as justificações e atribuídas todas responsabilidades. É uma onda crescente que tem no seu ventre, implícitas, muitas mensagens de desconfiança relativamente à competência e ao profissionalismo dos professores. Vem de cima, há muito tempo, e é facilmente captada pela comunidade, traduzindo-se numa desautorização constante e numa subalternização crescente dos docentes, que — ou porque os mandam ou porque receiam — consomem cada vez mais tempo (excessivo mesmo, sem hipérbole) a conceber, a redigir e a preencher documentos que, direta ou indiretamente, são justificações do que fizeram ou não fizeram (autênticos mea culpa), avaliações diretas ou indiretas do seu trabalho, indução de ações e de métodos, exposição perante os seus pares, perante os alunos e perante os encarregados de educação… Enfim, inadmissíveis intimidações e repugnantes formas de pressão para o almejado cem por cento.

“Acreditam” as iluminuras políticas que este big brother resulta. E resulta mesmo, na minúscula e imediata aceção que eles subentendem. Há, porém, um mundo de consequências, extremamente negativas, que só o tempo vai desnudar. Todavia, uma será muito mais precoce. Não, não é o dito burnout da classe docente, é mesmo a morte do Professor. Disse bem: a morte do Professor.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Legislação e Informações Gerais (1)


Publicado em Diário da República

Declaração de Retificação n.º 6/2018 - Diário da República n.º 40/2018, Série I de 2018-02-26

Assembleia da República
Declaração de Retificação à Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro, Orçamento do Estado para 2018, publicada no Diário da República, n.º 249, 1.ª série, de 29 de dezembro de 2017.

Deliberação n.º 218/2018 - Diário da República n.º 40/2018, Série II de 2018-02-26

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior
Fixa os pré-requisitos para a candidatura ao ensino superior de 2018-2019.


Despacho n.º 2061/2018 - Diário da República n.º 41/2018, Série II de 2018-02-27

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Gabinete do Ministro
Altera o Despacho n.º 13057/2016, de 19 de outubro, publicado no Diário da República n.º 209, Série II, de 2016-10-31, que fixa as orientações para o financiamento dos cursos técnicos superiores profissionais a suportar pelo Orçamento do Estado.


Informações Gerais

QUALIFICA 2018 · «Love the planet»

A Qualifica - Feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego vai realizar-se de 1 a 4 de março, na EXPONOR - Feira Internacional do Porto.

O mote da feira “Love the planet” traduz a preocupação pelo nosso planeta e a necessidade de se inserir este tema na educação dos jovens.

Nesta edição, a Qualifica pretende contribuir para uma sociedade mais consciente e autónoma, permitindo que o publico mais jovem adote comportamentos em relação à comida e à sua vida na comunidade mais saudáveis e sustentáveis.
Lançamento Happy Onlife: Recurso Educativo sobre segurança online

No dia 14 de março, pelas 16h45m, no Palácio Galveias (Campo Pequeno 57 A) em Lisboa, irão ser apresentados os recursos educativos Happy Onlife, desenvolvidos pelo Joint Research Centre da Comissão Europeia, que têm como objetivo aumentar a literacia e as competências digitais das crianças entre os 8 e os 12 anos.

O Programa Media Smart e a Universidade Católica Portuguesa são os responsáveis pela tradução destes recursos para português e pela sua disseminação em Portugal.

Para além do lançamento do jogo Happy Onlife, será dada a conhecer a forma como o jogo pode ser trabalhado nas escolas e em casa, para que todos consigam promover um comportamento de maior segurança online junto das crianças e adolescentes.

A confirmação de presença deve ser realizada até ao dia 10 de março.

7 dias com os Media: venha participar!

O Grupo Informal sobre Literacia Mediática organiza mais uma iniciativa 7 Dias com os Media entre os dias 3 e 9 de maio, desafiando pessoas e instituições “a prestar atenção ao lugar que os media e as redes sociais ocupam no nosso quotidiano”.

Se a importância e o impacto daqueles é crescente, também há um conjunto de preocupações ligadas ao seu uso que surge de forma cada vez mais nítida. Por exemplo:
“Como nos podemos tornar mais capazes de um uso inteligente e criativo das máquinas e dos conteúdos e ser mais exigentes naquilo que partilhamos e de que gostamos? Como podemos enriquecer-nos culturalmente com as redes sociais e outras plataformas digitais? A que ferramentas e métodos recorrer, para ser capaz de distinguir entre o que tem valor e o que é mentira ou mesmo charlatanice? De que modo gerir o tempo, para não ficarmos demasiado dependentes dos ecrãs e, antes, os utilizemos para enriquecer os encontros diretos e explorar o mundo em que vivemos?”

As escolas e muito especialmente as bibliotecas escolares poderão associar-se a esta semana dos 7 Dias com os Media.
Todas as atividades e projetos que visem refletir e capacitar para um uso mais competente e crítico das redes sociais podem ser enquadrados nesta iniciativa.
Conferência Internacional: Bullying e Pessoas com Deficiência

Irá realizar-se, no dia 9 de março, no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, a Conferência Internacional "Bullying & Pessoas com Deficiência".

A Conferência abordará a temática do disablist bullying, bullying para com as pessoas com deficiência ou necessidade educativa especial (NEE/D). Será também um evento de divulgação de um projeto internacional, envolvendo parceiros da Irlanda, Espanha e Itália, que irá desenvolver um módulo de formação para jovens e adultos com NEE/D e para os que os educam ou trabalham com eles.

A entrada é livre mediante inscrição.

Fonte: CIREP

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Aprender a aprender ou aprender coisa nenhuma?

O António Duarte, da Escola Portuguesa, faz uma análise que considero deveras realista e com a qual concordo inteiramente. Completarmente, o presente texto remete para um excelente artigo de opinião, da autoria de Nuno Crato, no Observador.


Embora não concorde com tudo o que diz e discorde de quase tudo o que fez enquanto ministro da Educação, respeito em Nuno Crato o intelectual com um pensamento próprio, estruturado e nalguns pontos polémico sobre Educação. Já escrevia e debatia sobre temas educativos muito antes de ser ministro, e deixando de o ser, continua a fazê-lo. O que é de registar e saudar.

E – um ponto a seu favor – não tem medo da polémica nem dos consensos politicamente correctos. António Guterres, na cerimónia recente de atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, enfatizou a importância de um ensino menos formal e da aprendizagem ao longo da vida, valorizando o “aprender a aprender” em detrimento dos conhecimentos que se aprendem nas escolas e nas universidades e que rapidamente se mostram inúteis e ultrapassados. Crato, obviamente, discorda. E pergunta:

Gostaria algum de nós de ser tratado por um médico que, na universidade, tivesse aprendido Literatura Germânica, não tivesse prestado grande atenção à Anatomia nem à Histologia, mas que tivesse sido fantástico a “aprender a aprender”? Gostaria algum de nós de andar num avião mantido por uma equipa de mecânicos que, na sua escola de formação técnica, tivessem estudado Anatomia Patológica, nada sobre motores nem sobre aeronáutica, mas que fossem extraordinários a “aprender a aprender”?

Em boa verdade, o conhecimento conta. E dou razão a Nuno Crato: embora o discurso de Guterres tenha sido de circunstância, redondo e generalista, como aliás é seu timbre, não me parece que tenha sido feliz na formulação que encontrou. Antes de “aprender a aprender” é preciso primeiro aprender alguma coisa que sirva de base a essa “permanente procura do conhecimento” em tempos invocada por outro ilustre autodidacta, Miguel Relvas de seu nome. O raciocínio lógico e abstracto, o pensamento crítico e criativo e outras “capacidades” e “competências” hoje em dia muito gabadas não se desenvolvem a partir do nada: são precisos conhecimentos de base, vocabulário e outras ferramentas cognitivas para as conseguir utilizar e desenvolver.

Quanto à obsolescência do conhecimento escolar: ela ocorre mais facilmente com as aprendizagens “flexíveis” que agora se pretende estimular do que com o conhecimento disciplinar sólido e estruturado do ensino tradicional. Nuno Crato dá o exemplo feliz das coisas que se aprendiam quando se começou a dizer, dos computadores, que seriam o futuro: quem conhece hoje os comandos do MS-DOS, as teclas de atalho do WordPerfect ou a programação BASIC, tudo coisas que faziam furor no final dos anos 80?…

Em contrapartida, dominar uma língua estrangeira ou ter boas bases de Matemática, conhecer e compreender o essencial da História e da Geografia de Portugal, entender no fundamental a teoria da evolução de Darwin ou a relatividade de Einstein, não são conhecimentos inúteis nem ficarão certamente ultrapassados nas próximas décadas. São conteúdos sólidos e concretos que não só enriquecem os jovens que os têm como lhes permitem, esses sim, partir para novas aprendizagens.

Bases de Dados das Provas Finais e Exames Finais Nacionais



Bases de Dados das Provas Finais e Exames Finais Nacionais 2017











Fonte: DGE

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